Universidade Federal de Minas Gerais

Pesquisa premiada de arquiteto na pós-graduação da FaE analisa como crianças usam o espaço público

terça-feira, 16 de março de 2010, às 7h20

A Praça Jerimum, no bairro do Barreiro, em Belo Horizonte, foi projetada pelo arquiteto Samy Lansky com a participação da comunidade. E ele se surpreendeu quando voltou ao local para verificar o que os usuários fazem do espaço e dos equipamentos: descobriu que tudo – corrimãos, escadas, telefones públicos – vira brinquedo, e que os brinquedos, por sua vez, adquirem outras funções.

Esta e outras descobertas são resultado das pesquisas que Lansky – professor substituto da Faculdade de Arquitetura da UFMG – faz há alguns anos como aluno da pós-graduação da Faculdade de Educação (FaE). No doutorado, ele estuda como crianças circulam pela cidade. E com seu trabalho de mestrado – Praça Jerimum: cultura infantil no espaço público –, ganhou, no final do ano passado, o Prêmio Design (entre trabalhos escritos não publicados), do Museu da Casa Brasileira, de São Paulo.

Já há algum tempo Samy Lansky projeta parques infantis e brinquedos, mas logo sentiu falta de formação complementar em áreas como lazer e pegagogia. “Meu mestrado foi uma oportunidade muito rica de voltar a um espaço depois de pronto e tentar captar como as pessoas se apropriaram dele”, afirma o arquiteto. “Muito do que planejamos não dá certo, e acontece uma série de usos imprevistos. Os usuários são muito mais criativos do que se imagina”, acrescenta.

O pesquisador revela que passou a ver os arquitetos como “mediadores de relações em uma obra”, que envolve diversos agentes, do contratante ao usuário, passando por operários e fornecedores. “O arquiteto não é artista, ele tem muitos problemas reais em que pensar. Devemos nos colocar em outro lugar, ‘descer do mapa’ para o mundo real”, afirma Samy Lansky.

Os estudos de doutorado significam, segundo Samy Lansky, uma tentativa de avançar no planejamento que considere a perspectiva dos usuários. Ele pretende entender a noção de infância construída pelos planejadores urbanos, o que existe em termos de políticas públicas e o reflexo disso sobre os espaços e a população.

Leia mais sobre a pesquisa na edição 1.681 do Boletim UFMG.