Semana de Saúde Mental promove roda de conversa para discutir situação de refugiados
Evento ocorre às 9h desta terça-feira, 19, na Fafich
Por Ewerton Martins Ribeiro
Os cenários de guerra instalados em diferentes lugares do mundo – somados à já longeva radicalização dos conflitos socioeconômicos e às catástrofes ambientais cada vez mais frequentes – têm intensificado, neste século, em diferentes países e continentes, processos migratórios forçados. A consequência é o aumento do número de migrantes e refugiados em diferentes destinos democráticos do mundo, entre os quais, o Brasil. Nesta terça-feira, 19, às 9h, a Semana de Saúde Mental e Inclusão Social realiza uma roda de conversa para debater o tema.
“Essa atividade é um dos destaques da programação deste ano. A proposta é pensar as trajetórias vivas das pessoas que estão nessa situação e que, a partir dela, enfrentam diversas formas de desrespeito aos direitos humanos e de violações dos seus direitos”, explica a professora Luciana de Oliveira, diretora da Universidade dos Direitos Humanos (UDH). “Essa é uma temática que muito nos interessa, do ponto de vista das discussões de direitos humanos contemporâneas. Como pensar o cuidado em saúde mental em face da singularidade das vivências dessas pessoas?”
A atividade foi proposta e será conduzida pela psicóloga Vanessa Ruffatto Gregoviski, em parceria com a antropóloga italiana Ludovica Scarpa. As duas têm forte atuação na assistência a pessoas refugiadas e migrantes. O evento será realizado no auditório Bicalho, da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich), no campus Pampulha. Denominada Pensando o cuidado em saúde mental com pessoas migrantes e refugiadas, a roda de conversa é aberta a quem quiser participar.
O evento foi concebido a partir de vivências experimentadas no projeto Trajetórias Vivas: escuta e migração”, realizado no âmbito da ONG Associação dos Venezuelanos de Mato Grande, localizada em Canoas, no Rio Grande do Sul, onde Vanessa Ruffatto atua como psicóloga e supervisora de voluntários. “São vários os enfrentamentos que essas populações têm ao se ver diante da necessidade de viver num outro contexto, desde questões ligadas à língua, isto é, o preconceito e racismo linguístico, até as dificuldades amplas de se construir uma nova vida em outro país”, contextualiza a diretora da Universidade de Direitos Humanos.
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Políticas do cuidado
Segundo Luciana Oliveira, nos últimos anos, a UFMG tem tentado construir políticas que possam apoiar essas populações. “É o caso das vagas na graduação que são oferecidas para esse público por meio de edital específico e da acolhida humanitária, que tem inscrições anuais também por processo próprio e abrange refugiados, exilados políticos e portadores de visto de residência por razões humanitárias”, exemplifica a diretora.
“Outra iniciativa interessante que ocorre nesse sentido é cursinho o popular pró-imigrantes, que é ligado à rede de cursinhos populares, uma iniciativa autogestionada, mas que tem uma interface com a Universidade dos Direitos Humanos (UDH) da UFMG. Estamos tentando fortalecer essa rede e esse cursinho, pois sabemos da importância desse tipo de iniciativa para a inserção social dessas pessoas e para a criação de possibilidades reais para que elas possam chegar à universidade”, ela demarca.
Outros exemplos citados são as práticas de letramento acadêmico realizados na Universidade, os cursos de línguas oferecidos pelo Cenex da Faculdade de Letras (Fale) e o Projeto Conviver – Cátedra Sergio Vieira de Mello. Realizada como projeto de extensão por meio de parceria entre a UFMG e a Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), essa cátedra monitora e apoia alunos beneficiários de políticas de acolhimento. “Esses são alguns exemplos de como que essa temática nos toca, em sua importância, e o papel relevante que ela ocupa dentro de nossa Política de Saúde Mental”, finaliza a diretora.
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