Todos sabem o que aconteceu em 3 de abril último no IGC, quando houve uma lamentável ação da Polícia Militar. Ou pelo menos todos que mantiveram um mínimo de atenção auditiva ouviram várias histórias com as quais puderam construir sua própria interpretação dos fatos.
Fatos demasiadamente graves que geraram naturalmente grande indignação no corpo discente da UFMG. Indignação que evoluiu para mobilização de um grande número de estudantes que culminou na ocupação do saguão da reitoria por quatro dias, numa tentativa de se obter respostas aos diversos questionamentos que se faziam na ocasião.
Ocorre que mobilizações são movimentos organizados e para a indignação evoluir para a organização nesse caso, todos os questionamentos foram direcionados à Reitoria. O que a priori não é nenhum problema: é saudável que a gestão seja questionada em todos os momentos. E é sob pressão das partes envolvidas que muitas vezes uma negociação avança.
No entanto, algumas das histórias ouvidas naqueles dias, as que constavam dos panfletos que circularam no campus entre a ação policial e a ocupação, foram questionamentos carregados de certeza: da certeza da responsabilidade da Reitoria, particularmente da certeza de uma ação premeditada da reitora em exercício na ocasião, professora Heloisa Starling, sob a forma de acusações inconseqüentes. Algumas destas acusações são recentes, como a encontrada na última edição do jornal do DCE, por volta do dia 20 de maio, que diz que a Reitoria foi a responsável pelos acontecimentos seja por chamar a polícia, seja por permitir sua entrada no campus.
E, embora sob forte pressão (reitoria ocupada, repercussão negativa tanto na comunidade interna como na imprensa de BH, acusações sem provas, etc.), o discurso da administração central foi sempre o mesmo em todos os momentos: a Reitoria não havia chamado a polícia e não se eximiria da responsabilidade de apurar os fatos e tomar todas as providências cabíveis.
Ontem, 19, foi apresentado no Conselho Universitário o relatório da comissão designada pelo Reitor para apurar os fatos.
Faça seu próprio juízo. A íntegra do relatório pode ser lida aqui, a manifestação da vice-reitora Heloisa Starling no Conselho Universitário de ontem aqui e a nota da diretora do IGC, professora Cristina Augustin justificando sua ausência na reunião de ontem e com suas considerações sobre os fatos, aqui.
Seme Gebara Neto