Universidade Federal de Minas Gerais

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Jean Rouch, um dos grandes nomes do documentário francês

Centro Cultural exibe filmes do documentarista francês Jean Rouch

sexta-feira, 3 de abril de 2009, às 10h43

O projeto Cinecentro, do Centro Cultural UFMG, irá exibir dois filmes do documentarista francês Jean Rouch (1917-2004). As apresentações acontecem neste final de semana. Às 17h de sábado, estará em cartaz o curta Os Mestre Loucos (1955), com duração de 30 minutos. Domingo, no mesmo horário, será a vez da exibição do longa Eu, um Negro (1979), de 73 minutos.

O francês Jean Rouch, além de cineasta, foi também um teórico do cinema direto. Ele é autor de um subgênero do documentário, a etnoficção. A partir da influência pelo surrealismo e da sedução pelas regras essenciais da inspiração e da intuição, a filmografia de Jean Rouch captou imagens da evolução do continente africano e da sociedade francesa. Sua obra acaba gerando um grande impacto sobre os jovens cineastas da Nouvelle Vague.

Confira as sinopses dos filmes:

1) Os Mestre Loucos
Filmado em apenas um dia, o filme revela as práticas rituais de uma seita religiosa. Os praticantes do culto Hauka, trabalhadores nigerianos reunidos em Accra, se reúnem à ocasião de sua grande cerimônia anual. Começa o rito da possessão, saliva, tremedeiras, respiração ofegante… são os signos da chegada dos ‘espíritos da força’, personificações emblemáticas da dominação colonial : o cabo da polícia, o governador, o doutor, a mulher do capitão, o general, o condutor da locomotiva, etc… A cerimônia atinge seu ápice com o sacrifício de um cão, o qual será devorado pelos possuídos. No dia seguinte, os iniciados retornam.

2) Eu, um Negro
Jovens nigerianos deixam sua terra natal para procurar trabalho na Costa do Marfim. Desenraizados em meio à civilização moderna, acabam chegando a Treichville, bairro operário de Abdijam. O herói, que conta sua própria história, se auto-denomina Edward G. Robinson, em honra ao ator americano. Da mesma forma, seus amigos escolhem pseudônimos destinados à lhes forjar, simbolicamente, uma personalidade ideal.