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Nº 1363 - Ano 28 - 22.08.2002

 

HC inaugura Instituto Alfa de Gastroenterologia

Hospital das Clínicas (HC) da UFMG acaba de completar 74 anos de dedicação à saúde dos mineiros. No momento em que são celebradas suas sete décadas de história, não poderia haver melhor novidade do que a inauguração, na semana passada, do mais bem equipado centro de gastroenterologia da América Latina. Construído e montado com investimentos de cerca de R$ 10 milhões, recebidos do Banco Alfa, o IAG ocupa todo o segundo andar do HC (internação e diagnóstico), parte do andar térreo (radiologia) e quatro salas do bloco cirúrgico. O Instituto oferecerá a pacientes do SUS, conveniados e particulares, o que há de mais moderno em tratamento dos problemas no aparelho digestivo, desde a etiopatogenia (causa e mecanismos das doenças) até o diagnóstico e o tratamento clínico, cirúrgico ou endoscópico.

"Este é um acontecimento muito importante para a história do Hospital. O atendimento, o ensino e a pesquisa ganham muito com a inauguração do IAG", ressalta o professor Ricardo Castanheira Pimenta Figueiredo, diretor do HC, lembrando que o ânimo dos funcionários mudou desde o início das obras. Referência na formação de recursos humanos da área de saúde, o Hospital conta agora com importante estrutura física para o dia-a-dia de seus profissionais e pacientes. Unidade funcional do HC, o Instituto era conhecido como Serviço de Gastroenterologia, Nutrição, Cirurgia Geral e do Aparelho Digestivo (Gen-Cad). Em suas diversas alas, o IAG é formado hoje por um ambiente de internação com 28 leitos, dois consultórios, três salas de aulas, auditório com 75 lugares, quatro laboratórios, além de amplo setor de exames. No 5º andar, há, ainda, quatro salas de cirurgia, dotadas de equipamentos de ponta.

A nova estrutura, cujo pleno funcionamento deve ocorrer até o final do ano, permitirá o aumento do número de consultas anuais, de 17,2 mil para 20 mil,e também de cirurgias, de dois para três mil. Aquantidade de endoscopias realizadas no setor pode também quintuplicar. "Teremos equipamento de ponta, e pessoal altamente qualificado para atender aos pacientes. A inauguração do IAG é um marco em nossa história", afirma o professor Paulo Roberto Savassi da Rocha, chefe do Instituto. Responsável até hoje pela realização de 153 transplantes hepáticos, o IAG conta agora com novos projetos. Trata-se, além de uma área clínica e de pesquisa, da elaboração de ambientes específicos para transplantes e tratamento de problemas oncológicos.


Nova portaria

A doação feita pelo presidente do Banco Alfa, Aloysio de Andrade Faria, não foi aplicada apenas no Instituto. Além da inauguração do IAG, o Hospital das Clínicas ganhou uma nova portaria, também inaugurada na semana passada, que passa a funcionar oficialmente a partir do dia 26.

Projetada com o intuito de oferecer mais conforto aos pacientes e promover a agilidade no atendimento, a área recebeu o nome de Recepção Hospitalar e abrigará os setores de convênios, tesouraria e internação. No setor, foram construídos um ambiente de pré-atendimento, para auxiliar e direcionar os usuários, e cinco guichês. O projeto contempla, ainda, a futura instalação de catracas eletrônicas que controlarão o fluxo de entrada de visitantes e funcionários do HC. "A doação do doutor Aloysio Faria (foto) mostra a confiança em nossa instituição", diz Ricardo Castanheira. Formado em Medicina pela UFMG em 1945, Faria cursou pós-graduação no exterior, mas sua carreira médica teve vida curta: a morte do pai, Clemente de Faria, o obrigou a assumir a direção do extinto Banco da Lavoura, que deu origem ao Banco Real.

Dificuldades

Durante a década de 90, o Hospital enfrentou sérias crises financeiras. No início deste ano, a situação melhorou significativamente, com diminuição das dívidas e ampliação da capacidade de produção. De janeiro para cá, houve ligeiro aumento no déficit das contas em decorrência do atraso na entrada de recursos públicos. A dificuldade de equilíbrio orçamentário do Hospital demonstra o quanto a preocupação em atender bem à comunidade é superior à entrada de recursos. "Gasta-se mais do que se recebe pela produção dos serviços", explica Ricardo Castanheira. Para sanar o problema, a administração do HC mantém os olhos abertos às possibilidades de convênios e parcerias. "Sempre buscamos novas fontes de receita", completa o diretor.

Apesar das dificuldades orçamentárias, o Hospital investe constantemente em ampliação e melhoria da qualidade do atendimento. "Os novos serviços vão melhorar nosso patamar de atuação", afirma Ricardo Castanheira. Em 2002, através do Reforsus, programa do governo federal que busca incrementar a estrutura dos serviços de saúde no país, o HC recebeu novos equipamentos de hemodinâmica, litotripsia, tomografia e gastroenterologia. Uma doação do Banco Alfa possibilitou o completo remodelamento do segundo andar do Hospital, a construção de nova portaria e o investimento na melhoria do bloco cirúrgico, e dos setores de endoscopia e radiologia.