Pesquisadores, estudantes e povos tradicionais celebram o cerrado no campus Montes Claros
UFMG participou pela primeira vez da organização das atividades que integram a semana nacional dedicada ao bioma
Por Ana Cláudia Mendes | Cedecom Montes Claros
A UFMG, por meio da Pró-reitoria de Pesquisa, realizou nesta sexta-feira, 12, no campus regional de Montes Claros, o evento Cerrado vivo: construindo o futuro de um bioma ameaçado. Mesas-redondas, visitas guiadas de estudantes da educação básica e uma mostra de plantas e produtos do cerrado foram algumas atividades da quinta edição da Semana Nacional do Cerrado (Senacer) A Semana foi realizada em mais de 80 instituições de todo o país. No Instituto de Ciências Agrárias (ICA), o evento reuniu pesquisadores, representantes de universidades e órgãos públicos – como Unimontes, Emater, Prefeitura, Codevasf –, estudantes universitários e da educação básica e membros de comunidades tradicionais. O tema da Semana é Povos, saberes e natureza do cerrado: resistência à crise climática.
Na abertura, após apresentação do coral ICAnto, a pró-reitora adjunta de Pesquisa, professora Jacqueline Takahashi, destacou o motivo da realização do evento no campus Montes Claros. “É uma semana muito importante porque homenageia o cerrado. A gente tem que reconhecer a importância desse bioma para a vida, como um todo. Fizemos questão de participar da organização. Esse seminário foi pensado com muito carinho e é uma grande alegria que ele se realize aqui no campus, porque o Instituto de Ciências Agrárias é fundamental para as pesquisas, para as atividades de extensão e de ensino, de formação de estudantes no contexto do bioma cerrado”, disse.
O diretor do campus Montes Claros, Hélder dos Anjos Augusto, abordou a relevância do evento para a integração entre os saberes. “Este é o momento de conhecimento, de integração entre os pesquisadores, os professores, os agricultores, os agroextrativistas que compõem todo esse território do cerrado. É uma forma de compatibilizar os conhecimentos científicos e os tradicionais. Nossos estudantes têm ótima oportunidade de viver esse processo formativo”, afirmou.
Augusto acrescentou que entender e preservar o cerrado é missão da UFMG, especificamente na unidade acadêmica de Montes Claros. “A missão da interiorização da UFMG tem esse sentido também. E deixo um alerta: o cerrado não é só o bioma, mas as consequências desse bioma. É fundamental que ele seja usado de forma consciente.”
Recuperar e preservar
A reitora da UFMG, Sandra Goulart Almeida, participou do evento de forma remota. Ela ressaltou a estreia da UFMG na organização da Semana. “É uma grande satisfação estarmos realizando essas atividades. Esse bioma é o segundo maior em extensão do nosso país e já teve metade de seu espaço destruído, de uma certa forma. Nós precisamos não apenas recuperar, mas também preservá-lo”, afirmou.
Ao preservar o cerrado, continuou a reitora, “estamos preservando mais que esse ecossistema riquíssimo. Preservamos a nossa própria saúde, a saúde dos animais, as plantas também, todo o ecossistema, garantindo o conceito de saúde global, saúde única, que é tão importante”. Sandra disse esperar que o evento se repita todos os anos e que “a UFMG possa contribuir para um país não apenas mais democrático, mas também mais sustentável, com seu meio ambiente preservado”.
Além do diretor Hélder dos Anjos Augusto e da pró-reitora adjunta de Pesquisa, Jacqueline Takashahi, compuseram a mesa de abertura o pró-reitor de Extensão da UFMG, Glaucinei Corrêa, o vice-diretor do campus Montes Claros, Alcinei Azevedo, e a pró-reitora de Pesquisa da Unimontes, Maria das Dores Veloso.
Programação diversificada
Nas mesas-redondas, foram abordados a história social, cultural e produtiva do cerrado, o uso sustentável da biodiversidade do bioma, uma pesquisa da UFMG que relaciona águas, alimentos e populações e ainda conservação, restauração e compromissos para o futuro.
No gramado central, foi realizada uma mostra com produtos à base de frutos do cerrado e plantas que compõem o bioma. Os visitantes puderam conhecer melhor algumas espécies, saborear sucos e picolés e até fazer arte.
Estudantes de escolas da educação básica fizeram visitas pelo campus: conheceram laboratórios, viveiros de mudas e também o Sítio Saluzinho, onde participaram de oficinas sobre tintas da terra, plantas medicinais, coco macaúba e brincadeiras tradicionais. Estudantes de graduação e membros de comunidades tradicionais apresentaram os temas aos visitantes.
A professora Rejane Pereira, da Escola Estadual Deputado Esteves Rodrigues, comemorou a oportunidade de os alunos experimentarem na prática o que aprendem em sala de aula. “Aqui eles ampliam seu conhecimento, interagem com o ambiente universitário e com os povos tradicionais, o que é muito importante para o enriquecimento do aprendizado”, afirmou.
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