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Nº 1598 - Ano 34
25.02.2008
Ricardo Bandeira
| Foca Lisboa |
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| Joseane: artigo escrito graças ao Pronoturno |
OPronoturno, programa da UFMG que concede bolsas a alunos de cursos noturnos para incentivar seu envolvimento na vida acadêmica, rende os primeiros frutos após pouco mais de um ano de implantação. Joseane Biazini, de 23 anos, aluna do 6º período de licenciatura em Geografia, terá em 2008 seu primeiro artigo publicado em um periódico científico, a Revista Brasileira de Geomorfologia. Trata-se de um feito para um estudante de graduação, uma vez que a revista tem alcance internacional e circula na América Latina e em algumas universidades européias e norte-americanas.
A façanha é ainda maior pelo fato de Joseane ser aluna de um curso noturno. Quem estuda à noite costuma ter menos tempo e acesso a atividades como pesquisa, monitoria e extensão. A bolsa do Pronoturno, que Joseane recebe desde os últimos meses de 2006, foi criada para dar oportunidade a estudantes com perfil semelhante ao dela de participar da vida acadêmica em condições de igualdade com os colegas dos cursos diurnos.
O benefício, de R$ 300, é concedido a alunos que precisam trabalhar, mas não são responsáveis pelo sustento da família. Para ter direito a ele, o beneficiado deve comprovar relação habitual de trabalho desde o período do vestibular, ainda que esteja desempregado durante a seleção. Se for aprovado, precisa abandonar outras atividades remuneradas e se dedicar 20 horas semanais à pesquisa, ensino e extensão. A bolsa é garantida até a formatura, desde que o estudante cumpra os pré-requisitos do programa, entre os quais manter bom desempenho acadêmico.
“Se eu estou fazendo um curso numa universidade, tenho que mergulhar fundo nos estudos”, afirma Joseane, sobre a decisão de deixar um emprego que tinha numa financeira e se dedicar à licenciatura em Geografia. Ela trabalhava em horário integral e ganhava pouco mais de R$ 700 por mês. Sobrava pouco tempo para o curso. Joseane pediu demissão meses antes da criação do Programa. “Sem o Pronoturno, o artigo não existiria”, diz ela, sobre o texto a ser publicado na revista.
Com o título de Geomorfologia brasileira: panorama geral da produção nacional no início do século XXI (2001-2005), o trabalho faz um levantamento sobre os estudos mais relevantes realizados no Brasil, nos últimos anos, acerca da geomorfologia, área da geografia que estuda os relevos. O artigo é assinado também pelo orientador de Joseane, o professor André Augusto Rodrigues Salgado, do IGC, e pelo pesquisador Sebastian Hennig, da Universidade de Leipzig, na Alemanha.
O professor André Salgado, que coordena o Pronoturno no curso de Geografia, afirma não conhecer outro caso de artigo da Revista Brasileira de Geomorfologia assinado por estudante de graduação. “O Pronoturno é muito importante. Há alunos muito bons no período da noite, mas a maioria tem poucas oportunidades de contato com a pesquisa”, diz ele.
A aceitação do artigo está confirmada pela revista, mas a data de publicação ainda não foi anunciada. O periódico tem dois números anuais e é editado pela União da Geomorfologia Brasileira.

Total de vagas: 80 (oito por curso)
A criação de vagas em cursos noturnos é a principal política de inclusão social da UFMG e, segundo a pró-reitora adjunta de Graduação, Carmela Polito, será reforçada com a implantação do Reuni, programa federal de expansão e reestruturação do ensino superior.
Das 2.100 novas vagas previstas para a UFMG, nos próximos anos, pelo menos 70% serão no horário da noite. Com isso, diz Carmela, o Pronoturno também vai crescer.
Mesmo antes do Reuni, o orçamento do Pronoturno para 2008 já seria 60% superior ao do ano passado (R$ 400 mil, frente aos R$ 250 mil em 2007). O programa é mantido exclusivamente com recursos da UFMG e o valor pago mensalmente a cada aluno acompanha o das bolsas de monitoria – também com dinheiro da Universidade – e de iniciação científica, concedidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
A pró-reitora afirma que ainda é cedo para uma avaliação global do Pronoturno, criado em junho de 2006, mas considera a publicação do artigo de Joseane Biazini um indicativo de que o programa está no caminho certo. “É um ganho o aluno ter deixado um trabalho muitas vezes repetitivo para se dedicar à vida acadêmica. Isto só confirma a hipótese de que muitos estudantes não fazem mais porque não têm apoio ”, ressalta Carmela.
Dez dos 13 cursos noturnos da UFMG estão integrados ao Pronoturno, oferecendo 80 bolsas. Outros dois (Administração e Ciências Contábeis) estão em vias de adesão. A seleção dos alunos é de responsabilidade de cada curso.