Universidade Federal de Minas Gerais

Palestra aborda diferenças entre fala e escrita na aprendizagem

terça-feira, 23 de junho de 2009, às 12h57

A aquisição da escrita por alunos de 6 a 10 anos de idade é o tema da edição desta terça, 23, do projeto Ceale Debate. O evento, que acontece às 19h30, na Faculdade de Educação (Fae), no campus Pampulha, é aberto ao público e também será transmitido ao vivo pela Radio FaE, via internet: www.ceale.fae.ufmg.br.

Raquel Fontes Martins, doutora em linguística pela UFMG, abordará em palestra as principais dificuldades das crianças que estão aprendendo a escrever, com base em trabalho que desenvolve no Centro de Estudos em Leitura e Escrita (Ceale), da Fae. O evento encerra a programação do primeiro semestre do Ceale Debate 2009, que volta em agosto. Não é necessário se inscrever para participar.

Dificuldades
Segundo Raquel Martins, até os cinco anos de idade a criança desenvolve a linguagem oral e, dos seis aos 12, em um ambiente adequado, desenvolve a linguagem escrita. De maneira geral, essa é a “sequência de aprendizagem” vivenciada pelas crianças. E esse caminho traz algumas dificuldades, tanto para quem aprende quanto para quem ensina.

A pesquisadora explica que as principais dificuldades das crianças que estão no processo de aprendizagem da escrita são ortográficas. Por isso defende que, além de estar ciente da estrutura e dos fenômenos da língua, o professor deve saber como agir. “O professor que faz um ditado falando ‘pente’ (e não ‘penti’, como normalmente a palavra é dita) está querendo dizer para o aluno: ‘escreva da forma como eu falo’. Mas a fala do ditado é artificial e, com isso, ele está criando uma ideia falsa de que a fala é igual à escrita”, exemplifica. Para Raquel Martins, a melhor estratégia seria mostrar ao aluno que a fala e a escrita, muitas vezes, não têm relação direta. “Falamos de um jeito mas escrevemos de outro. Por incrível que pareça, os professores não dizem isso”, ressalta.

(Com assessoria de imprensa do Ceale)