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Negócios

Afroempreendedorismo cresce no Brasil e se firma como alternativa de inclusão para a população negra

Reportagem da TV UFMG mostra como o chamado 'Black Money' fortalece a ancestralidade e gera atividades econômicas mais conectadas com o senso de coletividade

Por Ariane Gervásio

Com Flávia Moraes

Os empreendimentos criados ou liderados por pessoas negras cresceram 22% na última década e já movimentam cerca de R$ 2 trilhões por ano no Brasil, segundo levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Os primeiros negócios surgiram ainda no período colonial com as pessoas negras que foram escravizadas comercializando produtos e serviços, alguns de forma autônoma e outros sob controle dos seus senhores. Os chamados “ganhadores”, que conseguissem um valor superior à diária exigida pelo senhorio, podiam guardar a diferença e até mesmo juntar dinheiro para a própria alforria. No período pós-abolição, o empreendedorismo passou a se configurar como resposta social à exclusão econômica e social.

Yone Maria Gonzaga, doutora em Educação pela UFMG, avalia que, apesar da expansão, o afroempreendedorismo enfrenta desafios como o racismo estrutural e as dificuldades de acesso a incentivos financeiros. “É comum que, ainda hoje, postos de trabalho mais bem remunerados e cargos de liderança não tenham tanta presença negra. Nesse cenário, o empreendedorismo se torna uma alternativa não só de sobrevivência, mas, sobretudo, um espaço para o exercício da criatividade, da identidade e do conhecimento”, diz.

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O senso de comunidade é central em iniciativas como a Dibonde, uma rede de empreendedores negros que reúne, no centro de Belo Horizonte, diversas iniciativas relacionadas à moda, acessórios, arte, decoração, saúde e bem-estar. Segundo José Correia Domingos (Juca), idealizador do espaço, a proposta é fortalecer o grupo para expandir os negócios. “Eu sou do Quilombo Cândido Mariano, no extremo sul da Bahia, onde a ideia de união sempre esteve presente. A partir da minha militância e do meu percurso, vejo muito progresso. Acho que a colaboração e o aquilombamento tendem a se fortalecer cada vez mais”, afirma.

Produção: Ariane Gervásio, Flávia Moraes, Fabrício Policarpo
Reportagem e produção de conteúdo: Ariane Gervásio
Imagens: João Paulo Neves e Samuel do Vale
Edição de imagens: Marcelo Duarte
Videografismo: Maria Gusmão 
Motorista: Pedro Campos

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