Bicicleta como meio de transporte?!

por Thaiane Rezende

Alternativa não motorizada vem se destacando. Pelo mundo a fora, em discussão na Câmara Municipal de BH e na UFMG, está em pauta a mobilidade em duas rodas sem emissão de poluentes.

Vídeo da série “Vou de Bicicleta”


Vídeo da série “Vou de Bicicleta” produzida e exibida pelo Jornal da Band de 27 de fevereiro a 3 de março deste ano)

Mobilidade Urbana- bicicleta como meio de transporte

Em meio a engarrafamentos por excesso de carros e ônibus lotados, o trânsito das cidades tem sido repensado. Os meios de transporte não motorizados e os coletivos agora são apontados como prioritários na legislação federal brasileira sobre mobilidade urbana, conforme Lei nº 12.587/2012 em vigor desde abril. Minas Gerais tem lei estadual de estímulo ao uso de bicicleta desde 2007, Lei 16939 2007 . Vista como meio de transporte curinga no atual contexto das cidades, as magrelas, como são chamadas pelos ciclistas, não emitem poluentes, contribuem para a qualidade de vida de quem as utiliza, além de diminuir o número de carros no tráfego.

A dimensão lúdica da bicicleta já é bem conhecida pelos brasileiros, mas muitos ainda não se deram conta de que pedalar pode ser uma alternativa funcional para ir ao trabalho, à faculdade, entre outros. É possível transitar pelas metrópoles, usando a bicicleta para além dos momentos de lazer. Tulio Jorge, recém-formado em Biologia pela Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG), pedala cerca de 10 km da sua casa até o campus Pampulha, conta que, quando vai pedalando para a faculdade, gasta tempo equivalente ao utilizado para ir de ônibus. O que o motiva a ir pedalando? Tulio diz que “tomar um ventinho na cara é muito gostoso”. É o prazer que sente ao pedalar que o leva a questionar as pessoas que ficam paradas no trânsito, até mesmo quando estão indo se exercitar em academias de musculação. “Às vezes o pessoal fica parado em engarrafamento indo para academia para pedalar em uma bicicleta fixa [de academia], então não faz muito sentido.”

Há sete anos, Guilherme Lara Camargos Tampieri utiliza a bicicleta como meio de transporte. Ciclista de 23 anos, Guilherme usa o transporte coletivo de forma complementar a bike para transitar por Belo Horizonte. “Uso, também, ônibus em momentos onde ir de bicicleta torna-se mais negativo do que positivo”. O ciclista destaca a necessidade de maior integração das bicicletas com o transporte coletivo. Ter espaço para carregar bikes nos coletivos, no caso de ônibus em racks externos próprios para bicicletas, é fundamental para ampliar as opções de mobilidade nas grandes metrópoles.

Pedalar pelas grandes cidades é uma experiência que varia muito. Condições de infraestrutura como malha cicloviária, serviços de informação sobre rotas e trajetos e o comportamento dos motoristas de carros e ônibus são elementos que interferem diretamente na experiência dos ciclistas. Nos Estados Unidos, desde 2010, ciclistas de várias cidades contam com a orientação do Google Maps que oferece informações sobre rotas que podem ser feitas de bicicleta.  Com esse serviço é possível escolher trajetos que evitem vias de fluxo intenso e rápido que não tenham faixas demarcadas para ciclistas. Tulio, que conhece o serviço do Google Maps para bikes, sugere que algo similar contemple rotas de acesso ao campus da UFMG. “Tem alguns países que você tem no Google [Maps] uma opção [de rota] de bicicleta, você pode colocar se você não está querendo pegar muito morro, ou se você não está querendo pegar muito tráfego, ou se você quer passar por vias mais verdes. Então, você tem uma coisa na internet que te fala como ir de um ponto x a um ponto y por vias mais amigáveis para quem anda de bicicleta. Um serviço desses é muito legal. Seria interessante, por exemplo, rolar um estudo do pessoal da engenharia, ou coisa assim, sobre rotas alternativas de como se chegar à UFMG a partir de vários pontos (…).”

-Ver Mapa de ciclovias e bicicletários de Belo Horizonte produzido pelo www.mountainbikebh.com.br -

Transitar com segurança de magrela pelas ruas exige atenção como qualquer outro meio de transporte. “Você tem que saber algumas coisas, saber os pontos fracos, os pontos mais perigosos do trânsito, o tipo de conversão que você deve ficar ligado sempre, como se impor, como sinalizar. Porque se você sinaliza bem raramente as pessoas vão pra cima de você mesmo. (…) Se você faz a comunicação formal que o trânsito exige, você é mais respeitado”, lembra Tulio. Além dos próprios ciclistas os motoristas também precisam se atentar para as regras de trânsito que envolvem as bicicletas. Guardar distância de 1,5 m dos ciclistas, por exemplo, é uma regra prevista na legislação para os automóveis.

Belo Horizonte: Movimentos e políticas públicas

Pelas ruas de BH

A fala de Guilherme mostra um pouco do dia a dia de quem pedala no trânsito de Belo Horizonte. “A princípio, BH não é uma cidade que aconchega ciclistas novatos. Isso por duas razões, o trânsito caótico e violetíssimo e o relevo. Com relação ao primeiro, concordo, mas somente com o tempo de ‘rua’ você conseguirá perder esse medo e se deslocar sem problemas pelas ruas da capital. Com relação ao relevo, com pouca prática e o uso das marchas qualquer um é capaz de superar o relevo de BH. Isso sem falar na possibilidade de se descer da bicicleta e empurrá-la morro acima.” O ciclista avalia o trânsito na cidade e chama atenção para um problema que foi apontado por todos os entrevistados: a falta de respeito dos motoristas. “O trânsito de BH está cada dia pior. Não é chover no molhado falar disso. É uma realidade. O problema é que quanto mais carros nas ruas, mais trânsito e mais nervosas as pessoas ficam, o que é um problema para os mais vulneráveis das ruas. Segundo o Código de Trânsito Brasileiro, os ciclistas têm prioridade sobre todos os demais agentes do trânsito, com exceção do pedestre,mas considero que somos os mais vulneráveis que esses último, isso porque estamos, com nosso corpo, no meio das vias onde há toneladas de aço.Outro problema sério, e muito, é com relação aos motoristas de ônibus. Pelo estresse diário que eles passam, alguns têm problemas com ciclistas (e com os demais veículos) e acabam por cometerem imprudências, seja por esse nervosismo, causado pelo excesso de horas no caos, ou pela falta de instrução para compreender a bicicleta como detentora do direito de estar na via.”

Guilherme considera que os problemas de desrespeito no trânsito são resultado de ineficiências do poder público, atreladas à dificuldade dos cidadãos em compreender e respeitar as bicicletas no trânsito. “Falta de respeito do poder público ao cidadão em si, ao pedestre e excesso de zelo à carrocracia ou civilização do automóvel, como queira. Com o excesso de carros nas ruas, os cidadãos ficam coagidos à pegarem uma magrela e pedalarem pelas ruas.(…) Isso por conta da deseducação criada desde sempre com relação ao uso da bicicleta como veículo. O belo-horizontino não teve a cultura de compreender a bicicleta como veículo semelhante ao carro, à moto, ao ônibus. Sendo assim, ele não a enxerga como tal. Não acho que é de má fé que os motoristas não nos respeitam em inúmeros casos, mas por falta de educação para aprender sobre os direitos das bicicletas. As auto-escolas têm meia culpa nisso, por conta da ausência de uma (duas,três ou quantas forem) aula sobre a bicicleta no trânsito, mas vale ressaltar que as auto-escolas dão suas aulas tendo como base o que o Detran cobra em suas provas. O problema é sistêmico.Ir até as auto-escolas e mostrar aos professores que há necessidade de se ensinar algumas coisa lá é uma demanda urgente e paralela à conversa com os agentes públicos do Detran.”

No trânsito, o desrespeito aos ciclistas é um dos principais fatores de risco da atividade. Adriano Nogueira, mestrando em Estatística na UFMF, utiliza a bicicleta como meio de transporte há cerca de 10 anos e compartilha sua preocupação. “Eu acho muito arriscado principalmente no trânsito, motoristas de carro não respeitam o ciclista.” Já Tulio pondera, mas sem deixar de tocar nesse ponto crítico. “Não é tão perigoso assim quanto as pessoas pensam, e não seria tão perigoso assim se as pessoas incluíssem mais a possibilidade da bicicleta. Você vê que as pessoas costumam pensar que não está certo você andar na rua de bicicleta (…) elas acham que você está errado, mas isso está previsto no código de transito, mas não é cobrado nas provas de legislação, por exemplo.”

Movimentos, redes e coletivos

“Creio que a união entre os ciclistas em Belo Horizonte tem contribuído especialmente para o fenômeno de uma reforma sensível no ato de deslocar-se. Pois ao gerar o sentimento de comunidade entre os optantes por esse meio de deslocamento, acabam promovendo uma profunda alteração nas formas e velocidades de se perceber a cidade e o próprio processo de formação da paisagem e da cultura viva da cidade .” Leonardo Scheffer Bianchi, ressalta a importância dos coletivos de ciclistas e sua influência na cidade, ele é estudante de Belas Artes na UFMG e usa bicicleta como meio de transporte há cinco anos.Guilherme, assim como Leonardo, vivencia a dimensão coletiva do compartilhamento de experiências entre os ciclistas. Guilherme participa de alguns movimentos de ciclistas e conta um pouco sobre o Bike Anjo de Belo Horizonte e o Mountain Bike BH (MTB BH). “Falando do Bike Anjo, o movimento tem crescido, ainda que lentamente, em BH. Fizemos cerca de 20 atendimentos até hoje e temos mais uma demanda de cerca de 10. A cada semana temos um novo pedido (ou mais).” O Bike Anjo é um projeto nacional, que desde 2010, une ciclistas voluntários em várias partes do Brasil que compartilham conhecimentos que vão de como pedalar a noções de mecânica e legislação. Na série “Vou de Bicicleta” do Jornal da Band, com a qual foi iniciada essa matéria, é possível ver a atuação do Grupo Bike Anjo.

Bike Anjo na Série \”Vou de Bicicleta\”

O Moutain Bike BH é um grupo amplo que se volta para diferentes temas relacionados à bicicleta também formado por ciclistas.O programa Esporte Gerais da PUC TV realizou uma entrevista com representantes do MTB BH  e para acompanhar discussões online do Grupo basta se cadastrar no site.

Entrevista com membro do MTB BH

Segundo Gulherme, o “MTB BH é um dos maiores grupos (ou o maior) de ciclistas de BH, o qual reune ciclistas em diversas áreas que envolvem a bicicleta”. Existem ainda vários outros grupos e organizações como a Liga Mineira de Ciclismo, a Federação Mineira de Ciclismo, o Le Veló, a Massa Crítica, entre outros.

Esses grupos são responsáveis por encontros, pedaladas coletivas, fomento de discussões online, Leonardo conta como esses coletivos contribuem para o uso da e reflexão sobre a bicicleta. “Entendo que o uso da bicicleta tem sido disseminado de forma eficaz através desses grupos como Massa Critica , Pedal de Salto Alto e outros, pois além destes difundirem a própria prática do pedal, acabam por sua vez, por meio de grupos, fóruns e comunidades pela web dialetizando questões próprias ao transporte e deslocamento de pessoas , bens e serviços na cidade. Tornando portanto a discussão eminente e intrinsecamente política, na melhor acepção do termo, uma vez que consubstanciam vontades até então difusas em indivíduos não organizados a respeito de alternativas de políticas sensíveis e, obviamente, de transportes.”
Políticas públicas e o caso das Ciclovias

Outro ponto crucial para se pensar em bicicletas como uma das alternativas de mobilidade urbana são as ciclovias. Belo Horizonte, atualmente possui cenca de 35 a 40 Km de vias exclusivas para bicicletas, segundo relatório desenvolvido por Guilherme Lara Camargos Tampieri.  E a previsão é que até o fim de 2013 mais 110km de ciclovias tenham sido implementadas. Dentre os ciclistas entrevistados, todos foram unanimes ao apontar a necessidade de ciclovias, contudo parecem estar insatisfeitos com o que vem sendo feito até agora. “Creio que apesar de atualmente vermos muita propaganda a respeito das ditas ciclovias de BH , facilmente pode-se perceber que o modelo utilizado é ineficaz , visto que materialmente não atende os mínimos requisitos para um trânsito seguro, além de abrir competição clara com as vagas de estacionamento de carros e principalmente ao fluxo de pedestres, uma vez que a grande maioria das ditas ciclovias de BH não passam de faixas pintadas sobre as calçadas . Além dos trechos escolhidos para implementação serem ineficazes para o sentido de transporte , atendendo apenas ao lazer e prática de atividade física, uma vez que não contemplam os grandes corredores de ligação da cidade,” diz Leonardo. Guilherme também tece uma análise crítica acerca do modo como as ciclovias vem sendo implementadas em Belo Horizonte.  “As ciclovias estão abandonadas, não têm incentivo para serem usadas e foram pessimamente planejadas e executadas. Da forma como estão hoje, sem a ligação com as demais ciclovias do projeto Pedala BH [que podem ser vistas na imagem abaixo], elas não fazem muito sentido para os ciclistas. A Prefeitura de BH tem tratado, tem muitos planos, mas pouca coisa tem sido feita de fato e não atua na principal área que poderia mudar a cultura do uso do transporte individual motorizado, a educação.”


A situação das ciclovias em BH vem sendo debatida e amanhã (06/06) acontece uma audiência pública sobre o tema na Câmara Municipal. Segundo a assessoria de imprensa do vereador Fábio Caldeira (PSB), a audiência será  às 13h30, no Plenário Camil Caram da Câmara Municipal de BH e foram convidados para debater o tema o Sr. Murilo Campos Valadares, Secretário Municipal de Obras e Infraestrutura, o Sr. Fernando Antônio Costa Janotti, o Diretor Presidente da BH Trans, Ramon Victor Cesar, e o Secretário Municipal de Esportes, José Vieira Filho.

Convite de audiência pública sobre ciclovias em BH, amanhã (06/06)

E no entrono do campus da UFMG, alguma ciclovia prevista? Entramos em contato com a BHTrans e segundo Mauro Luiz Cardoso de Oliveira, Supervisor de Obras e Projetos Especiais, “a relação de rotas cicloviárias previstas para serem implantadas na nossa cidade até o final de 2012 , no que se refere à região da Pampulha; são: Av. Heráclito Mourão de Miranda; Av. João Paulo I; Av. Otacílio Negrão de Lima; Av. Prof. Clóvis Salgado; Av. Tancredo Neves; Av. Sicília; Av. Fleming”. Perguntado sobre a possibilidade de construção de ciclovia próxima aos campus Pampulha, Mauro Luiz diz que existe o projeto executivo de uma ciclovia nas Avenidas Abrão Caram e Alfredo Camarati, próxima ao Centro Esportivo Universitário, mas essa proposta ainda não entrou nas metas da BHTrans para 2012, e não tem data prevista de execução.

Mobilidade urbana na UFMG e entorno

O que está sendo feito pela UFMG?

A UFMG não possui um Plano Diretor de Mobilidade Urbana, como explica o pró-reitor adjunto de Planejamento, professor Maurício Campomori.   “O que existe é um Plano Diretor do campus, que regula o zoneamento do campus, ou seja, quais são as áreas passíveis de receber novas construções (…) e quais são os parâmetros urbanísticos dessas áreas que podem receber mais construções. (…) Tem menção sobre preservação das vias internas do campus. Mas não existe dentro do Plano Diretor um capítulo especial, ou uma seção especial, sobre a questão de mobilidade.” O Plano Diretor atual ficou em estudo durante 10 anos, de 1999 a 2009, e além de não ter uma parte específica sobre Mobilidade Urbana não foi pensado no contexto atual de transformações que passa a Universidade, por isso atualmente a UFMG vem desenvolvendo estudos paralelos e complementares.  “Com relação a isso [mobilidade urbana no campus] existem estudos que estão sendo desenvolvidos pela Universidade há alguns anos, quando se começou a perceber que a pressão de tráfego sobre o sistema do campus estava começando a ficar maior que nossa capacidade de absorver essa pressão,” conta o pró-reitor adjunto de Planejamento.

O pró-reitor de administração da UFMG, professor Márcio Batista, apresenta o que vem sendo feito.  “A gente está tomando uma série de medidas que de maneira articulada posteriormente poderão vir a constituir um plano (…). Nós estamos desenvolvendo estudos para uma revisão geral no nosso sistema viário”, que compreende: revisão de sinalização e alterações físicas nas vias em função do aumento de tráfego no campus.

E mais uma vez as ciclovias voltam à discussão, demandas na cidade de Belo Horizonte e dentro do campus Pampulha da UFMG. Em setembro do ano passado, o pró-reitor de administração anunciou a implementação de ciclovia no campus.  Passados oito meses, perguntámos sobre a situação da ciclovia. “Está em curso os estudos para a implementação da ciclovia, cuja ideia é que vá abranger o campus todo. Em um primeiro momento essa região mais central aqui, mas que tenha articulação com o campus. Foi feita uma concepção da configuração dessa ciclovia e agora nós estamos contratando estudos específicos de uma empresa terceirizada que vai fazer a ciclovia. Nós fechamos essa licitação na semana passada”, respondeu o pró-reitor de administração, Márcio Batista, em entrevista concedida na semana passada (29/05). Segundo Márcio Batista, outras alternativas para a mobilidade urbana no campus, que também vem sendo pensadas, são a maior frequência dos ônibus internos e até mesmo o uso de veículos híbridos. “Em paralelo a isso, a gente pretende aumentar a frequência dos ônibus internos e eventualmente temos o plano de estar utilizando veículos híbridos.”

O que diz a comunidade universitária?

Embora não existam dados para desenvolver uma análise temporal do número de bicicletas no campus, quem observa a situação, como Tulio, que frequenta a UFMG há mais de quatro anos, considera que houve notável aumento. “Eu acho que pelo menos aqui na Biologia onde eu acompanho mais,as pessoas têm andado mais de bicicleta. Quando eu entrei no curso, tinha uma ou outra bicicleta parada ali, hoje em dia tem dia que você chega lá e não tem onde parar.”Em 2010, foi realizada pelo Departamento de Geotecnia e Transportes da UFMG, uma pesquisa sobre aceitabilidade de bicicleta como meio de transporte na UFMG. Foram ouvidos 380 membros da comunidade universitária, de modo que os resultados dessa pesquisa de opinião possuem erro amostral de 5% e o nível de confiança de 95%. Os resultados completos estão disponíveis no artigo de autoria de Anna Carolina Corrêa Pereira, Antônio Artur de Souza e Douglas Rafael Moreira.. De acordo com o artigo, “verificou-se que 171 dos respondentes (45%) não utilizariam a bicicleta como meio de transporte, 95 responderam que talvez (25%) a utilizariam e 114 responderam que sim (30%). Esses resultados apontam que há uma aceitabilidade quanto ao uso da bicicleta como modo de transporte entre os 55% dos respondentes da amostra, o que é, portanto, um indicativo de que é plausível a criação de uma infraestrutura que atenda a essa potencial necessidade.”A seguir apresentamos alguns dados:

“Os meios de transporte utilizados pela amostra foram: carro próprio/carona (51%); ônibus (32%); a pé (11%); bicicleta (3%), moto (2%) e van (1%).”


“Dentre as opções já disponibilizadas para a resposta, “todas as opções acima” (referentes a bicicletário, relevo, segurança, vestiário e pista exclusiva) foi a que mais se destacou, com 35%. Isoladamente, os motivos para a não utilização da bicicleta contaram com as seguintes porcentagens: 2% para a falta de bicicletário seguro; 13% para a questão do relevo de Belo Horizonte; 8% para a falta de segurança (roubo/acidente); 3% para inexistência de vestiário e 14% para ausência de ciclovias.”

 

“52% dos respondentes apontaram que uma motivação seria a instalação de ciclovia, ou seja, de uma pista exclusiva para ciclistas e 23% responderam que nada os motivaria a usar a bicicleta para ir à universidade ou partir dela. Dentre as respostas “outros”, estavam (i) a menor distância entre a residência e a universidade; (ii) a existência de um trânsito mais seguro; e (iii) questões ambientais e de relevo.”

 

Problemas e Demandas

Conversando com alguns estudantes da UFMG, que vão pedalando para o campus Pampulha, foram-nos apresentados alguns problemas e demandas. Nesta seção destacamos estas falas derivadas da experiência cotidiana.

Alguns Problemas na UFMG

Falta de vigilância: “Já roubaram aqui no D.A. [da Biologia] a bicicleta de dois amigos meus, um 6h da tarde, outro 11h da manhã.” Tulio

Maioria dos banheiros sem chuveiros, mesmo os que possuem cabine de banho. “Existe a estrutura, mas não tem chuveiro e sim lacres.” Tulio

Problema de ciclistas e pedestres tendo que dividir a calçada. “As ruas são de paralelepípedo, as calçadas as vezes são muito movimentadas.”  Tulio

Dificuldade para estacionar a bicicleta, poucos bicicletários e/ou em locais ermos, longe dos vigias e do movimento de pessoas.  “ Não tem bicicletário.”Adriano

Principais demandas

Ciclovias: interna, no trajeto moradia universitária ao campus, no entorno

 Leonardo Scheffer Bianchi, vai para a UFMG pedalando por um trajeto de aproximadamente 7 Km e reclama da falta de ciclovias no trajeto, dizendo que as condições atuais são precárias. “Precárias , visto que inexiste ciclovia bem como acostamento ou faixa lateral nas vias bernardo vasconcelos , antonio carlos e sabastiao de brito. Além da presença alarmente de buracos e defeitos no asfalto , fato que impede a circulação segura pelo canto direito das pistas , levando rotineiramente a desvios perigosos e não rara interferência no trânsito dos automotores.”

“O cara que mora na moradia fica esperando o ônibus interno, mas às vezes ele não precisaria ficar esperando o interno se ele simplesmente tivesse uma ciclovia da moradia ao campus.” Túlio, inspirado nas ciclovias/ciclofaixas que foram feitas em Campinas, no trajeto da Unicamp à Moradia Universitária.

Perguntamos ao pró-reitor de administração, Márcio Batista, se a UFMG concebe a ideia de construir uma ciclovia ligando o campus Pampulha à Moradia Universitária.  “Não. A gente entende que a moradia é muito longe, afastada daqui, e envolve muitas vias urbanas, muitas vias do município que não são de responsabilidade da UFMG, então não pensamos nisso, mesmo porque asseguramos o transporte da moradia pra cá. (…) Evidentemente que a gente colaboraria com a Prefeitura, se a Prefeitura tivesse a intenção de fazer essa ciclovia.” Márcio Batista

“Essa questão do pessoal bolar rotas, é interessante porque você pensa: – Tem quantos mil estudantes aqui dentro? Cada um mora num lugar e alguns moram na mesma região. Então se você estipula umas rotas. – Ah existe essa rota aqui, se você quiser fazê-la do Santa Efigênia você vai por aqui, se for do Santa Amélia, vai por aqui. Acaba criando uma opção pra pessoa que não quer pegar uma via muito perigosa, você sinaliza os pontos perigosos daquela via.” Túlio

“Acho importante construir uma ciclovia, porque além de favorecer o ciclista, incentiva quem não está andando, a andar de bicicleta.” Adriano

Bicicletas comunitárias disponíveis dentro do campus

Viabilizar bicicletas disponíveis para uso interno no campus, como ocorre na Universidade de Brasília, é uma demanda forte. Na Unb, o sistema foi montado a partir de doações de bicicletas já usadas, aproveitaram peças diversas e montaram novas bicicletas que ficaram disponíveis no campus.

“Para a UFMG continuamos aguardando uma ação de nosso magnifico reitor afim de que se implante uma frota de bicicletas compartilhadas para uso interno no campus, caso que poderia influenciar decisivamente a forma que se frui a experiência da universidade de forma ampla, incentivando dessa forma as trocas entre as grandes áreas de conhecimento da UFMG ,” diz Leonardo.

“Se tivesse aqui várias bicicletas disponíveis, você poderia usar. Muita gente faz matérias eletivas, tem muitos cursos em que você precisa de fato deslocar para vários prédios. O pessoal da Educação Física, faz matéria na FAE, no ICB, lá na própria Educação Física, então é um deslocamento grande, as pessoas ficam dependendo do interno as vezes a toa e as vezes vir a pé também é chato. Se tivesse um caminho para bike na Federal inteira, pronto você sai com a bicicleta daqui e pára lá. Pronto, maravilha! Eu acho que resolveria muito, muita gente poderia usar.” Túlio

Melhorias de infra-estrutura de vestiários e bicicletários

É apontada necessidade de haver mais locais para guardar as bicicletas e que os locais sejam mais vigiados, possibilitando, por exemplo, deixá-las de um dia para o outro. A possibilidade de tomar banho e guardar alguns pertences em escaninhos presentes em cada faculdade, também é demanda pelos alunos.

“Agora eu acho que nessas novas obras eles estão se preocupando um pouco mais com isso. Ali na Engenharia tem um lugar de parar bicicleta que é um pouco maior, no ICEX parece que fizeram algo também. Porque no ICEX era um caos, havia bicicleta em todo lugar possível as vezes não muito adequado, pode atrapalhar a passagem, ou mesmo não ser seguro.” Tulio

“ O cara que nunca andou [de bicicleta] na vida,  vai se sentir assim ‘ – Noh. Vou ficar suado, preciso tomar um banho. Vou apresentar um trabalho hoje, não dá pra chegar lá suadão.’ ” Túlio

 

Pedalar, pedalar, pedalar

 

 

 

 

 

 

 

Quadro montado a partir das opiniões dos ciclistas entrevistados na matéria

 

 

 

 

 

 

One Comment

  1. geane disse:

    Ei Thaiane,
    sua matéria ficou muito boa, bastante completa e bem redigida. Sinto falta apenas de investimento em formato diferenciado de multimídia (conforme conversamos em sala, sua ideia era mesmo muito boa, infelizmente não foi possível implement-a-la, mas o mais importante é que você compreendeu o conceito).
    Geane

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