Restauração da Mata Atlântica avança, mas evidências de eficácia ainda são desiguais em áreas estratégicas
Pesquisadores do Centro de Sensoriamento Remoto da UFMG fizeram ampla revisão de estudos científicos e de iniciativas de recuperação do bioma
Por Assessoria de Comunicação do CSR
Em um contexto marcado pelas mudanças climáticas, pela degradação do solo e pela fragmentação dos habitats, a restauração de ecossistemas tornou-se tema central da agenda ambiental global. No Brasil, o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) estabeleceu a meta de restaurar ao menos 12 milhões de hectares de florestas até 2030.
Nesse cenário, a restauração em larga escala desponta como estratégia capaz de gerar benefícios significativos para a biodiversidade, para o clima e para produtores, proprietários rurais e comunidades da Mata Atlântica. Apesar desse potencial, faltam evidências consistentes e monitoramento de longo prazo para comprovar esses resultados.
Com o objetivo de compreender os benefícios ambientais, sociais e econômicos associados às ações de recuperação da vegetação nativa, bem como as condições de governança e financiamento que as sustentam, o artigo Restoration Contexts and Trends in the Brazilian Atlantic Forest: Evidence from Science and Practice revisou estudos científicos e iniciativas de restauração desenvolvidas na Mata Atlântica.
Publicado na revista científica Environmental Management, o estudo conclui que as evidências mais robustas e mensuráveis estão relacionadas à recuperação da biodiversidade e ao aumento dos estoques de carbono. Em contrapartida, os efeitos sobre os recursos hídricos, o solo e os impactos socioeconômicos permanecem menos documentados e carecem de monitoramento de longo prazo.
Com base na revisão, os autores encontraram evidências de que as áreas em restauração apresentam avanços importantes, mas ainda não alcançam os níveis observados em florestas maduras. Os resultados indicam que a recuperação da Mata Atlântica depende de fatores como as condições locais, o histórico de uso da terra e as estratégias adotadas em cada área.
Preservação traz mais que benefícios ambientais
No âmbito social, a análise aponta benefícios relacionados à geração de renda, à criação de empregos, à capacitação e à participação em atividades de restauração. No entanto, os autores observam que esses resultados são reportados de forma heterogênea, com poucos indicadores padronizados, o que dificulta comparações entre diferentes projetos e regiões.
De acordo com a literatura e a documentação analisadas, apoio técnico, incentivos financeiros, participação local e coordenação entre diferentes instituições são condições fundamentais para a viabilidade e a manutenção das ações de restauração. Por outro lado, custos elevados, limitações de financiamento e dificuldades de coordenação permanecem como obstáculos recorrentes.
O estudo recomenda que futuros projetos estabeleçam linhas de base claras, adotem monitoramento de longo prazo com indicadores bem definidos e comparáveis e articulem obrigações legais a suporte técnico e financeiro efetivo, especialmente para pequenos proprietários. As conclusões contribuem para o aprimoramento de políticas públicas, mecanismos de financiamento e estratégias voltadas ao cumprimento das metas de restauração e ao enfrentamento das mudanças climáticas.
A pesquisa foi conduzida por Sofia Corradi Oliveira, Britaldo Silveira Soares-Filho, Getúlio Fonseca Domingues e Ubirajara Oliveira, vinculados ao Programa de Pós-graduação em Análise e Modelagem de Sistemas Ambientais e ao Centro de Sensoriamento Remoto (CSR) da UFMG.
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