Centro Cultural recebe exposição de Beatriz Coelho, primeira professora emérita da Escola de Belas Artes
Nesta quarta-feira, 17 de junho, às 19h30, ocorre, na grande galeria do Centro Cultural UFMG, a abertura da exposição individual Brasilidade: memória viva da arte e cultura popular, da artista visual Beatriz Coelho. Beatriz foi a primeira professora emérita da Escola de Belas Artes (EBA), fundadora do Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais (Cecor) e diretora dessa unidade da UFMG na década de 1970.
A mostra apresenta um conjunto de 45 aquarelas no formato 23 x 31 cm. A curadoria da exposição é do arquiteto urbanista e artista visual Cristiano Gurgel Bickel, professor do Departamento de Artes Plásticas da EBA. Na abertura da exposição, haverá também o lançamento do livro Travessia: uma pernambucana em Minas Gerais, de autoria da artista, além de uma apresentação especial do grupo Capoeira Baobá.
A exposição fica em cartaz até 24 de julho. Ela pode ser visitada de terça a sexta, das 9h às 20h, e nos sábados, domingos e feriados, das 9h às 17h. A exposição integrará, também, a programação do 58º Festival de Inverno UFMG, que será divulgada em breve. A visitação à mostra é gratuita, e sua classificação é livre.
Brasilidade: memória viva da arte e cultura popular
As 45 obras da mostra estão organizadas em três séries, que exploram aspectos da religiosidade, da corporalidade e da festividade. Nelas, o agrupamento de ritos, devoções, danças, músicas e festejos populares coloca em evidência uma profusão de ritmos e cores que marcam a diversidade e remontam à ancestralidade do país. Nesse sentido, a exposição atua como revelação visual e afirmação identitária da brasilidade, contribuindo diretamente para a preservação do patrimônio imaterial e da memória artística e cultural brasileira.
Na série Ritos e Devoções, as práticas devocionais e ritualísticas religiosas ganham forma em manifestações de fé e reverência ao sagrado. O trabalho acompanha os festejos tradicionais de Minas Gerais, como os Autos de Natal, as procissões e as homenagens a São João e a Nossa Senhora do Rosário, além de celebrar o sincretismo baiano nas saudações a Iemanjá e ao Senhor do Bonfim.
A série Danças e Músicas retrata as danças típicas regionais do Brasil, nascidas da pluralidade cultural e das interações entre as influências indígenas, africanas, portuguesas e europeias. Essas manifestações são marcadas pelos movimentos corpóreos, pela riqueza dos trajes e adereços, e pelas sonoridades genuínas expressas em cantos e instrumentos próprios. A coleção destaca expressões de Minas Gerais, como a capoeira, o catopê, o forró e a guarda de Moçambique; do Maranhão, com o bumba meu boi; de Pernambuco, com a ciranda, o maracatu, o frevo, os bonecos gigantes e as pastorinhas; e de Alagoas, com os guerreiros alagoanos.
A série Celebrações e Festejos, por fim, evidencia as festividades populares que marcam as identidades regionais brasileiras e expressam as histórias, tradições e formas de sociabilidade das comunidades locais. Essas celebrações culturais ocorrem em datas ou circunstâncias específicas, a exemplo de Minas Gerais, com as manifestações do Congado, da Festa do Divino, da Folia de Reis e da Marujada.
A artista e o curador de sua exposição
Beatriz Coelho é graduada em Artes Plásticas pela Escola Guignard (1969), com sólida trajetória dedicada à docência, gestão acadêmica e à preservação do patrimônio histórico. Teve papel pioneiro na Escola de Belas Artes (EBA) da UFMG, onde idealizou e coordenou o curso de especialização em Conservação e Restauro de Bens Culturais Móveis (1978-1988), além de ter dirigido o Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais (Cecor) por 15 anos (1980-1995) e a própria unidade acadêmica da instituição.
Especialista em conservação de imaginária religiosa e esculturas policromadas, coordenou o restauro de alguns dos maiores tesouros do patrimônio mineiro, incluindo o forro da Igreja de São Francisco de Assis (Ouro Preto) e a tela A Santa Ceia (Santuário do Caraça), ambos de Mestre Ataíde; a caixa de madeira do órgão da Sé (Catedral de Mariana) e a Via Sacra de Candido Portinari, na Igreja de São Francisco de Assis (Igrejinha da Pampulha, BH). Aposentada da docência e da gestão desde 1995, dedica-se atualmente à produção de aquarelas, tendo realizado exposições individuais na Galeria Ataíde, Oficina de Arte e Ofícios (2018) e em formato virtual (2022).
O curador de sua exposição, Cristiano Gurgel Bickel, é mestre em Artes Visuais e doutor em Arquitetura e Urbanismo pela UFMG. Professor do Departamento de Artes Plásticas, ele foi diretor da Escola de Belas Artes por dois mandatos consecutivos, de 2017 a 2025. Em sua carreira, vem atuando sobretudo nas áreas de escultura, tridimensionalidade e espacialidade e na curadoria de exposições.
17 de junho a 24 de julho
Evento gratuito
Local: Escola de Belas Artes (EBA)
Endereço: Avenida presidente Antônio Carlos, 6627, Pampulha, Belo Horizonte