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Saúde pública

Especialistas discutem estratégias para aumentar cobertura vacinal

Práticas exitosas e parceria que tem contribuído para a recuperação dos índices foram destacadas em congresso na UFMG

Por Luana Macieira

Mesa de abertura dos congressos: Plano Nacional de Imunização é construção coletiva
Foto: Jebs Lima | UFMG

Nos últimos dois dias, a UFMG sediou uma série de debates, apresentações e discussões a respeito da importância da imunização e da criação de estratégias para ampliar as taxas de vacinação nos municípios brasileiros. A Universidade recebeu o 3º Congresso Brasileiro Defesa da Vacinação e o 1º Congresso Internacional de Imunização: compromisso global com a ciência, saúde e vida, cujas últimas atividades serão realizadas na tarde desta quarta-feira, dia 24, no campus Pampulha.

Os eventos reúnem profissionais e gestores da saúde, integrantes do controle social, pesquisadores, docentes, estudantes e pessoas que defendem a vacinação como um direito e uma política pública essencial. Partindo do reconhecimento dos avanços históricos do Brasil na construção de um programa nacional de imunizações universal, gratuito e reconhecido internacionalmente, os congressos propuseram uma reflexão crítica sobre os desafios contemporâneos, como a queda das coberturas vacinais, a hesitação vacinal, a desinformação e as desigualdades territoriais no acesso. 

As palestras e mesas-redondas promoveram reflexões sobre as inovações globais em imunização, incluindo o uso da inteligência artificial. A presidente dos congressos, professora da Escola de Enfermagem da UFMG e líder do Observatório de Pesquisa e Estudos em Vacinação (Opesv), Fernanda Penido Matozinhos, afirmou que o encontro, além de subsidiar a formulação de políticas públicas na área da imunização, contribui diretamente para o fortalecimento do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e das estratégias estaduais e municipais de vacinação.

“Este evento sinaliza, mais uma vez, a parceria entre a universidade e os serviços de saúde para a melhoria das nossas coberturas vacinais. Precisamos fazer com que o conhecimento chegue de forma clara e acessível ao usuário para que ele utilize os serviços de saúde e contribua para a melhoria das taxas de vacinação. Temos aqui, portanto, uma união de forças e saberes dentro de um lugar tão seguro como a nossa Universidade.”

Gatti: Brasil é referência mundial em imunização
Foto: Jebs Lima | UFMG

Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, destacou a importância de o Brasil retomar seu protagonismo global na área da imunização. “Um evento como este permite que façamos trocas de experiências, e isso nos ajuda a qualificar a construção de políticas públicas. O PNI só se efetiva com a ajuda dos profissionais locais nos diversos territórios brasileiros”, disse.

Gatti lembrou que o PNI tem mais de 50 anos e é considerado um dos programas de imunização mais bem-sucedidos do mundo. Segundo ele, a iniciativa contribuiu para a erradicação ou a redução da incidência de doenças como poliomielite, sarampo, rubéola e tétano neonatal, além de auxiliar no controle de diversas doenças imunopreveníveis. “O brasileiro precisa acreditar no seu programa de imunização, que é o maior do mundo. O nosso Sistema Único de Saúde (SUS) oferece vacinas que são seguras e que protegem”, destacou.

A ampliação da cobertura vacinal enfrenta, segundo a professora Fernanda Matozinhos, a desinformação e as fake news. Ela lembra que, depois da pandemia da covid-19, muitas pessoas passaram a questionar a segurança e a eficácia das vacinas, o que diminuiu a cobertura vacinal no país.  “Estamos em um momento de muita desinformação e de fake news, e esse é um problema multifatorial. Para um problema que tem muitas causas, a gente precisa obviamente de múltiplas estratégias. Precisamos não só melhorar o acesso às vacinas, mas fazer com que a informação chegue a quem realmente precisa. Muitas vezes, as pessoas não se vacinam por desconhecimento dos riscos das doenças, por isso precisamos deixar claro que os benefícios superam qualquer eventual pequeno risco e que as vacinas são seguras.”

Fernanda Matozinhos: união de forças e saberes na universidade
Foto: Jebs Lima | UFMG

Desafios em Minas
Na mesa de abertura do evento, realizada nesta terça-feira, dia 23, os participantes falaram dos desafios de ampliar a cobertura vacinal no estado de Minas Gerais. Trata-se de um estado complexo devido à sua extensão – 853 municípios divididos em 16 macrorregiões com realidades epidemiológicas distintas. Eduardo Campos Prosdocimi, da Subsecretaria de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, contou que a queda da cobertura vacinal no estado teve início em 2015, atingindo sua pior marca durante a pandemia da covid-19. 

Para retomar os bons índices de vacinação, o governo do estado implementou uma série de ações, entre as quais, a realização de oficinas regionais com monitoramento sistemático, a capacitação de profissionais por meio de cursos de boas práticas, a formalização de parcerias com instituições de pesquisa, como a UFMG, o acompanhamento de indicadores para qualificar a tomada de decisão e a gestão, o investimento em campanhas de vacinação e a criação do Vacimóvel. A iniciativa consiste em uma unidade móvel de saúde, geralmente uma van adaptada, que funciona como sala volante de vacinação.

“O fortalecimento das coberturas vacinais em Minas Gerais é resultado da integração entre gestão, financiamento, ciência, comunicação e atuação local. Se temos hoje o desafio de aumentar a imunização, o desafio será sustentar uma política permanente de imunização”, disse Prosdocimi. Eder Gatti acrescentou que uma política permanente de imunização se faz por meio de construção coletiva. “O Ministério da Saúde, sozinho, não consegue elaborar e implementar as políticas públicas, então é fundamental que as secretarias estaduais e municipais de saúde estejam juntas nesse esforço. O SUS é uma construção coletiva.”

A pró-reitora de pós-graduação da UFMG, Isabela Almeida Pordeus, acrescentou que a atuação coletiva pode ter início na academia, onde o conhecimento é construído. Segundo ela, a universidade tem o compromisso de resguardar a saúde e o cuidado com a vida, contribuindo para a cidadania e para a justiça social. “Nossa atuação, como universidade pública, transcende o ato de vacinar. Aumentar a vacinação é um compromisso global, e a UFMG enfrenta esse desafio há muito tempo. Temos um compromisso com o SUS e com a vida, e isso só é possível por meio da união dos entes e da nossa produção de conhecimento”, concluiu.

Zé Gotinha, o famoso mascote das campanhas de vacinação brasileiras, também compareceu ao evento
Foto: Jebs Lima | UFMG

Premiação
3º Congresso Brasileiro Defesa da Vacinação também premiou municípios de Minas Gerais, por meio de suas secretarias de saúde, e escolas públicas ou privadas do estado, em dois editais dedicados à ampliação das coberturas vacinais. A iniciativa foi da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e do Observatório de Pesquisa e Estudos em Vacinação (Opesv), da Escola de Enfermagem da UFMG, com apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

O primeiro edital contemplou experiências exitosas voltadas à ampliação das coberturas vacinais em Minas Gerais. O segundo certificou municípios que implantaram ações de boas práticas em vacinação e reconheceu escolas por iniciativas desenvolvidas na área. Os premiados receberam troféus e medalhas em reconhecimento às ações realizadas.

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O evento também foi acompanhado pela TV UFMG. Assista à reportagem:

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