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O escritor Machado de Assis

Livro reúne e discute textos afro-descendentes de Machado de Assis

quarta-feira, 11 de abril de 2007, às 14h16

O professor Eduardo de Assis Duarte, da Faculdade de Letras (Fale) da UFMG, lança, neste sábado, 14 de abril, às 18h, na Leitura Pátio Megastore (avenida do Contorno, 6061 - Savassi), o livro Machado de Assis afro-descendente: escritos de caramujo (antologia).

A obra, que conta com seleção, ensaio e notas de Eduardo, é uma reunião de textos (poemas, contos, crônicas e ficção romanesca) do grande escritor brasileiro em que aparecem manifestações de afro-descendência. Trata-se de convite literário para que o leitor reavalie o posicionamento machadiano em relação à escravidão e às relações interraciais do Brasil no século 19.

Ao destacar a presença do negro na escrita machadiana, Eduardo de Assis Duarte envereda por uma trilha ainda inexplorada pela crítica. Em minuciosa seleção de poemas, contos, crônicas e ficção romanesca, o pesquisador elabora sua própria leitura, que culminou com diversas notas e extenso estudo analítico. "A antologia crítica preenche grave lacuna no cenário acadêmico nacional, e certamente produzirá frutos, no sentido de uma compreensão ampliada do mundo de Machado de Assis", destaca Eduardo de Assis Duarte.

O livro é publicado no ano em que se comemoram 136 anos da lei do Ventre Livre (1871); 119 anos da abolição da escravidão (Lei Áurea, 1888) e 99 anos da morte de Machado de Assis (1908).
(Com Ampla Soluções em Comunicação)

O escritor
Mulato, neto de escravos alforriados, nascido livre no Morro do Livramento, no Rio de Janeiro, em 1839, Joaquim Maria Machado de Assis trabalhou, na adolescência, como balconista e operário gráfico. Autodidata, passou da oficina à redação e, daí, ao emprego público e à literatura. Considerado um dos maiores escritores da língua portuguesa, foi acusado de "aburguesamento", denegação de suas origens e omissão perante os dramas sociais de seu tempo, especialmente a escravidão.

No entanto, seus escritos contradizem a tese absenteísta e deixam evidente que, sob disfarces e dissimulações, tanto o cronista quanto o poeta - ou o genial ficcionista - valeram-se de linguagem sofisticada para, assumindo o lugar do Outro, fazer a crítica do regime e da classe que mantinha.

O pesquisador
Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), Eduardo de Assis Duarte é professor de Literatura da Faculdade de Letras (Fale) da UFMG, onda coordena o projeto integrado de pesquisa Afro-descendências: raça/etnia na cultura brasileira. Autor de Jorge Amado: romance em tempo de utopia (2ª Ed. Record, 1996) e Literatura, política, identidades (Fale/UFMG, 2005), organizou diversas publicações na área de estudos literários.

Ficha técnica
Livro: Machado de Assis afro-descendente: escritos de caramujo (antologia)
Seleção, ensaio e notas: Eduardo de Assis Duarte
Editora: Pallas e Crisálida
Lançamento: 14 de abril, na Livraria Leitura do Pátio Savassi (avenida do Contorno, 6061 - Savassi), às 18 horas,
Número de páginas: 288
Preço: R$ 38