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Bruna Benevides defende vagas trans nas universidades como medida de reparação histórica

Em conferência do ciclo UFMG Centenária, presidente da Antra abordou os desafios da empregabilidade, a transfobia institucional e a importância da defesa da autonomia universitária

Por Matheus Espíndola

Bruna Benevides: ações são essenciais para dar voz a uma comunidade que enfrenta sistemáticos processos de exclusão e apagamento institucional
Bruna Benevides: ações são essenciais para dar voz a uma comunidade que enfrenta sistemáticos processos de exclusão e apagamento institucional
Foto: Raphaella Dias | UFMG

Como parte da programação da Semana do Orgulho LGBTQIA+, realizada em Belo Horizonte desde o dia 23, o auditório da Reitoria sediou, nesta quinta (25), a conferência Universidade e democracia: acesso e permanência trans. Ministrada pela ativista Bruna Benevides, presidente da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), a atividade trouxe à baila a discussão sobre a implementação e a consolidação de políticas de ação afirmativa voltadas para a população trans e travesti no ensino superior, destacando o papel de instituições como a UFMG.

O pronunciamento de Bruna Benevides foi centrado na ideia de que as cotas trans não devem ser vistas meramente como política de inclusão, mas como medidas fundamentais de reparação histórica. “Essas ações são essenciais para dar voz a uma comunidade que enfrenta sistemáticos processos de exclusão e apagamento institucional, permitindo que a própria universidade se transforme a partir da pluralidade de corpos e identidades”, defendeu.

Ao contextualizar o panorama nacional, Bruna Benevides relembrou a trajetória de avanços iniciada em 2014, quando foi garantido o direito ao uso do nome social no Enem — marco que a ativista classificou como “verdadeira revolução”. Contudo, ela ressaltou que a transfobia estrutural e institucional ainda se faz muito presente, manifestando-se tanto na violência cotidiana quanto nas recentes tentativas de aprovação de leis antitrans nas casas legislativas do país. “A transfobia institucional e os ciclos de violência vão confluir ali, sobretudo a partir dos marcadores de diferença”, pontuou a presidente da Antra, destacando o impacto ainda maior sobre mulheres trans negras, periféricas e egressas do sistema prisional.

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Bruna Benevides no gramado da Reitoria diante da bandeira com as cores que representam o movimento LGBTQIA+
Foto: Raphaella Dias | UFMG

A exclusão escolar na educação básica foi apontada como um dos principais gargalos para o acesso ao ensino superior. Citando pesquisas recentes, Bruna Benevides alertou que cerca de 70% da comunidade trans não consegue concluir o ensino médio devido a perseguições, assédios religiosos e à falta de políticas públicas acolhedoras nas escolas. Esse cenário reflete diretamente no mercado de trabalho formal. De acordo com dados do Ipea destacados pela ativista, apenas uma em cada quatro pessoas trans — e uma em cada cinco mulheres trans — está empregada formalmente, o que escancara a urgência de políticas de permanência estudantil e de moradia universitária para garantir que esses alunos concluam a graduação.

Diante das contestações jurídicas e administrativas que as cotas trans frequentemente enfrentam, Benevides enfatizou a necessidade de defender rigorosamente a autonomia das universidades. Ela celebrou o fato de que, em 2026, mais de 40 universidades federais já adotam essas ações afirmativas na graduação e na pós-graduação, amparadas por pareceres favoráveis do MEC. Para ela, as bancas de validação não servem para “julgar se a pessoa é trans ou não”, mas sim para avaliar critérios objetivos de trajetória de vida e vulnerabilidade, assegurando a legitimidade do processo e combatendo fraudes.

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A conferência de Bruna Benevides também integra o ciclo UFMG Centenária: Universidade e Democracia, iniciado em setembro do ano passado, e que já trouxe à UFMG o filósofo Vladimir Safatle, o jornalista Leonardo Sakamoto, o divulgador da ciência Atila Iamarino e a médica pneumologista Margareth Dalcolmo.

O encerramento da Semana ocorre amanhã, dia 26, às 19h, no campo de futebol da Assufemg, no campus Pampulha, com show do artista Rafael Ventura.

Benevides, a vice-reitora Alamandra Kfouri e a professora Joana Ziller
Bruna Benevides, a vice-reitora Alamanda Kfoury e a professora Joana Ziller, que preside a Comissão Permanente de Diversidade de Gênero e Sexualidade da UFMG
Foto: Raphaella Dias | UFMG

Categoria: Institucional

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