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Nš 1495 - Ano 31
11.08.2005



A consciência em primeiro lugar

Simpósios discutem conduta ética em pesquisas com seres humanos e animais

Maurício Guilherme Silva Jr.

o longo dos séculos, a humanidade, como forma de não ultrapassar limites da convivência harmônica entre os indíviduos, busca nos preceitos éticos o seu norte. No que se refere aos campos da ciência e das tecnologias, a adoção de soluções éticas revela-se ainda mais abrangente e complexa. Tais questões permearão os debates do IV Simpósio de Ética em Pesquisa com Seres Humanos e o I Simpósio de Ética em Experimentação Animal (www.ufmg.br/bioetica), eventos que a UFMG realiza, nos dias 18 e 19 de agosto, na Reitoria e no ICB.

Ao estimular a discussão do fazer científico junto à comunidade acadêmica, os simpósios buscam construir novos parâmetros sobre bioética. Entre os palestrantes, estão pesquisadores de ciências biológicas e da área da saúde, filósofos, teólogos, juristas e educadores de diversas regiões do País. A proposta da realização dos eventos é dos comitês da UFMG de Ética em Pesquisa (COEP), que trata de pesquisas com seres humanos, e de Ética em Experimentação Animal (Cetea).

A abertura dos eventos acontece no dia 18 de agosto, às 8 horas, no auditório da Reitoria. Às 10h15, o professor Renato Janine Ribeiro, da Faculdade de Filosofia da USP e diretor da Capes, profere conferência sobre Responsabilidade e ética. Estão previstas, entre outras, as seguintes conferências: Os valores culturais brasileiros e as possibilidades de uma educação para ética; O ensino da ética no curso de Medicina; Ética e uso de animais na pesquisa e no ensino; Delineamento estatístico em pesquisa com seres humanos e animais; e Os contornos da ciência nos "avanços" éticos: o caso da diversidade humana.

Comitês

Criado em 1997, o COEP tem-se revelado um "porto seguro" para os pesquisadores. Para se ter uma idéia, no ano de sua fundação, o Comitê analisou as práticas éticas de 50 projetos de estudo. No ano passado, foram cerca de 600 pesquisas. "Esse aumento resulta da maior conscientização dos pesquisadores e dos pré-requisitos das agências de fomento e das publicações científicas especializadas", comenta a professora Maria Elena de Lima Perez Garcia, uma das coordenadoras do IV Simpósio de Ética em Pesquisa com Seres Humanos.

A professora Cleuza Maria de Faria Rezende, coordenadora do I Simpósio de Ética em Experimentação Animal e presidente do Cetea, ressalta a ampliação do debate sobre a conduta ética nas pesquisas com animais, principalmente a partir do surgimento, em julho de 2000, do Comitê: "Promovemos amplos debates. No Brasil, o tema da ética na pesquisa anda a passos largos", ressalta. A professora explica que o Comitê definiu 15 princípios para a conduta do pesquisador. Entre eles, o de que os seres vivos só podem ser utilizados em estudos que resultem em benefícios para eles próprios e para a humanidade. Além disso, todo o sofrimento deve ser evitado. Em caso de seqüelas, os animais devem ser sacrificados, mas por especialista, e sem dor.

 

Alfabetização em pauta

Ceale lança jornal para educadores infantis

Ludmilla Rodrigues

ificuldades de aprendizagem, correção de erros ortográficos, papel do educador e analfabetismo funcional são algumas das discussões abordadas nas duas primeiras edições do Letra A, publicação bimensal do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale) da Faculdade de Educação (FaE). Em circulação desde abril, o Letra A busca alcançar os alfabetizadores infantis - professores de 1a a 4a séries do ensino regular -, principalmente das escolas da rede pública.

"Letra A surgiu para alimentar o contato entre os educadores e as discussões sobre educação infantil", afirma o diretor do Ceale, Antonio Augusto Gomes Batista. Para a editora do jornal, Sílvia de Araújo, "a publicação tenta ser um instrumento de formação dos educadores". Segundo ela, o Letra A pretende discutir as dificuldades dos professores, oferecer dicas e sugestões para enriquecer as aulas e propor alternativas para incrementar o ensino básico. "Queremos mostrar ao professor que ele pode transformar vivências em práticas pedagógicas", acrescenta a jornalista.

A edição de lançamento, por exemplo, traz reportagem sobre o papel da escola e dos educadores na formação de leitores. Outro destaque é a entrevista com a professora Magda Soares, que discute, entre outros temas, os métodos de alfabetização e a atuação dos educadores em sala de aula. Letra A também possui seções de dicas de livros infantis e de atividades extra-classe, além de perfis de professoras que se destacaram como educadoras.

Leitores

A publicação conta com um Conselho de Leitores, aberto a educadores, alunos de graduação e pós-graduação dos cursos de Letras e Pedagogia. Os leitores reúnem-se com a equipe responsável pelo jornal a cada edição recém-lançada para analisar o seu conteúdo. Opiniões e sugestões ajudam a construir a edição seguinte. A próxima reunião do Conselho, que avaliará o segundo número do Letra A, acontece no dia 16 de agosto, às 19h, na Sala da Congregação da FaE.

Mais informações pelo telefone (31) 3499-6211. Para assinar o Letra A, o telefone é (31) 3499-5334, e o e-mail formacaoceale@fae.ufmg.br.