Cabe às universidades instalar a terceira era do conhecimento científico na web, diz Atila Iamarino
Na abertura da Semana do Conhecimento, divulgador da ciência atraiu mais de 300 pessoas, em sua maioria jovens, ao auditório da Reitoria
Por Teresa Sanches
Cerca de 80% dos brasileiros têm acesso à internet por meio de aparelhos de telefonia celular. E é no ambiente digital, principalmente pelas redes sociais, que 35% desse público acessa notícias e conteúdo sobre ciências. Mas é nesse mesmo lugar, o preferido dos brasileiros para buscar informações, que “mora o perigo” da desinformação.
É o que mostrou o divulgador científico na internet Atila Iamarino na conferência de abertura da Semana do Conhecimento, realizada na manhã desta segunda-feira, dia 13, no auditório da Reitora. Iamarino, que é doutor em Microbiologia pela Universidade de São Paulo e mantém um canal no Youtube com mais de 6,9 milhões de inscritos, sustentou que caberá às universidades e à educação pública o desafio de instalar o que chama de “terceira era do conhecimento científico na web, ou a era da educação”.
Afinal, como justificou o pesquisador, com base em dados de estudo realizado em 2024, pelo Instituto Nacional de Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia (INCT-CPCT), entre mais de 2 mil jovens entrevistados de 15 a 24 anos, 41% consideram os professores, 39%, os médicos, e 33%, os cientistas das universidades e institutos de pesquisa, as fontes mais confiáveis quando o assunto é informação científica.
Com base ainda na pesquisa do INCT, que teve sua primeira edição divulgada em 2019 sobre O que os jovens brasileiros pensam sobre ciência e tecnologia, Atila Iamarino defendeu “mais investimento público para as ciências e novos parâmetros para a valorização da produção acadêmica e da carreira dos pesquisadores brasileiros”. Segundo ele, “o conhecimento científico na web está na era criação, após passar pela era da chegada e do filtro. Nessa fase, em que os data centers disponibilizam gratuitamente ferramentas como ChatGPT até para as escolas, e ainda pagam em dólar as produções de usuários geradas por IA, fica patente a intencionalidade dos proprietários desses big centers sobre a curadoria que fazem do conteúdo que circula na web”, afirmou o pesquisador.
Análise emocional
Para Iamarino, o papel das universidades públicas é recorrer às ciências, sobretudo às humanas, para buscar respostas ao debate em jogo, que diz respeito “ao controle da análise emocional dos usuários da web nessa dinâmica entre quem produz conteúdos falsos e como eles são disseminados na rede”.
O pesquisador citou, ainda, uma análise sobre o perfil dos jovens da pesquisa do INCT, realizada pelo professor Yurij Calstelfranch (criador do Amerek, curso da especialização em divulgação científica da UFMG), para explicar o desafio sobre essa compreensão.
“É muito interessante observar que, entre os entrevistados, embora 46% tenham respondido que é fácil checar se uma notícia sobre ciência é falsa, 52% afirmaram já ter compartilhado informação que tinham dúvida da veracidade, ou mesmo certeza que era falsa. Então, o que leva esses jovens a disseminarem notícias falsas intencionalmente? Precisamos refletir sobre o controle que é feito sobre essa geração, usuária de games e podcasts, com conteúdos cada vez mais recheados de guerra e armas, produzidos por uma supremacia branca e masculina”. Na opinião de Iamarino, isso explica muito do que “está por trás da cisão mundial entre meninos, cada vez mais conservadores, e meninas liberais”.
“E isso tudo também tem relação com a discussão sobre justiça climática, quando já se observa o aumento de cerca de 40% nas contas de água dos consumidores dos Estados Unidos, onde os data centers estão instalados. Eles consomem um enorme volume de água potável para seu resfriamento, gerando impacto especialmente sobre os mais vulneráveis, como ocorreu com Brumadinho e com a exploração do sal-gema [em Maceió] e tantos outros ”, exemplificou.
Aonde o povo está
Atila Iamarino contou que enveredou pela divulgação científica na web ainda em 2008 por compreender, tal qual o artista, que “precisava chegar aonde as pessoas estavam”. Ele fez um breve relato de sua trajetória, dos desafios encontrados e até das ameaças recebidas por defender a ciência e criticar o seu negacionismo, no auge da pandemia da covid-19, quando tornou-se um dos cientistas brasileiros mais conhecidos.
A reitora Sandra Goulart Almeida, que mediou a mesa de abertura, reforçou o convite para a programação da Semana, que inclui a apresentação de trabalhos de ensino, pesquisa e extensão para o público interno, na quarta-feira, e para a comunidade externa, no sábado, dia 18, com o UFMG nas ruas, na Praça da Liberdade.
Acompanhe a programação no site da Semana do Conhecimento e saiba como foi o UFMG nas ruas, em Montes Claros.
A TV UFM conversou com Atila Iamarino e com a reitora Sandra Goulart e apresentou um panorama das atividades da Semana do Conhecimento. Assista à reportagem.
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