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Andrés Zarankin, da Fafich, lança livro sobre escavações no antigo prédio do Dops mineiro

Itens encontrados nos trabalhos de campo desenvolvidos com Caroline Murta e Denise Neves serão expostos na sexta-feira, dia 11

Por Redação

Fragmentos de ossos estão entre os itens encontrados nas escavações no antigo Dops/MG
Fotos: Reprodução de livro

O professor Andrés Zarankin, do Departamento de Antropologia e Arqueologia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich), uniu-se a duas jovens pesquisadoras do passado ditatorial brasileiro – orientadas por ele em suas pesquisas de mestrado e doutorado – para produzir o livro Memórias aprisionadas: arqueologia da repressão e da resistência no DOPS/MG. Na obra, o trio apresenta os resultados da primeira pesquisa arqueológica com escavação realizada no Brasil em um centro de detenção utilizado para o confinamento de presos políticos durante o regime militar.

Realizada em 2020 nas antigas instalações do Departamento de Ordem Política e Social de Minas Gerais (Dops/MG), a pesquisa e as escavações de Zarankin, Caroline Murta Lemos e Denise Neves Batista Costa recuperaram 287 fragmentos de materiais, entre tijolos, ossos, vidro, metal, papel, plástico e outros vestígios. Publicada pela Pedro & João Editores, a obra tem distribuição digital e impressa gratuitas, na intenção de fazer circular esse novo conhecimento sobre o que ocorreu em um dos tantos “porões” da ditadura civil-militar brasileira.

A obra terá um lançamento físico nesta sexta-feira, 11 de setembro, às 18h30, no auditório do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), em Belo Horizonte. No evento, o público poderá conhecer alguns dos itens encontrados durante a pesquisa arqueológica. Haverá também projeções de fotografias que registram o trabalho realizado pelos pesquisadores no antigo Dops/MG, que ficava no edifício situado na avenida Afonso Pena, nº 2.351, tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG) em 2016.

Livro ‘Memórias aprisionadas’, de Andrés Zarankin, Caroline Murta Lemos e Denise Neves Batista Costa
Imagem: Reprodução de capa

A proposta do evento “é aproximar o público dos vestígios e das imagens de um espaço marcado pela repressão política, fazendo do lançamento uma experiência de encontro entre livro, arqueologia, memória e história”, afirma-se no release de divulgação do lançamento. Com efeito, o livro é dedicado “à memória de todas as pessoas que foram vítimas do terrorismo de Estado do Brasil”, como se pode conferir em suas primeiras páginas. No lançamento, haverá a distribuição gratuita de exemplares da obra. O Tribunal de Contas de Minas Gerais fica na avenida Raja Gabaglia, 1.315, no bairro Luxemburgo.

Para que não se repita
“Esta obra vem a público em um momento emblemático da história do prédio do antigo Departamento de Ordem Política e Social de Minas Gerais (Dops/MG). O contexto é a ocupação do referido edifício por movimentos sociais, no dia 1º de abril de 2025, quando o Memorial dos Direitos Humanos foi aberto como espaço público museológico para a sociedade civil. O gesto de ocupar o espaço, que abrigou também o Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), tornou possível o acesso público ao trabalho arqueológico apresentado neste livro”, afirma, no prólogo, a Comissão Independente do Memorial Ocupado.

“Ao longo de 7 meses, visitaram o prédio mais de 5 mil pessoas”, registra-se nesse prólogo. “A cada fragmento descrito, cada planta reconstituída, cada estrutura interpretada, o autor e as autoras revelam a materialidade de um sistema que perseguiu, torturou e tentou apagar corpos e ideias e reforçam a necessidade da manutenção do Memorial dos Direitos Humanos aberto. Ao escrever esta obra, os autores reafirmam que a ciência é também lugar de luta, e que o conhecimento pode ser instrumento de reparação e justiça”, afirma-se.

Para a comissão, o livro que ora vem a público “não se limita a revelar registros do passado, mas atua sobre o presente, contribuindo para o aprendizado coletivo de que só há democracia quando o país é capaz de olhar, sem desvio, para as memórias traumáticas do seu passado”, registra-se.

O presidente do TCEMG, Durval Ângelo Andrade, afirma, no prefácio, que Memórias aprisionadas “é um livro que devolve voz às paredes, às celas, aos objetos e, sobretudo, às pessoas que ali tiveram sua dignidade violentada. Ao fazê-lo, oferece uma contribuição inestimável para que a memória permaneça viva e para que a democracia brasileira continue sendo construída sobre a verdade, e nunca sobre o silêncio”.

Livro: Memórias aprisionadas: arqueologia da repressão e da resistência no DOPS/MG
Autores: Andrés Zarankin, Caroline Murta Lemos e Denise Neves Batista Costa
Editora: Pedro & João Editores
Distribuição gratuita / 180 páginas

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