Mostra celebra o legado de Beatriz Coelho, primeira professora emérita da Escola de Belas Artes da UFMG
Por: Assessoria de Imprensa UFMG
O Centro Cultural UFMG convida para a abertura da exposição individual Brasilidade: memória viva da arte e cultura popular, da artista visual Beatriz Coelho, com curadoria de Cristiano Gurgel Bickel. A mostra apresenta um conjunto de aquarelas reunidas em três séries que exploram aspectos da religiosidade, da corporalidade e da festividade. A abertura será realizada nesta quarta-feira, dia 17 de junho, às 19h30. Na ocasião, haverá também o lançamento do livro Travessia: uma pernambucana em Minas Gerais, de autoria da artista, além de uma apresentação especial do grupo Capoeira Baobá. A exposição permanece em cartaz até 24 de julho de 2026, integrando a programação do 58º Festival de Inverno UFMG. A entrada é gratuita e a classificação é livre.
Brasilidade: memória viva da arte e cultura popular
A exposição Brasilidade: memória viva da arte e cultura popular, da artista visual Beatriz Coelho, apresenta ao público, na Grande Galeria do Centro Cultural UFMG, um conjunto de 45 pinturas em aquarela, no formato 23 x 31 cm, divididas em três séries temáticas que exploram a religiosidade, a corporalidade e a festividade.
Na série Ritos e Devoções, as práticas devocionais e ritualísticas religiosas ganham forma em manifestações de fé e reverência ao sagrado. O trabalho acompanha os festejos tradicionais de Minas Gerais, como os Autos de Natal, as procissões e as homenagens a São João e a Nossa Senhora do Rosário, além de celebrar o sincretismo baiano nas saudações a Iemanjá e ao Senhor do Bonfim.
A série Danças e Músicas retrata as danças típicas regionais do Brasil, nascidas da pluralidade cultural e das interações entre as influências indígenas, africanas, portuguesas e europeias. Essas manifestações são marcadas pelos movimentos corpóreos, pela riqueza dos trajes e adereços, e pelas sonoridades genuínas expressas em cantos e instrumentos próprios. A coleção destaca expressões de Minas Gerais, como a Capoeira, o Catopê, o Forró e a Guarda de Moçambique; do Maranhão, com o Bumba meu Boi; de Pernambuco, com a Ciranda, o Maracatu, o Frevo, os Bonecos Gigantes e as Pastorinhas; e de Alagoas, com os Guerreiros Alagoanos.
A série Celebrações e Festejos evidencia as festividades populares que marcam as identidades regionais brasileiras e expressam as histórias, tradições e formas de sociabilidade das comunidades locais. Essas celebrações culturais ocorrem em datas ou circunstâncias específicas, a exemplo de Minas Gerais, com as manifestações do Congado, da Festa do Divino, da Folia de Reis e da Marujada.
O agrupamento de ritos, devoções, danças, músicas e festejos populares coloca em evidência uma profusão de ritmos e cores que marcam a diversidade e remontam à ancestralidade do país. Nesse sentido, a exposição atua como revelação visual e afirmação identitária da brasilidade, contribuindo diretamente para a preservação do patrimônio imaterial e da memória artística e cultural brasileira.
A mostra presta uma homenagem à artista Beatriz Coelho, primeira professora emérita da Escola de Belas Artes (EBA) da UFMG, fundadora do Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis (Cecor) e diretora da EBA na década de 1970. Uma mulher empreendedora e inspiradora que, posicionando-se à frente de seu tempo, sempre defendeu a arte como exercício da criatividade e da liberdade, dedicando-se firmemente à preservação da memória cultural brasileira, tanto nos aspectos materiais quanto imateriais.
Sobre a artista
Beatriz Coelho é graduada em Artes Plásticas pela Escola Guignard (1969), com sólida trajetória dedicada à docência, gestão acadêmica e à preservação do patrimônio histórico. Teve papel pioneiro na Escola de Belas Artes (EBA/UFMG), onde idealizou e coordenou o curso de especialização em Conservação e Restauro de Bens Culturais Móveis (1978–1988), além de ter dirigido o Cecor por 15 anos (1980–1995) e a própria unidade acadêmica da Universidade. No campo institucional, idealizou e presidiu o Centro de Estudos da Imaginária Brasileira (Ceib) entre 1998 e 2018, retornando à presidência no mandato de 2020 a 2022. Sua formação internacional inclui estágios de especialização no Centro de Conservação e Restauro da Catalunha e na Cidade do México. Especialista em conservação de imaginária religiosa e esculturas policromadas, coordenou o restauro de alguns dos maiores tesouros do patrimônio mineiro, incluindo o forro da Igreja de São Francisco de Assis (Ouro Preto) e a tela A Santa Ceia (Santuário do Caraça), ambos de Mestre Ataíde; a caixa de madeira do órgão da Sé (Catedral de Mariana) e a Via Sacra de Candido Portinari, na Igreja de São Francisco de Assis (Igrejinha da Pampulha, BH). Aposentada da docência e da gestão desde 1995, dedica-se, atualmente, à produção de aquarelas, tendo realizado exposições individuais na Galeria Ataíde, Oficina de Arte e Ofícios (2018) e em formato virtual (2022).
Sobre o curador
Cristiano Gurgel Bickel é artista visual, arquiteto-urbanista, curador e professor associado do Departamento de Artes Plásticas da Escola de Belas Artes da UFMG. Doutor em Arquitetura e Urbanismo e mestre em Artes Visuais pela UFMG, atua nas áreas de escultura, tridimensionalidade, espacialidade nas práticas artísticas contemporâneas e curadoria de exposições. Foi diretor da Escola de Belas Artes da UFMG por dois mandatos consecutivos (2017–2025), período em que liderou importantes ações de desenvolvimento institucional, revitalização de espaços, modernização administrativa e fortalecimento da produção artística e cultural. Como artista, realizou exposições individuais e coletivas, projetos expográficos, cenográficos e obras escultóricas comissionadas, além de desenvolver curadorias institucionais e iniciativas de extensão voltadas à difusão da arte e da cultura. Recebeu premiações e reconhecimentos nacionais e internacionais nas áreas de artes visuais, arte digital e escultura.
Serviço:
Exposição individual Brasilidade: memória viva da arte e cultura popular
Abertura: 17 de junho de 2026 | 19h30
Visitação: até o dia 24 de julho
Terças a sextas: 9h às 20h
Sábados, domingos e feriados: 9h às 17h
Grande Galeria
Classificação indicativa: livre
Entrada gratuita
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Fonte
Assessoria do Centro Cultural UFMG
comunica@centrocultural.ufmg.br
Imagem de Divulgação