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Computação social

‘Café com IA’ debate como narrativas circulam e alcançam públicos específicos nas redes sociais

Jussara Almeida, do DCC, vai apresentar estudos sobre comunidades misóginas, conteúdos para crianças e estratégias de manipulação do mercado financeiro

Por Marcus Vinicius dos Santos | INCT Tildiar

Um dos temas a serem abordados no evento serão os estudos sobre mecanismos de proteção a crianças e adolescentes em transmissões ao vivo
Foto: Bruno Peres | Agência Brasil

Como as narrativas circulam e alcançam públicos específicos nas redes sociais? De que forma comunidades on-line se organizam em torno de determinados discursos? Essas e outras questões estarão no centro das discussões da próxima edição do Café com IA, série mensal, on-line e gratuita promovida pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Inteligência Artificial Responsável para Linguística Computacional, Tratamento e Disseminação de Informação (INCT Tildiar). A atividade será realizada no dia 26 de junho, às 14h, pela plataforma Microsoft Teams. Inscrições devem ser feitas no Even3. Os certificados serão emitidos aos participantes inscritos que tiverem presença confirmada no evento.

A convidada deste mês é a pesquisadora Jussara Almeida, professora do Departamento de Ciência da Computação (DCC) da UFMG e membro do Comitê Gestor do INCT TILDIAR. Com atuação reconhecida internacionalmente nas áreas de computação social e modelagem do comportamento de usuários, a pesquisadora vai abordar os resultados de estudos desenvolvidos em seu grupo que investigam a disseminação de narrativas em mídias sociais.

Três domínios, um fenômeno
Em sua participação, Jussara Almeida apresentará pesquisas realizadas em três contextos distintos: comunidades misóginas no Brasil, conteúdos direcionados a crianças e estratégias de manipulação do mercado financeiro no aplicativo de mensagens Telegram. Embora os temas sejam distintos, os estudos identificam padrões na forma como informações e narrativas se disseminam nas plataformas digitais: em torno de interesses, discursos e práticas compartilhadas.

A pesquisadora destaca a importância de compreender esses processos. Segundo ela, essa ação é fundamental para avaliar riscos associados à exposição de públicos vulneráveis, à circulação de conteúdos potencialmente prejudiciais e à formação de ambientes digitais cada vez mais segmentados.

O que os dados revelam sobre públicos vulneráveis
Um dos estudos conduzidos pelo grupo da professora investigou mecanismos de proteção a crianças e adolescentes em transmissões ao vivo. Para isso, os pesquisadores utilizaram agentes automatizados que simularam a navegação de usuários adolescentes para avaliar sua exposição a conteúdos inadequados para essa faixa etária.

Os resultados mostraram fragilidades nos mecanismos de moderação utilizados para proteger os jovens em ambientes digitais. Em alguns casos, transmissões classificadas como infantis continham jogos destinados ao público adulto, violência gráfica, linguagem imprópria e conteúdo patrocinado incompatível com a idade dos usuários.

A equipe também examinou as interações nos chats dessas transmissões. Cerca de 5% das mensagens continham conteúdo tóxico, incluindo insultos, manifestações racistas, homofóbicas e linguagem sexualizada. Mesmo em plataformas que adotam sistemas de classificação e moderação, conteúdos inadequados podem alcançar públicos vulneráveis, o que evidencia desafios importantes para a proteção desses usuários.

Café com IA
Série mensal on-line e gratuita, promovida pelo INCT TILDIAR, o Café com IA apresenta pesquisas e debates sobre inteligência artificial, ciência de dados, redes sociais e seus impactos na sociedade. Aberto a estudantes, pesquisadores e profissionais de diferentes áreas, o evento vem sendo realizado na última sexta-feira de cada mês, com o propósito de aproximar a comunidade acadêmica e o público interessado em resultados científicos de alto nível e em discussões sobre o desenvolvimento responsável de tecnologias baseadas em inteligência artificial.

A estreia do evento, em maio de 2026, teve como convidada a professora Aline Paes, da Universidade Federal Fluminense (UFF). Durante a apresentação, intitulada A fauna brasileira de LLMs e a importância dos benchmarks na era da IA generativa, ela tratou de estudos sobre validação e auditoria de modelos de linguagem de grande porte (LLMs) no contexto do português do Brasil.

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