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Criança asmática precisa de carinho e atividade
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radicionalmente,
crianças portadoras de asma sofrem bastante durante a infância.
Além das crises res piratórias, que deixam em alarme toda a
família, muitas delas têm, por exemplo, de se privar de brincadeiras
mais agitadas ou do contato com animais de estimação. O que
ainda não se sabia é que nos pequenos pacientes de asma o desenvolvimento
dos chamados marcos básicos, como engatinhar, andar e sentar, acontece
mais lentamente. Estudo realizado pelos departamentos de Fisioterapia e de
Terapia Ocupacional da UFMG, publicado em abril pela Revista Paulista de
Pediatria, revela que as crianças com crises agudas da doença
têm desempenho inferior às que não apresentam o problema
no que diz respeito a auto-cuidado, mobilidade e interação social.
Para chegar às conclusões da pesquisa, coordenada pelas professoras Marisa Cotta Mancini e Rosana Ferreira Sampaio e realizada por duas bolsistas de Iniciação Científica, foram entrevistadas mães de 90 crianças com idade entre um e quatro anos, freqüentadoras do Centro de Saúde São Gabriel e do ambulatório Bias Fortes, além de creches da Região Metropolitana de Belo Horizonte. A escolha levou em consideração três grupos: meninos e meninas com crises asmáticas agudas; temporárias; e não portadores da doença. Os pesquisadores investigaram os marcos básicos de desenvolvimento das crianças baseados no padrão de um teste americano, PEDI, cuja metodologia foi traduzida à realidade brasileira por docentes dos próprios departamentos de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional da UFMG.
Para confirmar que a asma influencia o processo de desenvolvimento infantil, foi preciso que a equipe de pesquisa comparasse o comportamento diário de crianças com asma ao daquelas sem a enfermidade. Durante a entrevista com as mães, os pesquisadores procuraram investigar o desempenho de cada filho nas atividades cotidianas, em casa e na rua. Para isso, buscaram entender, em primeiro lugar, a capacidade de auto-cuidado das crianças. "É importante identificar como se comportam elas, por exemplo, no banho ou na hora de se vestir", explica Rosana Ferreira.
Outra preocupação do estudo foi a verificação da mobilidade, que investigou o desempenho de garotos e garotas no momento de levantar ou se locomover de um lado para o outro. Por último, a análise recaiu sobre a chamada "função social" das crianças. "Buscamos verificar como se dá a interação social de cada uma delas", resume Marisa Mancini.
Pelos cuidados que inspiram, as crianças com asma agudizada, segundo a expressão técnica, apresentam maior dificuldade para realizar atividades como subir e descer escadas ou locomover-se fora de casa. "Tais atividades requerem maior gasto energético e grande consumo de oxigênio", diz Marisa Mancini. Como resultado, as crianças sem asma adquirem mais cedo independência para a realização de uma série de atividades. Além das diferenças no tempo de desenvolvimento motor, os pesquisadores observaram que, muitas vezes, a excessiva ajuda à criança asmática pode interferir no aprendizado das atividades de auto-cuidade e de mobilidade. Neste ponto, é importante lembrar que a criança portadora de asma é capaz de realizar todas as atividades, dentro de suas condições físicas. "Há atividades que não necessitam de cuidados excessivos. As mães reconhecem a iminência das crises e não precisam ficar preocupadas a todo momento", afirma Rosana Ferreira.
As crianças analisadas na pesquisa foram escolhidas em centros de saúde onde a Prefeitura de Belo Horizonte realiza o chamado programa Criança que chia. Trata-se de iniciativa da Secretaria Municipal de Saúde para controle da internação e diminuição da mortalidade infantil por doenças respiratórias. Em 2002, os pesquisadores da UFMG já se dedicam à segunda etapa do estudo. Como a asma é uma doença sazonal, cuja freqüência de crises aumenta em determinadas estações, é preciso observar o que acontece com a função respiratória das crianças durante o inverno e no final da primavera e do verão.
Segundo definição
do II Consenso Brasileiro do Manejo da Asma, de 1998, a asma
é uma doença crônica, caracterizada pela inflamação
e hiper-reatividade das vias aéreas, que pode levar à
obstrução do fluxo respiratório. |