{"id":6600,"date":"2022-09-20T12:29:53","date_gmt":"2022-09-20T15:29:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/?page_id=6600"},"modified":"2022-10-27T14:50:12","modified_gmt":"2022-10-27T17:50:12","slug":"forasteiros-presentes-e-bem-vindos-2","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/diversa-95\/forasteiros-presentes-e-bem-vindos-2\/","title":{"rendered":"Forasteiros: presentes e bem-vindos"},"content":{"rendered":"<p><em>Quatro breves perfis celebram a contribui\u00e7\u00e3o de professores estrangeiros na UFMG<\/em><\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Itamar Rigueira Jr.<\/p>\n<style>\/*! elementor - v3.6.5 - 27-04-2022 *\/\n.e-container.e-container--row .elementor-spacer-inner{width:var(--spacer-size)}.e-container.e-container--column .elementor-spacer-inner,.elementor-column .elementor-spacer-inner{height:var(--spacer-size)}<\/style>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.38; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt; text-align: left;\">Em 1940, o zo\u00f3logo italiano Giorgio Schreiber chegou ao Brasil, depois de ser obrigado a deixar seu pa\u00eds pela persegui\u00e7\u00e3o aos judeus durante a Segunda Guerra. Menos de uma d\u00e9cada depois, ele e a mulher, Maria Romano Schreiber, j\u00e1 estavam em Belo Horizonte, trabalhando na UFMG. Giorgio, que se tornou professor em\u00e9rito em 1975, e Maria Schreiber deixaram inestim\u00e1veis contribui\u00e7\u00f5es, respectivamente, nas \u00e1reas da biologia e da biblioteconomia.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Essa \u00e9 uma das hist\u00f3rias de centenas de docentes estrangeiros que t\u00eam ajudado a construir a trajet\u00f3ria da UFMG, ao longo de seus 95 anos. \u201cA intera\u00e7\u00e3o com os estrangeiros incorporados aos quadros da Universidade \u00e9 sempre muito relevante para a atualiza\u00e7\u00e3o de nossos pesquisadores, professores e estudantes nas ci\u00eancias e nas artes\u201d, afirma o professor Jo\u00e3o Antonio de Paula, da Faculdade de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas (Face). Em r\u00e1pido esfor\u00e7o de mem\u00f3ria, ele cita, entre cientistas que passaram por aqui, os nomes do qu\u00edmico alem\u00e3o Alfred Schaefer, que atuou na Escola de Engenharia e na Faculdade de Medicina, e do maestro Sergio Magnani, que lecionou l\u00edngua e literatura italiana na Faculdade de Letras (Fale) e dirigiu as orquestras mais importantes de Minas Gerais.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">O professor em\u00e9rito M\u00e1rio Jorge Dias Carneiro, que voluntariamente ainda orienta estudantes na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Matem\u00e1tica, ressalta a presen\u00e7a de professores \u2013 indianos, russos e italianos, por exemplo \u2013 que tiveram forma\u00e7\u00f5es muito diferentes em seus pa\u00edses, com foco em \u00e1reas menos tradicionais no Brasil, como a teoria de grupos e a topologia de variedades. \u201cA conviv\u00eancia com esses docentes, ao longo das d\u00e9cadas, foi fundamental para a expans\u00e3o do nosso departamento. A contribui\u00e7\u00e3o deles \u00e9 fant\u00e1stica\u201d, enfatiza Carneiro. <\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">A UFMG tem hoje em seu quadro 126 docentes estrangeiros com v\u00ednculo ativo e permanente (h\u00e1 tamb\u00e9m tr\u00eas substitutos e dez visitantes). O Instituto de Ci\u00eancias Exatas \u00e9 a unidade com mais forasteiros, e peruanos, colombianos e alem\u00e3es s\u00e3o os mais numerosos na UFMG. Nesta edi\u00e7\u00e3o especial de anivers\u00e1rio, a revista DIVERSA apresenta, em breves perfis, a trajet\u00f3ria de duas professoras e um professor em atividade, e de um docente rec\u00e9m-aposentado da Universidade.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">\u00a0<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">PLANOS PARA AL\u00c9M DOS 75<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Prestes a se aposentar compulsoriamente, a peruana Laura Wong, do Cedeplar, garante que seu ciclo de contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 demografia est\u00e1 longe de terminar<\/p>\n<style>\/*! elementor - v3.6.5 - 27-04-2022 *\/\n.elementor-widget-image{text-align:center}.elementor-widget-image a{display:inline-block}.elementor-widget-image a img[src$=\".svg\"]{width:48px}.elementor-widget-image img{vertical-align:middle;display:inline-block}<\/style>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" width=\"724\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Laura-Wong-1-724x1024.png\" alt=\"\" loading=\"lazy\" srcset=\"https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Laura-Wong-1-724x1024.png 724w, https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Laura-Wong-1-768x1086.png 768w, https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Laura-Wong-1-1086x1536.png 1086w, https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Laura-Wong-1-1448x2048.png 1448w\" sizes=\"auto, (max-width: 724px) 100vw, 724px\" \/><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o de Gabriel Lisboa sobre foto de Foca Lisboa<\/figcaption><\/figure>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Em 2023, a dem\u00f3grafa Laura Wong, professora da Faculdade de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas (Face), vai completar 75 anos e ter\u00e1 de se aposentar \u2014 &#8220;lamentavelmente&#8221;, ela faz quest\u00e3o de observar \u2014, por exig\u00eancia das normas que regem o servi\u00e7o p\u00fablico federal. Hoje coordenadora da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Demografia do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar), Laura pretende continuar atuando na Universidade como professora volunt\u00e1ria e tem mais planos contratados para os pr\u00f3ximos seis anos: ela ocupa a vice-presid\u00eancia da Internacional Union for the Scientific Study of Population (IUSSP) at\u00e9 2025 e vai presidir a entidade nos tr\u00eas anos seguintes. Laura ser\u00e1 a segunda professora do Cedeplar a liderar a IUSSP \u2013 o primeiro foi Jos\u00e9 Alberto Magno de Carvalho, um precursor da demografia no Brasil. \u201cEsse \u00e9 um sinal de grande prest\u00edgio para o Centro e para a UFMG\u201d, comenta a docente. <\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Laura Wong teve o primeiro contato com Carvalho no Chile, quando cursava p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o no Centro Latino-americano e Caribenho de Demografia. Eram tempos de vultosos investimentos no estudo das popula\u00e7\u00f5es, porque os pa\u00edses ricos estavam preocupados com o crescimento das regi\u00f5es perif\u00e9ricas. \u201cA p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na nossa disciplina j\u00e1 nasceu internacional, o que foi uma sorte. O grande interesse em formar professores e pesquisadores tamb\u00e9m beneficiou o Cedeplar\u201d, diz a professora. <\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Ap\u00f3s estudos em escola mantida pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas na Costa Rica, Laura Wong voltou a Lima, capital do Peru, onde nasceu e cresceu. Trabalhou por uma d\u00e9cada na Funda\u00e7\u00e3o Seade, em S\u00e3o Paulo, fez o doutorado na London School of Hygiene and Tropical Medicine, no Reino Unido, e foi convidada, em 1993, para atuar na UFMG como professora visitante. Dois anos depois, foi nomeada por concurso. <\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Um dos motivos de orgulho de sua trajet\u00f3ria no Cedeplar \u2013 al\u00e9m da avalia\u00e7\u00e3o m\u00e1xima pela Capes da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em demografia, desde 2008 \u2013 \u00e9 a pesquisa sobre comportamento reprodutivo e ciclos de expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola na Amaz\u00f4nia. Ela colaborou para a funda\u00e7\u00e3o e o crescimento da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Estudos Populacionais (Abep) e, aproveitando seus contatos e sua experi\u00eancia com Am\u00e9rica Latina, teve papel efetivo no recrutamento e forma\u00e7\u00e3o de grande n\u00famero de dem\u00f3grafos na regi\u00e3o. De forma semelhante, seus contatos profissionais nos pa\u00edses africanos de l\u00edngua portuguesa foram valiosos para o trabalho de forma\u00e7\u00e3o de bons e atualmente influentes dem\u00f3grafos africanos. <\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">A experi\u00eancia mais forte da pesquisadora est\u00e1 certamente relacionada ao trabalho que ela e sua equipe desenvolveram no Afeganist\u00e3o, por encomenda do Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (UNFPA), a partir de 2014. Uma vez coletados os dados populacionais por t\u00e9cnicos locais, o grupo da UFMG trabalhou na gera\u00e7\u00e3o de diagn\u00f3stico sobre emprego, reprodu\u00e7\u00e3o, migra\u00e7\u00e3o, g\u00eanero e outros aspectos. \u201cTransferimos tecnologia e m\u00e9todos de planejamento, formamos pessoal e aprendemos muito tamb\u00e9m \u2013 por exemplo, sobre a situa\u00e7\u00e3o absurda das mulheres, que l\u00e1 dependem da intermedia\u00e7\u00e3o de um homem da fam\u00edlia at\u00e9 para o acesso \u00e0 sa\u00fade. Mas marcou muito tamb\u00e9m o fato de que mal pod\u00edamos sair do alojamento da ONU, por causa dos violentos conflitos internos. Quando sa\u00edamos, est\u00e1vamos acompanhados de seguran\u00e7as, porque era realmente muito perigoso\u201d, relata a professora da Face. <\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">\u201cLaura sempre viveu de forma muito corajosa, franca e com grande amor e dedica\u00e7\u00e3o ao trabalho. Nesses 30 anos, viveu cada minuto do dia a dia do Cedeplar\u201d, relata o professor C\u00e1ssio Turra, ex-aluno e hoje colega de departamento. \u201cDem\u00f3grafa rigorosa, especialista em t\u00e9cnicas demogr\u00e1ficas, qualidade de dados e proje\u00e7\u00f5es populacionais, ela foi fundamental para manter o padr\u00e3o internacional do nosso programa. Ao mesmo tempo, sempre foi um exemplo de mulher livre, moderna, serena e firme. Laura n\u00e3o \u00e9 apenas peruana de nascimento e brasileira de cora\u00e7\u00e3o e alma, Laura \u00e9 do mundo\u201d, ele ressalta. <\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Descendente de japoneses e chineses, Laura Wong, fora do trabalho, concentra-se na fam\u00edlia: vai ao Peru duas vezes por ano e passou a incluir em seu roteiro de viagens o Vietn\u00e3, onde moram a filha pedagoga e as duas netas tril\u00edngues \u2013 falam espanhol, ingl\u00eas e vietnamita. No mais, enquanto n\u00e3o chega julho de 2023, ela mant\u00e9m a rotina na Universidade: fica sempre at\u00e9 o in\u00edcio da noite, depois de cumprir a miss\u00e3o administrativa na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e, nas horas finais da jornada, mergulhar nas atividades acad\u00eamicas.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">EXPERIMENTOS, DO LABORAT\u00d3RIO \u00c0 COZINHA<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Os m\u00faltiplos interesses do nova-iorquino Ronald Dickman, refer\u00eancia internacional em f\u00edsica te\u00f3rica e computacional<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">\u00a0<\/p>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" width=\"603\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Ronald-Rickman-1-e1666703559150-603x1024.png\" alt=\"\" loading=\"lazy\" srcset=\"https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Ronald-Rickman-1-e1666703559150-603x1024.png 603w, https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Ronald-Rickman-1-e1666703559150-177x300.png 177w, https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Ronald-Rickman-1-e1666703559150-768x1304.png 768w, https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Ronald-Rickman-1-e1666703559150-904x1536.png 904w, https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Ronald-Rickman-1-e1666703559150-1206x2048.png 1206w\" sizes=\"auto, (max-width: 603px) 100vw, 603px\" \/><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o de Gabriel Lisboa sobre foto de arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">H\u00e1 15 anos, atento \u00e0 quest\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, o professor Ronald Dickman, rec\u00e9m-aposentado do Departamento de F\u00edsica do Instituto de Ci\u00eancias Exatas (ICEx), prop\u00f4s a cria\u00e7\u00e3o de uma disciplina que tratasse da f\u00edsica do clima (papel dos gases de efeito estufa, din\u00e2mica atmosf\u00e9rica, equil\u00edbrio energ\u00e9tico, varia\u00e7\u00f5es t\u00e9rmicas etc.). Ainda antes disso, alunos da astrof\u00edsica demonstraram interesse em din\u00e2mica de fluidos, e ele desenvolveu tamb\u00e9m esse t\u00f3pico para as turmas de gradua\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Essas s\u00e3o algumas lembran\u00e7as que surgem quando Ron, como \u00e9 chamado por colegas e amigos, \u00e9 estimulado a falar de sua atividade como docente na UFMG, aonde chegou h\u00e1 23 anos. O norte-americano veio de Nova York, onde cresceu (no Brooklyn) e come\u00e7ou a pesquisar e dar aulas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Nascido em 1953, Dickman foi adotado aos seis meses de idade por uma fam\u00edlia judia \u2014 o pai era qu\u00edmico, e a m\u00e3e, dona de casa. Estudou em escolas p\u00fablicas, gostava de c\u00e1lculos, ci\u00eancias e astronomia, mas aos 15 anos descobriu as artes visuais. E isso guiou seus primeiros passos na academia: formou-se em belas artes em 1974, na Universidade da Cidade de Nova York. Mas as ci\u00eancias exatas logo falariam mais alto: estudou f\u00edsica te\u00f3rica e computacional na Universidade do Texas em Austin, fez est\u00e1gios de p\u00f3s-doutoramento em outros estados e voltou para Nova York para ensinar na institui\u00e7\u00e3o que tinha frequentado no tempo das artes visuais.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">O Brasil entrou de vez na sua vida quando orientou uma aluna brasileira no doutorado em Nova York. Adriana Gomes Dickman, que \u00e9 professora da PUC Minas, tornou-se a segunda esposa de Ron, e eles est\u00e3o juntos at\u00e9 hoje. No fim dos anos 1990, ele veio como professor visitante da Universidade Federal de Santa Catarina e, em 1999, ingressou na UFMG. <\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Mec\u00e2nica estat\u00edstica e transi\u00e7\u00f5es de fase<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Um dos interesses mais antigos de Ronald Dickman no campo da pesquisa \u00e9 a mec\u00e2nica estat\u00edstica \u2013 que tenta compreender sistemas complexos com base nas propriedades dos \u00e1tomos e nas intera\u00e7\u00f5es entre eles \u2013, associada \u00e0 teoria da probabilidade. S\u00e3o muitas as aplica\u00e7\u00f5es, na qu\u00edmica, na biologia, nas engenharias.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Outro tema que marca suas investiga\u00e7\u00f5es s\u00e3o as transi\u00e7\u00f5es de fase (em fen\u00f4menos como a ebuli\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e a magnetiza\u00e7\u00e3o do ferro, por exemplo). Ele desenvolveu t\u00e9cnicas te\u00f3ricas e computacionais. \u201cCom simula\u00e7\u00f5es de modelos de \u00e1tomos e mol\u00e9culas, \u00e9 poss\u00edvel estudar evolu\u00e7\u00e3o ao longo do tempo e prever propriedades termodin\u00e2micas\u201d, explica o professor. \u201cRon fez contribui\u00e7\u00f5es importantes para a melhoria da t\u00e9cnica de amostragem Monte Carlo\u201d, lembra o professor Sabino Ferreira, do Departamento de Estat\u00edstica do ICEx, referindo-se ao m\u00e9todo multidisciplinar com aplica\u00e7\u00f5es em sistemas fora de equil\u00edbrio, tema que, na rela\u00e7\u00e3o com os sistemas termodin\u00e2micos, valeu a Dickman reconhecimento mundial. O professor aposentado do ICEx tem mais de 180 publica\u00e7\u00f5es em revistas internacionais e orientou cerca de 30 projetos de mestrado e doutorado.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Jazzista amador, Ron Dickman estudou piano com Lucas Bretas, professor aposentado da Escola de M\u00fasica da UFMG. As artes visuais viraram novo projeto: ele tem explorado a pintura e a fotografia digitais, tirando partido de sua curiosidade pela teoria das cores. H\u00e1 dez anos, faz aulas de dan\u00e7a junto com Adriana. Ele mant\u00e9m contato com a irm\u00e3, primos e amigos nos Estados Unidos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Sabino Ferreira revela que Ron gosta de cozinhar, assim como a esposa. \u201cEle faz p\u00e3es fant\u00e1sticos, a cozinha de sua casa foi projetada com carinho especial\u201d, diz o amigo, para quem Dickman \u00e9 \u201cuma pessoa doce e positiva, que tem sempre algo a acrescentar\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Ron define a UFMG como \u201cum abrigo\u201d. \u201cAqui consegui pesquisar e ensinar boa parte dos meus assuntos de interesse. Encontrei pessoas dedicadas a muitos temas importantes, orientei alunos excelentes e fui muito bem recebido pelos colegas\u201d, diz o professor. Pouco afeito a fun\u00e7\u00f5es administrativas, Dickman chegou a coordenar a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o por dois anos e guarda uma hist\u00f3ria dessa \u00e9poca: em determinada gest\u00e3o da Universidade, foram anunciados planos de unificar as bibliotecas, e ele teve papel ativo num movimento de resist\u00eancia cuja estrat\u00e9gia principal foi procrastinar o quanto poss\u00edvel uma manifesta\u00e7\u00e3o \u00e0 administra\u00e7\u00e3o central. \u201cN\u00e3o pod\u00edamos perder a biblioteca da F\u00edsica\u201d, ele recorda, enf\u00e1tico. Ron continua contribuindo como volunt\u00e1rio e volta de vez em quando ao campus Pampulha.\u00a0<\/p>\n<p>AULAS E JOGOS FEITOS DE N\u00daMEROS<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Cubana Aniura Barrientos, do Departamento de Matem\u00e1tica, teve seu destino mudado com a queda do Muro de Berlim<\/p>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" width=\"572\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Aniura-Milanes-final-2-e1666719526618-572x1024.png\" alt=\"\" loading=\"lazy\" srcset=\"https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Aniura-Milanes-final-2-e1666719526618-572x1024.png 572w, https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Aniura-Milanes-final-2-e1666719526618-168x300.png 168w, https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Aniura-Milanes-final-2-e1666719526618-768x1375.png 768w, https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Aniura-Milanes-final-2-e1666719526618-858x1536.png 858w, https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Aniura-Milanes-final-2-e1666719526618-1144x2048.png 1144w, https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Aniura-Milanes-final-2-e1666719526618.png 1995w\" sizes=\"auto, (max-width: 572px) 100vw, 572px\" \/><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o de Gabriel Lisboa sobre foto de Foca Lisboa <\/figcaption><\/figure>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">No fim da d\u00e9cada de 1980, a cubana Aniura Milan\u00e9s Barrientos come\u00e7ou a fazer um curso intensivo de alem\u00e3o, porque estava programada sua sa\u00edda para a ex-Alemanha Oriental, onde faria gradua\u00e7\u00e3o em Matem\u00e1tica. Com a queda do Muro de Berlim e a iminente dissolu\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, cessaram os conv\u00eanios de Cuba com outros pa\u00edses socialistas para estudos universit\u00e1rios, e a jovem formou-se na Universidade de Havana, onde cursou tamb\u00e9m o mestrado. <\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Essa mudan\u00e7a de planos tem tudo a ver com o destino acad\u00eamico, profissional e pessoal de Aniura, que h\u00e1 13 anos \u00e9 professora do Departamento de Matem\u00e1tica do Instituto de Ci\u00eancias Exatas (ICEx) da UFMG. Ela veio para o Brasil, aprovada para o doutorado no Instituto de Matem\u00e1tica Pura e Aplicada (Impa), no Rio de Janeiro, onde defendeu sua tese em 2002, com o aval de mestres como Rafael I\u00f3rio e Felipe Linares. Veio, ent\u00e3o, a aprova\u00e7\u00e3o em concursos para a Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo e a UFMG, institui\u00e7\u00e3o na qual ingressou em 2004, pelo Departamento de Estat\u00edstica.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">O foco principal das aulas e da pesquisa de Aniura Barrientos s\u00e3o as equa\u00e7\u00f5es diferenciais, um tema cl\u00e1ssico da matem\u00e1tica. Em sua forma\u00e7\u00e3o, ela estudou equa\u00e7\u00f5es diferenciais ordin\u00e1rias (com uma s\u00f3 vari\u00e1vel, tipicamente o tempo) e equa\u00e7\u00f5es diferenciais parciais, que consideram tamb\u00e9m vari\u00e1veis espaciais. \u201cEssas equa\u00e7\u00f5es possibilitam, por exemplo, analisar a evolu\u00e7\u00e3o de uma doen\u00e7a em determinada popula\u00e7\u00e3o\u201d, ela explica. Aniura tamb\u00e9m tem trabalhado com aplica\u00e7\u00f5es dos processos estoc\u00e1sticos, aqueles que mudam ao longo do tempo e s\u00f3 podem ter seus valores determinados do ponto de vista da probabilidade.&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Escrever sobre Aniura imp\u00f5e mencionar com destaque a extens\u00e3o. H\u00e1 quase uma d\u00e9cada, ela coordena o Projeto Visitas, do Departamento de Matem\u00e1tica, que h\u00e1 25 anos desperta nos estudantes da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica o gosto pela disciplina, por meio de jogos matem\u00e1ticos e atividades l\u00fadicas. A iniciativa visa tamb\u00e9m \u00e0 forma\u00e7\u00e3o complementar de professores. \u201cNa UFMG, trabalho com coisas que me d\u00e3o muita satisfa\u00e7\u00e3o, e esse \u00e9 bem o caso do Visitas\u201d, declara a professora, que, um tanto t\u00edmida, demorou a se convencer de que tinha muita coisa a contar para este perfil.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">O envolvimento de Aniura com a extens\u00e3o universit\u00e1ria inclui ainda o projeto Quebra-Cabe\u00e7as de Matem\u00e1tica, abrigado no portal da Olimp\u00edada Brasileira de Matem\u00e1tica da Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica, a OBMEP. Ali s\u00e3o oferecidos jogos interativos para crian\u00e7as e materiais de apoio para professores. Nesse projeto, Aniura Barrientos tem a parceria da colega de departamento Carmen Vergara. \u201cRefor\u00e7amos nossos la\u00e7os na extens\u00e3o. Aniura \u00e9 multitarefas, uma professora exemplar, participativa em todos os sentidos\u201d, diz a docente colombiana, que coordena o Museu da Matem\u00e1tica, no ICEx, e dirige a \u00e1rea de Avalia\u00e7\u00e3o e Fomento na Pr\u00f3-reitoria de Extens\u00e3o da UFMG.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Solidariedade e respeito<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Filha de ex-servidores do Minist\u00e9rio do Interior de Cuba, agora aposentados, Aniura Barrientos nasceu na capital, Havana, e estudou, em regime de internato, numa escola como as de aplica\u00e7\u00e3o no Brasil. L\u00e1 se praticava o ensino cient\u00edfico, e a primeira op\u00e7\u00e3o da jovem foi a eletr\u00f4nica. Mas n\u00e3o durou: ela logo descobriria a enorme afinidade com a matem\u00e1tica.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Do n\u00facleo familiar, s\u00f3 a m\u00e3e de Aniura vive ainda em Cuba, para onde ela viaja com alguma frequ\u00eancia. Uma irm\u00e3 e uma sobrinha moram na Noruega, e os dois irm\u00e3os tamb\u00e9m vivem fora. A professora tem um filho, Camilo, de 17 anos, com o companheiro, Adrian Hinojosa Luna, professor do Departamento de Estat\u00edstica. O Equador, pa\u00eds natal de Adrian, \u00e9 outro destino frequente da fam\u00edlia.&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">No Brasil, Aniura afirma que encontrou um povo parecido com o cubano. \u201cFui muito bem recebida aqui. As pessoas com quem converso t\u00eam curiosidade sobre Cuba, muitas exercem a solidariedade com o pa\u00eds e respeitam sua op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Nunca tive problema s\u00e9rio com isso\u201d, ela diz. O viol\u00e3o \u00e9 um hobby que fica mais no campo do desejo \u2013 ela come\u00e7ou a praticar algumas vezes, mas nunca seguiu com a dedica\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria. Em casa, uma paix\u00e3o s\u00e3o tr\u00eas cachorros vira-latas adotados.&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Uma das fam\u00edlias mais pr\u00f3ximas \u00e0 de Aniura \u00e9 a de Carmen Vergara, que tem a amiga como \u201cuma pessoa simples, humana\u201d. A conviv\u00eancia intensa nas atividades de extens\u00e3o propiciou v\u00ednculos fortes entre elas. \u201cEm 2019, estivemos em Mo\u00e7ambique a trabalho, e ela mais uma vez se mostrou uma \u00f3tima companheira de viagem. \u00c9 uma mulher culta, que gosta de livros, teatro, museus\u201d, diz Carmen sobre Aniura. <\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\"><\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">\u00c0 VONTADE NO CAMPO E NO GABINETE<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">O trabalho extensionista desenvolvido no semi\u00e1rido mineiro ajuda o mo\u00e7ambicano Helder Augusto, do ICA, a manter vivas as suas origens<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" width=\"724\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/helder-724x1024.png\" alt=\"\" loading=\"lazy\" srcset=\"https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/helder-724x1024.png 724w, https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/helder-212x300.png 212w, https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/helder-768x1086.png 768w, https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/helder-1086x1536.png 1086w, https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/helder-1448x2048.png 1448w\" sizes=\"auto, (max-width: 724px) 100vw, 724px\" \/><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o de Gabriel Lisboa sobre foto de Ana Cl\u00e1udia Mendes <\/figcaption><\/figure>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Na juventude, Helder dos Anjos Augusto chegou a disputar campeonatos semiprofissionais de futebol pelo Clube Ferrovi\u00e1rio de Beira, em Mo\u00e7ambique. Se o zagueiro pelo lado direito tivesse seguido na carreira, provavelmente a UFMG n\u00e3o teria recebido, h\u00e1 15 anos, um professor e gestor hoje mais que reconhecido \u2014 depois de exercer o cargo de vice-diretor por oito anos, ele foi eleito dirigente m\u00e1ximo do Instituto de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias (ICA) da UFMG, em Montes Claros, para a gest\u00e3o que come\u00e7a em novembro pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Helder veio para o Brasil j\u00e1 com 29 anos de idade, em meados da d\u00e9cada de 1990, com apoio do Centro de Estudos Brasileiros em Mo\u00e7ambique (CEB). Cursou administra\u00e7\u00e3o rural, na Universidade Federal de Lavras, em Minas Gerais, onde fez tamb\u00e9m o mestrado, na mesma \u00e1rea. Fez doutorado em demografia pelo Cedeplar, centro vinculado \u00e0 Faculdade de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas da UFMG. Um dos objetivos era estudar migra\u00e7\u00f5es \u2013 ele queria entender o processo de mobilidade espacial dos refugiados de guerra no pa\u00eds natal.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Como j\u00e1 se deduz, n\u00e3o foi isso que ocorreu. Aprovado em primeiro lugar em concurso para o ICA, em 2007, Helder se estabeleceu no Norte de Minas. Dois anos depois, assumiu a coordena\u00e7\u00e3o do curso de administra\u00e7\u00e3o, com \u00eaxito refletido nas \u00f3timas avalia\u00e7\u00f5es do MEC e do Enade. Ele conduz disciplinas de diversos cursos, em temas relacionados ao ambiente rural \u2013 administra\u00e7\u00e3o, empreendimentos, desenvolvimento e extens\u00e3o \u2013 e ainda demografia e mercado de trabalho. E, juntamente com estudantes, docentes e t\u00e9cnicos do ICA, desenvolve projetos de extens\u00e3o em comunidades no campo e bairros urbanos, em que se oferecem assist\u00eancia t\u00e9cnica, capacita\u00e7\u00e3o, assessoria nos empreendimentos das mulheres e se promove a inclus\u00e3o digital de jovens.\u00a0<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Conviv\u00eancia com camponeses<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">A atua\u00e7\u00e3o na extens\u00e3o universit\u00e1ria tem rela\u00e7\u00e3o direta com a ess\u00eancia das origens de Helder Augusto. \u201cMinha m\u00e3e tinha um peda\u00e7o de terra, e eu ajudava na horta, na cria\u00e7\u00e3o de pequenos animais e na produ\u00e7\u00e3o de arroz, mandioca e batata doce\u201d, conta o professor. Os pais tinham baixa escolaridade, e ele frequentou escolas p\u00fablicas em Mo\u00e7ambique. \u201cTive tamb\u00e9m forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e me envolvi de alguma forma na guerra civil: pouco antes de sair do pa\u00eds, participei do processo de desarmamento conduzido pela ONU\u201d, relata.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Helder n\u00e3o cont\u00e9m o entusiasmo quando fala do trabalho em campo. \u201cA conviv\u00eancia com camponeses em Mo\u00e7ambique iluminou meu caminho acad\u00eamico e profissional. Na agricultura familiar do Norte de Minas e dos Vales do Jequitinhonha e do Mucuri, encontro semelhan\u00e7as com o que vivi na \u00c1frica, quando penso nas pessoas, no trabalho, nas dificuldades, na rela\u00e7\u00e3o dos agricultores com o solo\u201d, comenta. Lidar com os agricultores, Helder enfatiza, \u00e9 um grande aprendizado \u2013 n\u00e3o se trata apenas de irradiar tecnologias sociais; a experi\u00eancia se d\u00e1, segundo ele, nos dois sentidos. \u201cOs estudantes compartilham aspectos te\u00f3ricos e aprendem as pr\u00e1ticas. N\u00e3o h\u00e1 imposi\u00e7\u00e3o, mas reciprocidade e di\u00e1logo. Esse \u00e9 um dos carros-chefes da atua\u00e7\u00e3o do nosso Instituto, o movimento de trazer a comunidade rural aqui para dentro do ICA e tamb\u00e9m sair da porteira\u201d, diz o professor, que integra o corpo docente do Mestrado em Sociedade, Ambiente e Territ\u00f3rio, gerido em conjunto pela UFMG e pela Unimontes, institui\u00e7\u00e3o estadual que \u00e9 vizinha do ICA.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Nos \u00faltimos tempos, as preocupa\u00e7\u00f5es de Helder Augusto se ampliaram, com o investimento na gest\u00e3o institucional \u2013 e ele gostou, como evidencia a disposi\u00e7\u00e3o para assumir a Unidade pelos pr\u00f3ximos quatro anos. \u201cEnfrentamos redu\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria, como se sabe, e algumas lacunas estruturais. Estamos cientes das demandas dos professores por mais laborat\u00f3rios para ensino e pesquisa e da car\u00eancia de t\u00e9cnicos em todas as \u00e1reas\u201d, relata o futuro diretor, revelando que uma das metas principais \u00e9 avan\u00e7ar no ensino, adotando novas metodologias, com apoio da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o e outras inst\u00e2ncias da Universidade. \u201cA\u00e7\u00f5es efetivas para a qualifica\u00e7\u00e3o do ensino, na gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, s\u00e3o necess\u00e1rias\u201d, ele diz. \u201cO crescimento institucional nunca \u00e9 est\u00e1tico, mas muitos frutos j\u00e1 foram obtidos no ICA. Para entender o Instituto como um lugar, \u00e9 preciso n\u00e3o s\u00f3 considerar o movimento cotidiano dos membros da comunidade acad\u00eamica e do p\u00fablico externo, mas tamb\u00e9m enxergar o campus como espa\u00e7o de viv\u00eancia, de constru\u00e7\u00e3o coletiva, experimenta\u00e7\u00e3o e outras interconex\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Conterr\u00e2neos orgulhosos<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Helder Augusto se refere \u00e0 UFMG como um alicerce em sua vida e motivo de orgulho para a fam\u00edlia e os conterr\u00e2neos, que enaltecem a institui\u00e7\u00e3o de \u201crenome nacional e internacional\u201d. Leonardo David Tuffi Santos, atual diretor do Instituto de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias, conhece Helder h\u00e1 15 anos \u2013 eles ingressaram juntos na UFMG e dividiram uma sala \u2013 e\u00a0 exalta a for\u00e7a de trabalho do amigo e sua dedica\u00e7\u00e3o constante ao ICA e \u00e0 UFMG. \u201cSuas origens, sua experi\u00eancia de vida e seu cora\u00e7\u00e3o enorme moldam suas a\u00e7\u00f5es como pessoa, como docente e como gestor\u201d, elogia.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">Helder visitava Mo\u00e7ambique com alguma frequ\u00eancia \u2013 a \u00faltima viagem foi em 2015 por ocasi\u00e3o da morte de seu pai \u2013, mas o aumento dos custos e a pandemia travaram seu \u00edmpeto. Em Beira, cidade litor\u00e2nea, a segunda maior do pa\u00eds \u2013 de onde os visitantes trazem camar\u00e3o, lula e castanha de caju para amainar sua saudade \u2013, ele tem a m\u00e3e, sete irm\u00e3os, duas filhas e um filho. No Brasil, ele tem mais um filho homem, de rela\u00e7\u00e3o mais antiga.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">O professor n\u00e3o joga futebol h\u00e1 um bom tempo, sequer por divers\u00e3o. Mas h\u00e1 algo de que sente muita falta e que quer muito recuperar: a conviv\u00eancia familiar. De seus planos mais importantes faz parte o esfor\u00e7o para encurtar dist\u00e2ncias e trazer seus filhos para o Brasil.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.3800000000000001; text-align: left; margin-top: 0pt; margin-bottom: 10pt;\">\u00a0<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quatro breves perfis celebram a contribui\u00e7\u00e3o de professores estrangeiros na [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"parent":6411,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"class_list":["post-6600","page","type-page","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/6600","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6600"}],"version-history":[{"count":61,"href":"https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/6600\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6876,"href":"https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/6600\/revisions\/6876"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/6411"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufmg.br\/95anos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6600"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}