{"id":33,"date":"2016-03-10T13:44:48","date_gmt":"2016-03-10T13:44:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufmg.br\/brasildoc\/?page_id=33"},"modified":"2017-12-01T19:30:45","modified_gmt":"2017-12-01T21:30:45","slug":"5-ditadura-militar-e-populacoes-indigenas","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufmg.br\/brasildoc\/temas\/5-ditadura-militar-e-populacoes-indigenas\/","title":{"rendered":"5. Ditadura militar e popula\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><em>Heloisa Starling<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ainda hoje sabemos muito pouco sobre os crimes cometidos pela ditadura contra as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas. O mais importante documento de den\u00fancia sobre esses crimes \u2013 o \u201cRelat\u00f3rio Figueiredo\u201d \u2013 foi produzido pelo pr\u00f3prio Estado brasileiro e ficou desaparecido durante 44 anos \u2013 durante todo esse per\u00edodo a informa\u00e7\u00e3o oficial era a de que o Relat\u00f3rio havia sido destru\u00eddo em um inc\u00eandio. A alega\u00e7\u00e3o n\u00e3o procede. O Relat\u00f3rio foi encontrado quase intacto, por pesquisadores independentes, em 2013, com 5 mil p\u00e1ginas e 29 tomos \u2013 das 7 mil p\u00e1ginas e 30 tomos que constavam da vers\u00e3o original. Para escrever seu relat\u00f3rio, encomendado pelo general Albuquerque Lima, ministro do Interior, com o objetivo de apurar pr\u00e1ticas de corrup\u00e7\u00e3o no Servi\u00e7o Nacional do \u00cdndio \u2013 o \u00f3rg\u00e3o indigenista oficial brasileiro que antecedeu \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (FUNAI) \u2013, o procurador geral Jader de Figueiredo Correia percorreu com sua equipe mais de 16 mil quil\u00f4metros, visitando 130 postos ind\u00edgenas em todo o pa\u00eds. \u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O resultado apresentado pelo procurador em seu Relat\u00f3rio \u00e9 estarrecedor: matan\u00e7as de tribos inteiras, torturas e toda sorte de crueldades foram cometidas contra ind\u00edgenas no pa\u00eds, principalmente pelos grandes propriet\u00e1rios de terras e por agentes do Estado. Figueiredo fez um trabalho de apura\u00e7\u00e3o impressionante: incluiu relatos de dezenas de testemunhas, apresentou documentos e identificou cada uma das viola\u00e7\u00f5es que encontrou \u2013 assassinatos de \u00edndios, prostitui\u00e7\u00e3o de \u00edndias, sev\u00edcias, trabalho escravo, apropria\u00e7\u00e3o e desvio de recursos do patrim\u00f4nio ind\u00edgena. Ele tamb\u00e9m apurou as den\u00fancias sobre a exist\u00eancia de ca\u00e7adas humanas de ind\u00edgenas feitas com metralhadoras e dinamite atiradas de avi\u00f5es, as inocula\u00e7\u00f5es propositais de var\u00edola em popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas isoladas e as doa\u00e7\u00f5es de a\u00e7\u00facar misturado a estricnina.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"> Os militares tinham um projeto de desenvolvimento em grande escala que articulava o programa econ\u00f4mico concebido no IPES e as diretrizes de seguran\u00e7a interna desenvolvida pela ESG e que pretendia realizar a integra\u00e7\u00e3o completa do territ\u00f3rio nacional. Isso inclu\u00eda um ambicioso programa de coloniza\u00e7\u00e3o que implicava no deslocamento de quase um milh\u00e3o de pessoas com o objetivo de ocupar estrategicamente a regi\u00e3o amaz\u00f4nica, n\u00e3o deixar despovoado nenhum espa\u00e7o do territ\u00f3rio nacional e tamponar a \u00e1rea de fronteiras. Para seu azar, as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas estavam posicionadas entre os militares e a realiza\u00e7\u00e3o do maior projeto estrat\u00e9gico de ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio brasileiro. Pagaram um pre\u00e7o alt\u00edssimo em dor e quase foram exterminados por isso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os documentos dispon\u00edveis s\u00e3o: Relat\u00f3rio Figueiredo; v\u00eddeos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Para saber mais<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">DAVIS, Shelton H. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">V\u00edtimas do Milagre; o desenvolvimento e os \u00edndios do Brasil<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. S\u00e3o Paulo: Zahar, 1978;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">MARTINS, Edilson. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Nossos \u00edndios, nossos mortos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Rio de Janeiro: CODECRI, 1978;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">HEMMING, John. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Die If You Must: Brazilian Indians in the Twentieth Century<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Londres: Macmillan, 2003. 03 volumes.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<a href=\"\/brasildoc\/temas\/5-ditadura-militar-e-populacoes-indigenas\/5-1-ministerio-do-interior-relatorio-figueiredo\/\" class=\"enigma-button has-label medium orange has-border\" ><i class=\" \"><\/i>5.1. MINIST\u00c9RIO DO INTERIOR (Relat\u00f3rio Figueiredo)<\/a>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Heloisa Starling Ainda hoje sabemos muito pouco sobre os crimes cometidos pela ditadura contra as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas. 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