UFMG é a instituição de ensino superior de maior impacto em sustentabilidade na América do Sul
THE Sustainability Impact Ratings aponta que federal mineira é a instituição que mais colabora na região para o alcance dos ODS da ONU
Por Ewerton Martins Ribeiro
A UFMG é a universidade de maior impacto em sustentabilidade do Brasil e da América do Sul. É o que atesta a edição 2026 do THE Sustainability Impact Ratings, classificação de impacto de sustentabilidade da Times Higher Education (THE), divulgada na noite desta terça-feira, dia 23, em congresso global realizado em Jacarta, na Indonésia.
O ranking mensura o desempenho de instituições de ensino superior em ações relativas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). Na avaliação, a UFMG aparece ainda como a segunda instituição de maior impacto em toda a região da América Latina e do Caribe. Todos os detalhes da classificação podem ser acessados no site do THE Sustainability Impact Ratings.
Avanço acelerado
A UFMG estreou no THE Sustainability Impact Ratings em 2024, ocasião em que se posicionou na faixa global 401-600, com a nota geral de 75,4 pontos. Essa nota é calculada tendo como referência um total de 100 pontos possíveis, que são atribuídos à instituição mais bem classificada. Naquele ano, essa posição já colocava a UFMG entre as 25% melhores instituições do mundo em sustentabilidade.
Na avaliação de 2025, a UFMG obteve um resultado ainda mais significativo, saltando para a faixa global 301-400 e alcançando a pontuação geral 77. Dessa forma, a Universidade se estabeleceu entre as 15% melhores do mundo no quesito.
Agora, com a publicação dos resultados da edição 2026 do ranking, a UFMG alcançou a pontuação 78,4 e a faixa 201-300 do ranking, em um total de 1.603 instituições de ensino superior de todo o mundo.
A UFMG tem atuação relacionada a todos os 17 ODSs da ONU. No plano global, suas ações – e, por conseguinte, suas notas – se destacam, sobretudo, em dois indicadores: Energia limpa e acessível (ODS 7), no qual figura na posição 74 entre todas as instituições avaliadas, e Indústria, inovação e infraestrutura (ODS 9), no qual está classificada na posição 86.
Em outros quatro ODSs, a UFMG figura na faixa de posição global 101-200, ainda acima de sua média geral. São eles: Água potável e saneamento (6), Ação contra a mudança global do clima (13), Trabalho decente e crescimento econômico (ODS 8) e Paz, justiça e instituições eficazes (16).
No contexto nacional, além dos dois indicadores em que aparece no top 100 global, a UFMG é a instituição brasileira mais bem posicionada também em outros seis dos 17 ODS: Erradicação da pobreza (ODS1), Água potável e saneamento (ODS 6), Trabalho decente e crescimento econômico (ODS 8), Consumo e produção responsáveis (ODS 12), Ação climática (ODS 13), Paz, Justiça e Instituições Eficazes (ODS 16). Um extrato do desempenho da UFMG nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU também está disponível na página do ranking.
Feito inédito
Para o reitor Alessandro Fernandes Moreira, ao medir o compromisso das universidades com a sustentabilidade e o impacto social, o ranking da THE vai ao encontro de “dimensões fundamentais à UFMG e a esta gestão. A notícia de que a nossa Universidade tem liderado a América do Sul nos esforços de implementar a Agenda 2030 da ONU traz renovado orgulho e muita confiança à comunidade universitária. Estamos seguindo um caminho virtuoso”, comentou o reitor.
Para o diretor do Escritório de Governança e Dados Institucionais, Dawisson Belém Lopes, o desempenho da UFMG nesta edição do ranking se realiza como um marco histórico. “Desde que as classificações globais de instituições de educação superior foram criadas, há mais de 20 anos, esta é a primeira ocasião em que a Universidade Federal de Minas Gerais ocupa o topo da tabela no continente sul-americano. Trata-se de um feito que só é possível graças à enorme quantidade e qualidade das iniciativas voltadas para a promoção de impacto social e sustentável em nossa instituição.”
Energia limpa e acessível: respostas a múltiplos desafios
Em relação ao ODS 7 da ONU, no qual a UFMG tem o melhor desempenho relativo (79ª colocação global) entre todos os ODSs, o THE Sustainability Impact Ratings faz as seguintes perguntas, quando vai mensurar o desempenho das instituições que avalia: essas instituições estão buscando modernizar seus edifícios, aumentando sua eficiência energética? Há nelas uma política para que suas reformas ou novas construções sigam padrões de eficiência energética? Essas instituições têm planos para reduzir o consumo de energia e o desperdício?
Mais: essas instituições contam com um processo estabelecido para a redução das emissões de dióxido de carbono? Elas oferecem apoio a startups que fomentam tecnologias de baixo carbono? Elas colaboram com governos na construção e na implementação de políticas de energia limpa e de tecnologias energeticamente mais eficientes? São vários os questionamentos e, para que a instituição seja bem avaliada, o máximo de respostas precisam ser afirmativas – e contar com robusta comprovação documental, é claro. Foi esse o caso da UFMG, que é capaz de responder sim a todas essas e às demais perguntas feitas pelo THE nesse campo.
De fato, a Universidade só recebeu uma nota tão alta no levantamento do THE Sustainability Impact Ratings porque as evidências de seu empenho na promoção de uma realidade mais sustentável são realmente abundantes. No caso da busca por uso de fontes renováveis, essas evidências abrangem dos encontros regulares mantidos por pesquisadores da Universidade com a comunidade externa para a difusão de temas ligados à sustentabilidade – entre os quais, a eficiência energética – ao Curso de Especialização em Fontes Renováveis oferecido regularmente pelo Departamento de Engenharia Elétrica da Escola de Engenharia desde 2018.
Essas evidências também vão do trabalho de monitoramento da qualidade de combustíveis realizado diuturnamente em laboratórios da UFMG à pecuária sustentável desenvolvida pela Escola de Veterinária nos 240 hectares da Fazenda Experimental Prof. Hélio Barbosa (FEPHB), em Igarapé – passando pelo desenvolvimento, por pesquisadores da Universidade, de uma membrana de matriz mista que permite separar, de forma inovadora, o gás carbônico do gás natural utilizado como fonte de energia no Brasil. São inúmeros os projetos realizados pela Universidade nesse campo da busca por energia renovável e por matrizes energéticas menos poluentes, mas, entre eles, a grande vitrine é mesmo o Projeto Oásis, referência regional e nacional, realizado no âmbito do Programa UFMG Sustentável.
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Oásis, a vitrine
Nos idos de 2016, interessada em avançar nessa área, a UFMG convocou especialistas de seu quadro de servidores e pesquisadores para apresentar propostas que fossem capazes, por um lado, de reduzir as despesas da instituição com energia elétrica e, por outro, de promover uma maior sustentabilidade no processo de geração e de consumo de energia em seu maior campus, o Pampulha. Esse foi o ponto de partida para que a Comissão Permanente de Gestão Energética Hídrica e Ambiental (CPGEHA) da Universidade idealizasse e propusesse o projeto Oásis, que foi colocado em atividade já em 2017.
Desenvolvido com participação do Laboratório Tesla Engenharia de Potência, do Departamento de Engenharia Elétrica, em parceria com o Departamento de Gestão Ambiental (DGA) da Pró-reitoria de Administração (PRA), o projeto consiste em uma minirrede de energia que atua em interlocução com o sistema de abastecimento via Cemig, com foco na cogeração. Assim, se em algum momento falta energia da Cemig, a geração da própria Universidade supre suas necessidades mais emergenciais. Essa minirrede é composta de unidades de geração distribuídas pelo campus, baseadas em tecnologia fotovoltaica e em microturbinas a gás natural, e por bancos de baterias, onde a energia excedente é armazenada.
Atualmente, a minirrede do Projeto Oásis é alimentada por usinas fotovoltaicas instaladas sobre os três Centros de Atividades Didáticas (CADs) do campus Pampulha. Em razão disso, esses prédios não só são autossuficientes em relação à energia que consomem como geram eventuais excedentes de energia, que são encaminhados para o armazenamento nessa minirrede e para o uso em outras unidades.
Além de nos CADs, há, no campus Pampulha, usinas fotovoltaicas em outros prédios, como o da Escola de Engenharia, e microturbinas de cogeração de energia – estas, instaladas no Centro de Treinamento Esportivo (CTE), em substituição à estrutura anterior de aquecimento, baseada em caldeira. Por meio desse sistema, a piscina olímpica da unidade – uma das mais avançadas da América Latina – é aquecida não pelo empenho direto de uma fonte energética, mas pelo calor resultante do processo de geração de energia elétrica que é feito nas microturbinas.
Em razão dessa sua minirrede, a UFMG se vale tanto da energia gerada em suas próprias estruturas quanto da energia fornecida pela Cemig – contudo, com o passar dos anos, a Universidade tem dependido cada vez menos dessa segunda fonte, dados os avanços obtidos no âmbito da primeira. Graças ao projeto Oásis, a UFMG é hoje considerada uma referência em tecnologia de minirrede e de eficiência energética. Trata-se, a rigor, de um projeto inédito no país, seja pelo caráter plenamente operacional da minirrede, seja pela potência elétrica envolvida. Paralelamente, todo esse complexo serve ainda à Universidade como plataforma de estudo e investigação científica, em seus cursos de graduação e pós-graduação.
Agenda 2030
Criada em 2015 e assinada por todos os 193 estados-membros que compõem a Organização das Nações Unidas (ONU), a Agenda 2030 é um plano de ação para o planeta, para as pessoas e para a prosperidade. Ela lista 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e estabelece uma série de metas a serem alcançadas até 2030. Algumas informações sobre o trabalho realizado com vistas a implementar essa grande agenda da sustentabilidade estão disponíveis no no site do Grupo de Trabalho da Sociedade Civil criado para este fim.
O principal objetivo da Agenda 2030 é a erradicação coletiva e colaborativa da pobreza em todas as suas formas e dimensões, incluindo a pobreza extrema, no entendimento de que ela é o maior obstáculo ao desenvolvimento sustentável do mundo – ao mesmo tempo que é o maior desafio global. “Ao embarcarmos nesta jornada coletiva, comprometemo-nos que ninguém seja deixado para trás”, afirma-se na declaração que estabelece a Agenda.
Os 17 ODS estabelecidos pela Agenda equilibram as três dimensões do desenvolvimento sustentável: a econômica, a social e a ambiental. Nesse sentido, eles são entendidos como integrados e indivisíveis. Entre suas metas, estão também o alcance da igualdade de gênero e do empoderamento das mulheres e meninas, assim como a concretização dos direitos humanos. Nesta página, o Governo Federal reúne uma série de outros links de fontes confiáveis sobre a Agenda 2030 e os ODS no Brasil.
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