{"id":26,"date":"2016-03-10T13:38:52","date_gmt":"2016-03-10T13:38:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufmg.br\/brasildoc\/?page_id=26"},"modified":"2017-12-01T19:28:41","modified_gmt":"2017-12-01T21:28:41","slug":"2-orgaos-de-informacao-e-repressao-da-ditadura","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufmg.br\/brasildoc\/temas\/2-orgaos-de-informacao-e-repressao-da-ditadura\/","title":{"rendered":"2. \u00d3rg\u00e3os de Informa\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o da ditadura"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><em>Heloisa Starling<\/em><\/p>\n<p>Entre 1964 e 1970, a ditadura militar criou um sistema reticulado que abrigou o vasto dispositivo de coleta e an\u00e1lise de informa\u00e7\u00f5es e de execu\u00e7\u00e3o da repress\u00e3o no Brasil. O centro desse sistema era o Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es (SNI), um \u00f3rg\u00e3o de coleta de informa\u00e7\u00f5es e de intelig\u00eancia que funcionava de duas maneiras: como um organismo de formula\u00e7\u00e3o de diretrizes para elabora\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias no \u00e2mbito da presid\u00eancia da Rep\u00fablica e como o n\u00facleo principal de uma rede de informa\u00e7\u00f5es atuando dentro da sociedade e em todos os n\u00edveis da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. A estrutura do SNI fornecia ao sistema uma capilaridade sem precedentes ramificando-se atrav\u00e9s das ag\u00eancias regionais; das Divis\u00f5es de Seguran\u00e7a e Informa\u00e7\u00f5es (DSI), instaladas em cada minist\u00e9rio civil; das Assessorias de Seguran\u00e7a e Informa\u00e7\u00e3o (ASI), criadas em cada \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico e autarquia federal.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">At\u00e9 1967, a ditadura se utilizou da estrutura de repress\u00e3o j\u00e1 existente nos estados, mobilizando os Departamentos de Ordem Pol\u00edtica e Social, subordinados \u00e0s Secretarias de Seguran\u00e7a P\u00fablica e os policiais civis lotados nas Delegacias de Furtos e Roubos, famosos pelo uso da viol\u00eancia e a pr\u00e1tica da corrup\u00e7\u00e3o. A m\u00e1quina de repress\u00e3o come\u00e7ou a tomar nova forma em maio de 1967, com a cria\u00e7\u00e3o do Centro de Informa\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito (CIE). O CIE atuava simultaneamente na coleta de informa\u00e7\u00f5es e na repress\u00e3o direta e foi provavelmente a pe\u00e7a mais letal de todo o aparato da ditadura. T\u00e3o temidos quanto o CIE eram o Centro de Informa\u00e7\u00f5es da Marinha (CENIMAR), criado em 1957 e o Centro de Informa\u00e7\u00f5es de Seguran\u00e7a da Aeron\u00e1utica (CISA), montado em 1970. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A partir de 1969, o sistema de coleta e an\u00e1lise de informa\u00e7\u00f5es e de execu\u00e7\u00e3o da repress\u00e3o tornou-se maior e mais sofisticada com a cria\u00e7\u00e3o, em S\u00e3o Paulo, da \u201cOpera\u00e7\u00e3o Bandeirantes\u201d, (OBAN) um organismo misto formado por oficiais das tr\u00eas For\u00e7as e por policiais civis e militares, e programada para combinar a coleta de informa\u00e7\u00f5es com interrogat\u00f3rio e opera\u00e7\u00f5es de combate. A OBAN foi financiada por empres\u00e1rios paulistas que estabeleceram um sistema fixo de contribui\u00e7\u00f5es \u2013 cujo funcionamento \u00e9, at\u00e9 hoje, um dos mais bem guardados segredos da ditadura. Tamb\u00e9m serviu de modelo para a cria\u00e7\u00e3o, em 1970, dos Centros de Opera\u00e7\u00e3o e Defesa Interna (CODI) e os Destacamentos de Opera\u00e7\u00e3o Interna (DOI). Os CODI-DOI estavam sob o comando do ministro de Ex\u00e9rcito, Orlando Geisel, conduziram a maior parte das opera\u00e7\u00f5es de repress\u00e3o nas cidades e atuavam sempre em conjunto: os CODI como unidades de planejamento e coordena\u00e7\u00e3o; os DOI subordinados aos CODI se conduziam como seus bra\u00e7os operacionais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os documentos dispon\u00edveis s\u00e3o de natureza variada e graus diferenciados de sigilo: confidenciais, sigilosos, ultrassecretos. Trazem informa\u00e7\u00f5es sobre a organiza\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os integrantes do sistema de coleta e an\u00e1lise de informa\u00e7\u00f5es e de execu\u00e7\u00e3o da repress\u00e3o no Brasil; organiza\u00e7\u00e3o de arquivos sigilosos por \u00f3rg\u00e3os de intelig\u00eancia e repress\u00e3o das For\u00e7as Armadas; c\u00f3digos para cifragem e decifragem de comunica\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio em opera\u00e7\u00f5es militares; planejamento e avalia\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es; opera\u00e7\u00f5es de monitoramento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"> \u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Para saber mais:<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">FIGUEIREDO, Lucas. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Lugar nenhum; militares e civis na oculta\u00e7\u00e3o dos documentos da ditadura<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2015;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">FIGUEIREDO, Lucas. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Minist\u00e9rio do sil\u00eancio; a hist\u00f3ria do servi\u00e7o secreto brasileiro de Washington Lu\u00eds a Lula (1927-2005).<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Rio de Janeiro: Record, 2005; <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">FICO, Carlos. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Como eles agiam; os subterr\u00e2neos da ditadura militar; espionagem e pol\u00edcia pol\u00edtica<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Rio de Janeiro: Record, 2001; <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">QUADRAT, Samantha Viz. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Poder e informa\u00e7\u00e3o: o sistema de intelig\u00eancia e o regime militar no Brasil<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Rio de Janeiro: UFRJ\/PPGHIS, 2000;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">JOFFILY, Mariana. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">No centro da engrenagem; os interrogat\u00f3rios na Opera\u00e7\u00e3o Bandeirante e no DOI de S\u00e3o Paulo (1969-1975).<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> S\u00e3o Paulo: EDUSP, 2013;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">GODOY, Marcelo. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A casa da vov\u00f3; uma biografia do DOI-Codi (1969-1991), o centro de seq\u00fcestro, tortura e morte da ditadura militar<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. S\u00e3o Paulo: Alameda, 2014. \u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"\/brasildoc\/temas\/2-orgaos-de-informacao-e-repressao-da-ditadura\/2-1-cenimar\/\" class=\"enigma-button has-label medium orange has-border\" ><i class=\" \"><\/i>2.1. CENIMAR<\/a><br \/>\n<a href=\"\/brasildoc\/temas\/2-orgaos-de-informacao-e-repressao-da-ditadura\/2-2-cie\/\" class=\"enigma-button has-label medium orange has-border\" ><i class=\" \"><\/i>2.2. CIE<\/a><br \/>\n<a href=\"\/brasildoc\/temas\/2-orgaos-de-informacao-e-repressao-da-ditadura\/2-3-cisa\/\" class=\"enigma-button has-label medium orange has-border\" ><i class=\" \"><\/i>2.3. CISA<\/a><br \/>\n<a href=\"\/brasildoc\/temas\/2-orgaos-de-informacao-e-repressao-da-ditadura\/2-4-sni\/\" class=\"enigma-button has-label medium orange has-border\" ><i class=\" \"><\/i>2.4. SNI<\/a><br \/>\n<a href=\"\/brasildoc\/temas\/2-orgaos-de-informacao-e-repressao-da-ditadura\/2-5-codi-doi\/\" class=\"enigma-button has-label medium orange has-border\" ><i class=\" \"><\/i>2.5. CODI-Doi<\/a><br \/>\n<a href=\"\/brasildoc\/temas\/2-orgaos-de-informacao-e-repressao-da-ditadura\/2-6-dopsdeops\/\" class=\"enigma-button has-label medium orange has-border\" ><i class=\" \"><\/i>2.6. DOPS\/DEOPS<\/a><br \/>\n<a href=\"\/brasildoc\/temas\/2-orgaos-de-informacao-e-repressao-da-ditadura\/2-7-outros-orgaos\/\" class=\"enigma-button has-label medium orange has-border\" ><i class=\" \"><\/i>2.7. Outros \u00f3rg\u00e3os<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Heloisa Starling Entre 1964 e 1970, a ditadura militar criou um sistema reticulado que abrigou o vasto dispositivo de coleta e an\u00e1lise de informa\u00e7\u00f5es e de execu\u00e7\u00e3o da repress\u00e3o no Brasil. O centro desse sistema era o Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es (SNI), um \u00f3rg\u00e3o de coleta de informa\u00e7\u00f5es e de intelig\u00eancia que funcionava de duas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":710,"parent":24,"menu_order":1,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-26","page","type-page","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufmg.br\/brasildoc\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/26"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufmg.br\/brasildoc\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufmg.br\/brasildoc\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufmg.br\/brasildoc\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufmg.br\/brasildoc\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.ufmg.br\/brasildoc\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/26\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3080,"href":"https:\/\/www.ufmg.br\/brasildoc\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/26\/revisions\/3080"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufmg.br\/brasildoc\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/24"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufmg.br\/brasildoc\/wp-json\/wp\/v2\/media\/710"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufmg.br\/brasildoc\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}