CT Terapias da UFMG estuda eficácia de vacina para idosos desenvolvida pelo Instituto Butantan
Pesquisadores estão recrutando voluntários, que receberão dose gratuita do imunizante e serão acompanhados durante seis meses
Por Enzo Beber
•Com informações do Instituto Butantan
O Centro de Terapias Avançadas e Inovadoras (CT Terapias) da UFMG está recrutando pessoas com 60 anos ou mais para participar, gratuitamente, de pesquisa sobre a eficácia de uma vacina contra a influenza desenvolvida especificamente para essa faixa etária. No estudo, os voluntários receberão uma dose do imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan ou da vacina já disponível no mercado e serão acompanhados de forma remota, com plantão disponível 24 horas. Os procedimentos presenciais serão realizados na sede do CT Terapias, no bairro Jardim Montanhês, na região Noroeste de Belo Horizonte.
O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza, anualmente, a vacina contra a influenza – também desenvolvida e produzida pelo Butantan – para a população em geral. A resposta imunológica tende a ser menos eficiente em pessoas de idade mais avançada, justamente as mais suscetíveis às complicações da doença, que podem levar ao surgimento de outras comorbidades e até ao óbito. Na rede privada, no entanto, já é comercializado um imunizante importado destinado a idosos com eficácia comprovada.
“A expectativa é avaliar a eficácia dessa vacina [do Butantan] para que se possa inseri-la no Sistema Único de Saúde para a melhoria da cobertura de imunização da população idosa. Hoje, é a população que tem menos cobertura. Os idosos são vacinados, mas, ainda sim, a sua imunização é mais limitada”, destaca a enfermeira Josiane Lino dos Santos Frattari, coordenadora de projetos da unidade responsável pela pesquisa do CT. “A expectativa, com essa vacina, é ampliar a proteção desse grupo etário”, completa.
Devido ao alto custo para incorporar o imunizante já existente no mercado à rede pública de saúde, o Instituto Butantan está desenvolvendo uma vacina com maior carga antigênica, com o objetivo de gerar uma resposta imunológica mais robusta. O imunizante contém esqualeno em sua composição, um adjuvante seguro que potencializa seu efeito. O CT Terapias, em parceria com o Butantan, está conduzindo o estudo clínico da vacina, cuja eficácia será comparada à do imunizante atualmente disponível na rede privada.
Segundo o coordenador da pesquisa, o professor Mauro Martins Teixeira, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG, o estudo integra um projeto mais amplo que busca testar vacinas que poderão ser incorporadas ao SUS no futuro. “O idoso é quem mais sofre com a influenza; neles as vacinas funcionam menos e acabam sofrendo mais as consequências da forma mais agressiva da doença. A vacina atual funciona, mas ainda há espaço para melhorar”, avalia Mauro Teixeira.
A vantagem desse estudo é que todos os participantes receberão uma vacina otimizada – seja a já comercializada, seja a desenvolvida pelo Instituto Butantan e atualmente em teste pelo CT Terapias. Não haverá administração de placebo.
Quem está apto
Os voluntários elegíveis para o estudo devem ter 60 anos ou mais e não apresentar condições de imunodepressão. A infecção por HIV/aids ou doenças autoimunes, como o lúpus, que podem comprometer a resposta do sistema imunológico, constituem possíveis critérios de exclusão. Por outro lado, pessoas com doenças crônicas frequentes nessa faixa etária, como diabetes ou hipertensão, poderão participar do estudo, desde que as condições estejam devidamente controladas. Em todos os casos, a inclusão dos participantes será previamente avaliada pela equipe médica responsável pela pesquisa.
O estudo encontra-se na fase 3, etapa destinada à verificação da eficácia da vacina. O projeto prevê a participação de 6,9 mil pessoas em todo o país, com a colaboração de 17 centros de pesquisa localizados nos estados de São Paulo, Bahia, Sergipe, Pernambuco, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte. O CT Terapias espera contribuir com 500 participantes. Caso os resultados sejam positivos, eles serão submetidos à avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
No ensaio clínico, serão aplicados dois imunizantes diferentes: um já comercializado na rede privada – uma vacina de alta dose – e outro em desenvolvimento pelo Instituto Butantan, que não é de alta dose. O objetivo é verificar o potencial da vacina contra a influenza adjuvada de provocar uma resposta imunológica comparável à da vacina de alta dose em idosos. Cada participante receberá apenas um dos imunizantes, em dose única, e será acompanhado ao longo de seis meses, por meio de avaliações remotas e presenciais.
Procedimentos e acompanhamento
Inicialmente, o candidato será avaliado pelos pesquisadores em uma consulta realizada no CT Terapias, com o objetivo de verificar sua aptidão para participar da pesquisa. Após ser considerado elegível e assinar o termo de consentimento, o voluntário poderá receber uma das duas vacinas disponíveis, ambas administradas em dose única.
A aplicação será realizada no modelo duplo-cego, um tipo de ensaio em que tanto o participante quanto o aplicador desconhecem qual dos dois imunizantes está sendo administrado. A seleção ocorrerá de forma randomizada, procedimento que reduz vieses e assegura a impessoalidade no processo.
Os voluntários passarão por uma segunda consulta médica presencial 21 dias após a aplicação da vacina e por uma terceira consulta seis meses após o início do acompanhamento. Nos intervalos entre os encontros, eles também serão acompanhados por meio de ligações telefônicas. O estudo conta ainda com um plantão de médicos e profissionais de enfermagem disponível 24 horas para esclarecer eventuais dúvidas que possam surgir durante a pesquisa.
Como se voluntariar
Os interessados em participar do estudo devem manifestar interesse pelo instagram do CT Terapias ou pelo telefone (31) 99509-7634. O recrutamento seguirá aberto até o fim do mês.
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