Exposição na Fale reúne cartas de Maria Gabriela Llansol e Manoel de Barros e produções artísticas inspiradas em seus fragmentos
Até 29 de maio, a exposição Cartas aos escritores do meu ramo e às pobres criaturas do chão, da escritora e artista visual Fernanda Leal, está aberta para visitação no Centro de Memória Ângela Vaz Leão, na Faculdade de Letras (FaE) da UFMG. A mostra propõe uma reflexão sobre a escrita como espaço de encontro que conecta leitores, escritores e gerações. Instalada na sala 2010, no segundo andar do prédio, a visitação ocorre de segunda a sexta-feira, das 15h às 19h.
Cartas aos escritores do meu ramo e às pobres criaturas do chão reúne correspondências literárias que revelam encontros afetivos, intelectuais e criativos entre grandes nomes da literatura, além de livros, registros e bordados inspirados nestes fragmentos. A curadoria é de Lúcia Castello Branco e Ângela Castelo Branco.
De correspondências a fontes de pesquisa
A exposição contempla a carta escrita pela escritora portuguesa Maria Gabriela Llansol e endereçada à psicanalista, escritora e professora da UFMG Lucia Castello Branco e seus alunos, em 4 de julho de 1998. A Carta ao legente, editada dois anos depois no Brasil, por uma editora artesanal de Belo Horizonte, é um manuscrito e datiloscrito produzido com o requinte de um bordado. É considerado o primeiro livro de Llansol publicado no Brasil. Ele selou uma conversa literária que vinha se desenvolvendo entre as duas escritoras desde 1992 e que se manteve até pouco antes da morte da Llansol, em 2008.
A primeira carta do poeta mato-grossense Manoel de Barros, também encaminhada à professora da Universidade, em 1984, também é apresentada na exposição. Ela foi enviada na época em que a obra de Manoel ainda era pouco conhecida.
Tanto a carta de Llansol quanto a de Manoel de Barros estão abrigados no Centro de Memória da Faculdade de Letras da UFMG. Eles são “como parte do espólio dessa escritora e professora de Literaturas de Línguas Vernáculas e de Estudos Literários, revelando o Lado B(rasil) desses escritores que entendem que é possível ‘alcançar o sotaque das origens’ (Barros) e que ‘a língua é a portuguesa, mas o pensamento está a alargarse’ (Llansol)”, diz-se na divulgação.
Além das correspondências, a mostra reúne livros, registros e bordados inspirados nos fragmentos dessas cartas, de modo a compor um percurso sensível entre palavra, memória e criação artística. Os documentos raros, junto com as produções por eles inspiradas, “evidenciam uma rede de trocas marcada pelo pensamento poético, pela amizade e pelo amor às Letras”.
10 de abril a 29 de maio , 15h às 19h
Evento gratuito
Local: Centro de Memória da Faculdade de Letras da UFMG
Endereço: Avenida Presidente Antônio Carlos, 6.627 – Pampulha, Belo Horizonte