Universidade Federal de Minas Gerais

Bay/Divulgação
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Alunos assistem aulas do curso de licenciatura indígena na UFMG

Palestras marcam encerramento do terceiro módulo da Licenciatura Indígena

sexta-feira, 1 de junho de 2007, às 17h37

Na próxima semana, encerra-se o terceiro módulo presencial do Curso de Formação Intercultural de Professores, voltado para representantes de sete povos indígenas de Minas Gerais - Xacriabá, Maxacali, Krenak, Pataxó, Caxixó, Xukuru-Cariri e Pankararu. Como parte da programação das aulas, haverá palestras de Betty Mindlin, especialista em Literatura Indígena da PUC/SP, e de Marcos Vinícios Bortolus, do departamento de Engenharia Mecânica da UFMG.

Betty Mindlin apresenta três palestras, sobre as narrativas de várias etnias do estado de Rondônia, de segunda a quarta, de 8h30 às 11h. Já na parte da tarde, de 13h30 às 17h, o professor Marcos Vinícios Bortolus ministra aulas sobre ciência, tecnologia e cultura. Todas as atividades serão realizadas no auditório da Faculdade de Educação (Fae) da UFMG.

Betty Mindlin é economista, com doutorado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1984). Experiente na área de antropologia, com ênfase em etnologia indígena, Mindlin trabalha atualmente no registro da tradição e música, em mais de dez línguas, de professores e narradores indígenas É autora, entre outros, do livro Diários da Floresta (Ed. Terceira Nome, 2006), escrito a partir das anotações feitas ao longo da sua convivência com o povo Suruí Paiter, de Rondônia, entre 1978 e 1983.

Marcos Vinícios Bortolus é engenheiro mecânico com doutorado em Energia pela Université de Toulouse III - Paul Sabatier (1995). Sua formação é especializada em Fenômenos de Transporte, área na qual atua, principalmente, sobre os temas de Turbulência, Simulação Numérica, Modelos de Parede e Transferência de Calor.

Perspectivas
Durante a semana de encerramento, lideranças dos grupos indígenas e professores da UFMG discutirão, em grupos de trabalho, a hipótese de criação de um núcleo de estudos superior indígena, o acesso e permanência dos estudantes indígenas na UFMG e a sistematização do próximo módulo. Nesta sexta, a professora Carmela Polito, pró-reitora adjunta de Graduação, apresentou aos professores e às lideranças indígenas um panorama dos cursos de graduação oferecidos pela UFMG.

Na primeira semana de atividades, iniciada no último dia 14, os alunos tiveram aulas que buscavam promover diálogo intercultural entre o conhecimento científico e o saber tradicional indígena. As aulas foram ministradas por Isaac Ashaninka e Fernando Yawanawa, professores convidados de grupos indígenas do Acre, com experiência em cursos de formação similares ao da UFMG.

Curso
Com estrutura diferenciada, o Curso de Formação Intercultural de Professores é composto por módulos presenciais de aprendizagem e grupos de trabalhos, que acontecem na UFMG, durante quatro semanas. Etapas intermediárias não presenciais, realizadas nas comunidades, também integram as atividades. O estudante, que também é professor na comunidade indígena, deve realizar projetos de pesquisa sob a orientação de monitores do curso. Ao final de cinco anos, 140 alunos estarão aptos a atuar como professores dos ensinos fundamental e médio.

O curso é gerido pela Universidade em parceria com o movimento indígena. Elaborado no final de 2004, a partir da demanda dos povos indígenas, o projeto obteve a aprovação da UFMG em 2005. Para funcionar, o curso obteve recursos do edital do Programa de Apoio à Implantação e Desenvolvimento de Cursos de Licenciatura para Formação de Professores Indígenas (Prolind), aberto pelo Ministério da Educação, que disponibilizou R$ 500 mil para a licenciatura. A Funai destinará R$ 372 mil anuais e a Secretaria de Estado de Educação, R$ 89 mil. A UFMG entra com o corpo docente e os equipamentos.

Além do projeto da UFMG, foram selecionadas para o Prolind, em 2005, licenciaturas das universidades federais de Roraima, do Amazonas, de Campina Grande, da Bahia e de Tocantins; e as estaduais de Londrina (PR), da Bahia, de Mato Grosso do Sul, do Oeste do Paraná e do Amazonas.