Para dar um passo à frente, é preciso conhecer o espaço, conhecer o que está à frente e atrás, para definir aonde ir. É preciso saber se posicionar. Qualquer ação humana, por mais simples que seja, exige certo conhecimento do espaço, há muito tempo buscado pelo homem. As sociedades mais primitivas já tinham noções territoriais, norteando-se a partir de elementos naturais – como rios, montanhas, desertos e florestas. Diversas tribos ocupavam diferentes territórios e tinham conhecimentos a cerca de limites e fronteiras das áreas que habitavam.
É natural que, em certo ponto, o homem sentisse necessidade de registrar esse conhecimento a respeito do espaço que o cerca. O documento cartográfico mais antigo de que se tem notícia data de, aproximadamente, 2.500 a.C. e é conhecido como Ga-Sur – uma representação de um território na Babilônia, que conta, inclusive, com a indicação dos pontos cardeais. Outro famoso documento antigo é o Mapa de Bedolina, de aproximadamente, 1.500 a.C., que visava representar uma aldeia na região do Rio Pó, ao norte da Itália.
A descoberta de documentos como esses permitem que os pesquisadores tracem uma história do desenvolvimento da Cartografia, desde as pesquisas iniciais, feitas pelos gregos, até as descobertas amparadas pelas avançadas tecnologias atuais. Observando o céu e a posição dos astros, as civilizações antigas posicionavam-se e traçavam seus territórios. Hoje, o olhar humano desloca-se até o ponto antes observado e passa a fazer parte desse céu, utilizando satélites de última geração para mapear até as esquinas mais escondidas do planeta Terra.
A Cartografia Histórica e o Museu
O Centro de Referência em Cartografia Histórica (CRCH), criado em 1999, tem como sede principal, o Palacinho, no MHNJB. Essa edificação tem valor arquitetônico e histórico e passou por detalhado processo de restauração. O Palacinho está ligado à história moderna de Minas Gerais: após a instalação da nova Capital em Belo Horizonte, foi residência de governadores do estado, na primeira metade do século XX.
Em Diamantina, o CRCH mantém uma exposição permanente no Instituto Casa da Glória, Órgão Complementar do Instituto de Geociências da UFMG. A Casa é composta por dois casarões, ligados por um passadiço de madeira e está estreitamente associada à história do Arraial do Tejuco, de Diamantina e de Minas Gerais.
Cientes do valor histórico da Cartografia e da importância da linguagem cartográfica como meio de expressão e comunicação de dados, os pesquisadores do CRCH preocupam-se em extrair dos mapas informações que ampliem seu valor documental. Como os elementos próprios da Cartografia mudam com o tempo, o estudo de documentos iconográficos de diferentes épocas permite uma compreensão mais ampla das coordenadas geográficas, das escalas e das medidas de cada período e de cada civilização, ajudando os pesquisadores a entender os paradigmas que nortearam a construção desses documentos.
Um dos principais focos de estudos do CRCH é o conjunto de mapas e de reproduções cartográficas dos períodos Colonial e Imperial referentes à representação do território que, hoje, constitui o Estado de Minas Gerais. Devido aos abundantes recursos minerais nela encontrados, a área foi uma das mais cartografadas no Brasil Colônia, configurando-se uma rica e significativa fonte de pesquisa da forte tradição cartográfica mineira. |