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Evento Cultural

‘Processo Giramundo’, jornada e roda de choro marcam encerramento do 58º Festival de Inverno

Cena de ‘Cobra Norato’, do Giramundo: palestra de Marcos Malafaia aborda a história e a dimensão metodológica do grupo
Foto: Enzo Giaquinto

24 a 25 de jul

Evento presencial Ver informações

Evento gratuito

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O hall superior do Centro Cultural UFMG recebe, às 17h, a palestra Processo Giramundo, realizada por Marcos Malafaia, diretor da Cia. Giramundo. A atividade,  uma das atrações do último dia  do 58º Festival de Inverno UFMG, abordará duas linhas principais. A primeira, de natureza histórica, percorre a trajetória do grupo desde seus primórdios nos anos 1970, de modo a relacionar a obra de Álvaro Apocalypse com a cultura e as artes de Minas Gerais, com foco no desenho como elemento processual essencial. A palestra, então, avança por seu longo e frutífero período universitário até chegar ao século 21, quando o Giramundo funde, em cena, teatro de bonecos e cinema de animação.

Na segunda linha, a palestra interpreta o processo Giramundo em sua dimensão metodológica. Ou seja, vai abordar fundamentos essenciais como a definição do boneco, sua construção, o ofício do marionetista, a arte da animação, a montagem de espetáculos e a relação dos bonecos com a música, a dança e o cinema. A atividade, gratuita e aberta ao público, é dirigida a interessados em teatro de bonecos, artes plásticas, artes cênicas, animação, além de aprendizes de marionetistas e curiosos sobre os bonecos e suas múltiplas conexões interdisciplinares.

Choro mineiro
Às 18h30, no pátio do Conservatório UFMG, os músicos e professores Lucas Telles e Marcelo Chiaretti mediarão a mesa redonda Jornada do choro – homenagem aos chorões Hélio Pereira, Zé Carlos e Zito do Pandeiro. Em um espaço de memória e afeto, dedicado a celebrar a vida e o legado de três grandes pilares do choro mineiro, o encontro presta homenagem a essas três figuras seminais da cena instrumental brasileira. A classificação etária é livre.

Hélio Pereira é músico multi-instrumentista – trombonista, violonista, bandolinista e cavaquinista – de choro e samba. “Oriundo do berço do samba de Belo Horizonte, a Pedreira Prado Lopes, Hélio foi um dos fundadores do Clube do Choro de BH, tendo influenciado uma geração de instrumentistas que tiveram nele inspiração e referência para aderirem ao universo do choro e do samba”, destaca-se no texto de divulgação. Hélio Pereira fez parte de inúmeras gravações de LPs e CDs reconhecidos, especialmente com o grupo de Waldir Silva, e também foi o 2º trombone da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG), onde se apresentou algumas vezes.

Maranhense, Zé Carlos adotou Minas Gerais como lar e o choro como paixão. Nacionalmente conhecido como “Zé Chorão”, o cavaquinista tem como grandes influências Waldir Azevedo e Pixinguinha. Sóciofundador do Clube do Choro de BH, integrou por anos o Conjunto de Waldir Silva e participa da Orquestra de Choro da UFMG, com presença constante nos palcos do Conservatório UFMG e do Palácio das Artes. Agraciado com o diploma “Mestre do Choro” pelo Instituto Waldir Azevedo, “Zé Carlos é uma ponte viva entre as gerações da velha guarda e os jovens instrumentistas, transformando sua própria casa em um tradicional ponto de encontro e saraus na capital”.

Nascido em 1935, em Belo Horizonte, no tradicional bairro Sagrada Família, Zito Pandeiro, embora tenha despertado para o choro nos anos de 1950, frequentando os programas de rádio no Rio de Janeiro, consolidou sua história na capital mineira. Músico autodidata de ouvido absoluto e carisma singular, Zito integrou grupos como o Sacatrapo — com o qual se apresentou nos palcos do Palácio das Artes e ajudou a inaugurar o antológico Clube do Choro na Savassi, nos anos 1970. Ainda, tocou por anos ao lado de Waldir Silva e com o regional de Paulino Sete Cordas. Pandeiro faleceu no último dia 29 de junho.

Também no pátio do Conservatório, às 19h30, acontece a Roda de jornada do choro, com professores e alunos da oficina, além de convidados. Já estão confirmados na atividade Lucas Telles, Marcelo Chiaretti, Pablo Dias e Tulio Araujo.

Violonista, compositor, arranjador, produtor musical e professor da UFMG, Lucas Telles é vencedor de duas edições do Prêmio BDMG Instrumental e já se apresentou internacionalmente em países como EUA, França e Inglaterra. Com trabalho consolidado na música instrumental brasileira,  lançou Outono (2019) e o EP solo Trilhar (2021), para violão solo. O músico integra o grupo Toca de Tatu, com o qual gravou três álbuns, entre eles Meu amigo Radamés.

Marcelo Chiaretti é flautista, compositor, professor e pesquisador. Graduado e doutorado pela UFMG, possui mestrado pela Université Paris VIII e é professor e coordenador na Fundação de Educação Artística. Ele participa de projetos musicais em Belo Horizonte como instrumentista, arranjador e diretor musical, com três discos e um DVD lançados. O músico pesquisa práticas criativas e aprendizagem coletiva em oficinas e residências. Atualmente, é diretor artístico, regente e arranjador da Orquestra Jovem Inhotim.

Natural de Belo Horizonte e graduando em Composição pela UFMG, Pablo Dias é cavaquinista, compositor e professor da Universidade de Música Popular (Bituca). Consolidou-se na cena instrumental mineira ao vencer o Prêmio BDMG Instrumental e o Concurso Nabor Pires Camargo (São Paulo). Com formação pela Fundação de Educação Artística, ele já colaborou com grandes nomes da música brasileira, como Yamandu Costa e Nei Lopes. Em 2024, lançou seu primeiro álbum autoral, Amanhecer, e atualmente atua como instrumentista, arranjador e diretor musical em projetos de destaque dedicados ao choro e ao samba em Minas Gerais.

Mineiro radicado em BH, Tulio Araujo reinventa o pandeiro ao unir percussão e improvisação jazzística. Formou-se na Bituca e estudou com mestres como Ian Guest, Santiago Reyther e Marcos Suzano. Com seis álbuns, turnês pelo Brasil, EUA e Europa, o músico coleciona prêmios e destaque da crítica. Segue ativo em shows, ensino online e no curso O Ritmo da Melodia, com milhares de assinantes.

Outras atrações
Mais cedo, às 11h, também no Conservatório UFMG, será realizado o ciclo de palestras Criação musical contemporânea em parceria com Festival Plurisons. As quatro palestras apresentarão diferentes vertentes da criação musical contemporânea, com a presença de Sérgio Rodrigo, Gabriel Araújo, Michelle Agnes e Alex Buck.

Às 16h, acontece a sessão Finda noite no sertão do Planetário, do Espaço do Conhecimento, que busca desvendar estrelas, constelações e outros objetos astronômicos presentes no céu noturno descrito em um trecho de A estória de Lélio e Lina, em Corpo de baile, do escritor Guimarães Rosa.  Os ingressos gratuitos, sujeitos à capacidade máxima de 61 pessoas, devem ser retirados na recepção do Espaço do Conhecimento, a partir das 14h.

Às 18h, o Espaço do Conhecimento voltará a iluminar sua fachada digital com obras que dialogam com a temática do sertão e sua riqueza: O que tem no sertão? (Espaço em Rede), O Sertão é o mundo (Espaço em Rede), Por dentro do manto do vaqueiro (Espaço em Rede), O pedrêsAve Sertão!; e Vozes em veredas, do Ars Nova Coral da UFMG.

Encerrando as atividades do dia, o pátio interno do Centro Cultural UFMG abriga, às 20h, a apresentação Tô a fim de fazer bagunça, com Gil Amancio, Guda e Rui Moreira. Na performance, a música e a dança se fundem por meio do reencontro destes três artistas “de trajetórias fundamentais nas artes da nossa cidade”, explica-se no texto de divulgação. “Eles aceitam o convite do Festival de Inverno para habitar um território de fronteiras e memórias. O palco é a encruzilhada: Bahia com Santos Dumont, entre a Guaicurus e o Espírito Santo. É ali, nas entranhas de um casarão que pulsa história, que o trio convida o público a uma experiência de desconstrução e presença”, completa o texto.

Os ingressos estão esgotados.

No sábado
Uma derradeira atividade ainda está programada para sábado, dia 25, quando o Conservatório UFMG recebe mostra de resultados das oficinas em parceria com o Festival Plurisons. Com início às 11h, a ação concebe práticas e poéticas da improvisação em dança e improvisação livre em música contemporânea.

Data e Hora

24 a 25 de julho

Investimento

Evento gratuito

Evento presencial

Local: Centro Cultural UFMG e outros

Endereço: Avenida Santos Dumont, 174 – Centro, Belo Horizonte