Universidade Federal de Minas Gerais

Poste para instalações elétricas mais leve e resistente utiliza fibra de vidro e resina

quinta-feira, 18 de março de 2010, às 8h15

Dois pesquisadores da Escola de Engenharia da UFMG desenvolveram uma nova tecnologia para fabricação de postes para redes elétricas. Carlos Alberto Cimini Junior e Estevam Barbosa de Lãs Casas aplicam a configuração semimonocoque em um material composto com fibra de vidro e resina. O conceito é inspirado em estruturas aeronáuticas como as usadas em fuselagens de aviões. Por isso o poste é extremamente leve e, ao mesmo tempo, rígido e resistente, podendo ser alternativa para substituir os de iluminação convencionais de concreto, aço ou madeira, nas redes de transmissão de energia elétrica.

Grandes empresas, como a Cemig, já manifestaram interesse pela tecnologia. Outra possibilidade de aplicação é como suporte de turbinas eólicas, mercado em expansão no cenário internacional. Para melhor aproveitamento da potência do vento são necessárias torres de no mínimo 30 metros de altura. A estrutura semimonocoque permite a fabricação de postes com alturas mais elevadas, mantendo a leveza e a resistência.

Semimonocoque
O conceito de estrutura semimonocoque nesse tipo de poste se baseia em seções cilíndricas concêntricas reforçadas por barras longitudinais fabricadas com resina epóxi e fibra de vidro. Esse material foi escolhido por apresentar alta resistência e baixo custo quando comparado à fibra de carbono ou de aramida,por exemplo; dois materiais com alta resistência mecânica.

Já a resina epóxi foi preferida no projeto por apresentar resistência elevada e boa adesão com as fibras. Os protótipos laboratoriais submetidos a testes de flexão, compressão e torção demonstraram bons resultados.

Segurança
Os postes convencionais podem ser feitos de aço, madeira e concreto. Apesar de terem custo reduzido, eles são pesados, o que influencia diretamente nas despesas de transporte. “Em muitos casos esses postes percorrem longas distâncias para chegar a locais isolados”, lembra Cimini Junior, que coordena o projeto. Ainda por serem mais pesados, os postes de concreto e de aço exigem fundações mais robustas, que impactam nos custos da instalação. Os postes desenvolvidos na UFMG é alternativa para os dois problemas.


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Em Minas Gerais, a Cemig tem previsão de construir até o fim de 2010, 65 mil quilômetros de redes, instalar 120 mil transformadores e 580 mil postes. Além da dificuldade e do alto custo de transporte, os postes convencionais apresentam baixa resistência à fadiga quando comparados ao produto feito com materiais compostos poliméricos e fibras, como o da UFMG.

Diferencial
Outro diferencial do novo produto é o fato de estar associado a um software que possui a metodologia de projeto implementada. “Um programa computacional faz o projeto do poste automaticamente, considerando tamanho, modelo e materiais escolhidos”, diz Cimini.

Os pesquisadores devem optar pela transferência de tecnologia para uma empresa interessada em fabricar os postes. Empresas distribuidoras de energia que instalam postes de iluminação e torres de transmissão são o mercado-alvo. Além delas, outro cliente potencial são prefeituras e empreendedores privados interessados em modernizar e inovar a paisagem, melhorar a infraestrutura de distribuição de energia e oferecer mais segurança em diversos espaços.

(Com Sebrae)