UFMG estreia em ranking como uma das 250 instituições mais interdisciplinares do mundo
Levantamento da Times Higher Education traz a UFMG na nona colocação na América Latina e na terceira posição entre as federais brasileiras
Por Luana Macieira
A UFMG estreou no Times Higher Education Interdisciplinary Ranking, classificação que avalia as atividades e ações de interdisciplinaridade desenvolvidas pelas universidades. O ranking considera os recursos destinados a esse campo, as iniciativas implementadas pelas instituições, a quantidade e a qualidade das publicações interdisciplinares, o impacto das citações em múltiplas áreas e a reputação global das universidades. No levantamento recém-divulgado pela Times High Educaction (THE), a UFMG aparece na faixa 201–250 no mundo, ocupa o nono lugar na América Latina e figura na quinta posição entre as instituições brasileiras – a terceira entre as federais.
A metodologia utilizada pelo THE baseia-se em três variáveis. A primeira, process, considera a forma como as universidades organizam suas ações de interdisciplinaridade, incluindo metas, existência de centros dedicados ao campo, apoio administrativo e incentivos de carreira para o trabalho entre áreas. A segunda, inputs, mensura os recursos destinados à interdisciplinaridade, como financiamento específico para pesquisas interdisciplinares e captação de recursos junto à indústria. A terceira variável, outputs, refere-se aos resultados alcançados, avaliando a quantidade e a qualidade das publicações interdisciplinares, o impacto das citações em múltiplas áreas e a reputação global da instituição.
Embora rankings internacionais apresentem vieses que muitas vezes não se coadunam com a realidade das universidades brasileiras, a reitora Sandra Goulart Almeida avalia positivamente o surgimento de uma classificação voltada à interdisciplinaridade no ensino superior. “Não se produz mais conhecimento de ponta confinado em fronteiras estanques. O futuro da ciência é claramente interdisciplinar e transdisciplinar. O resultado dessa avaliação evidencia uma dimensão na qual a UFMG tem investido de forma significativa nos últimos anos para orientar os rumos de sua produção científica”, afirma a reitora.
Na avaliação da reitora, o novo levantamento da THE dialoga, em certa medida, com o recente ranking da QS destinado a ações de sustentabilidade, no qual a UFMG avançou 470 posições e alcançou o 316º lugar geral, destacando-se como a universidade que mais progrediu entre as duas mil avaliadas. “Um futuro sustentável está fortemente condicionado a uma ciência capaz de romper os limites disciplinares”, afirma.
“Essa é a segunda edição do ranking da THE destinado à interdisciplinaridade. A classificação reúne algumas das maiores e melhores instituições de educação superior do mundo. É uma alegria para a UFMG figurar entre as referências globais na produção de ciência interdisciplinar”, afirma o professor Dawisson Belém Lopes, diretor do Escritório de Governança de Dados Institucionais (EGDI) da Universidade.
Muito além da soma
“O ranking mede a capacidade de a universidade operar de maneira interdisciplinar, mas a UFMG está além disso, pois conduz suas atividades acadêmicas com foco no problema de pesquisa e na forma como esse problema atravessa diferentes disciplinas. A Universidade organiza seus processos de modo transversal e transdisciplinar em diversos domínios”, afirma o diretor do Escritório de Governança de Dados Institucionais.
Como observa Dawisson Belém, o ranking mensura a interdisciplinaridade das universidades, mas a UFMG já se destaca pela atuação transdisciplinar. Enquanto a interdisciplinaridade promove o diálogo entre disciplinas, integrando-as no ensino e na pesquisa, a transdisciplinaridade avança no sentido da unidade do conhecimento, articulando saberes distintos para aprofundar a compreensão da complexidade do mundo.
“Ser transdisciplinar é essencial para que a universidade esteja à altura dos desafios contemporâneos. Os grandes problemas do nosso tempo – mudanças climáticas, desigualdades sociais, crise da democracia, impactos das novas tecnologias e questões de saúde coletiva – não cabem dentro de uma única área do conhecimento. Eles exigem diálogo efetivo entre saberes distintos, articulação entre ciências naturais, humanas, tecnológicas, artes e a integração com saberes não acadêmicos”, explica a professora Patrícia Kauark, diretora do Instituto de Estudos Avançados Transdisciplinares (Ieat) da UFMG.
Patrícia Kauark acrescenta que uma universidade transdisciplinar forma não apenas especialistas, mas cidadãos capazes de compreender a complexidade do mundo, agir de modo responsável e produzir conhecimentos socialmente relevantes. “Trata-se de fortalecer o compromisso público da universidade com a sociedade. A transdisciplinaridade vai além da soma ou da simples interação entre disciplinas. Implica colocar em diálogo teorias, métodos e linguagens diferentes, mas também abrir a universidade para a escuta de outros saberes – sociais, culturais, artísticos, tradicionais – em busca de soluções mais integradas, criativas e socialmente situadas”.
Além de contar com um órgão dedicado à promoção da transdisciplinaridade – o Ieat –, a UFMG desenvolve diversas ações que fortalecem o diálogo entre áreas no ensino de graduação e pós-graduação, na pesquisa e na extensão. Entre essas iniciativas, destacam-se as formações transversais, no âmbito da graduação, e projetos estruturantes que articulam múltiplos campos do conhecimento, como o Programa UFMG de Formação Cidadã em Defesa da Democracia.
“Esses exemplos demonstram que a transdisciplinaridade já faz parte do cotidiano institucional da UFMG. No caso específico do Ieat, criamos condições para encontros intelectuais que dificilmente ocorreriam nos formatos tradicionais das unidades acadêmicas. Por meio de cátedras internacionais, seminários, conferências, residências de pesquisadores, grupos de estudos e projetos temáticos, estimulamos a formação de redes de pesquisa que atravessam áreas, promovendo diálogo entre ciência, filosofia, artes, saúde, tecnologia e saberes sociais. Assim, o Ieat contribui para consolidar uma cultura institucional mais aberta, plural e orientada por problemas complexos”, conclui Kauark.
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