Universidade Federal de Minas Gerais

Foca Lisboa
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Ramon Fernandez, Hugo Cerqueira, João Antonio e Ricardo Bielschowsky, respectivamente, na mesa de hoje.

Desafios como crise financeira e mudanças climáticas exigem novo padrão de desenvolvimento, segundo Ricardo Bielschowsky

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011, às 15h49

“Eu sou pessimista em relação ao mundo, porém um pouco menos pessimista em relação ao Brasil”, afirmou Ricardo Bielschowsky, professor de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sobre o desenvolvimento econômico. Bielschowsky participou na manhã de hoje do 1° Seminário do Fórum de Estudos Contemporâneos, no campus Pampulha da UFMG.

"Os desafios de ordem mundial gerados pela crise financeira, a relação dos Estados Unidos com a China, o progresso técnico acelerado e as mudanças climáticas criam a necessidade de se estabelecer novo padrão de desenvolvimento", afirmou Bielschowsky, que é economista da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

Ele participou da mesa-redonda que abriu a programação do evento, com o tema Qual economia, qual desenvolvimento, qual sociedade? Segundo o professor João Antonio de Paula, pró-reitor de planejamento da UFMG e coordenador da mesa, é importante discutir que tipo de sociedade pode ser construída diante de uma crise sistêmica, “uma sociedade cujos modelos econômicos e paradigmas se mostram desgastados”.

Ainda de acordo com Ricardo Bielschowsky, o padrão de desenvolvimento econômico no Brasil é discutido de forma muito fragmentada, apesar de existir uma grande diversidade de estudos na área de planejamento. “É possível extrair desse conjunto três motores de desenvolvimento e um eixo transversal a eles, com a função de turbinar esses motores”, comentou Bielschowsky, fazendo referência aos recursos naturais, à infraestrutura e ao crescimento com redistribuição de renda. A produção de bens de todos os tipos, ainda tímida no Brasil, é o eixo que pode potencializar esses motores para alavancar a economia brasileira.

"Busca da felicidade”
Outro participante da mesa, o professor Ramon Fernandez, da Universidade Federal do ABC, disse que a sociedade ideal deve conter elementos essenciais, como justiça social com redução das desigualdades raciais, de gênero e de renda e respeito ao desenvolvimento sustentável. Mas a principal preocupação tem que ser com “a busca da felicidade”, afirmou Fernandez, acrescentando que condições de trabalho digno também auxiliam na integração entre a sociedade e a economia.

Para o professor Hugo Cerqueira, da Faculdade de Ciências Econômicas (Face) da UFMG, a crise financeira deixa clara a necessidade de se discutir a hegemonia capitalista. “A economia neoclássica, que é o pensamento dominante, transformou-se num sistema hermético que nos impede de descortinar perspectivas além de horizontes estreitos”, disse.

Daniel Fernando, aluno da graduação em Economia, gostou da discussão. “A economia é essencial para explicar os problemas contemporâneos e imaginar um futuro melhor”, disse Daniel.