CTNano desenvolve tecnologia para mitigar dano ambiental causado por descarte de plásticos no semiárido
Pesquisa beneficia a cadeia produtiva do própolis verde ao transformar o material em um nanocompósito que retém água e combate processos de desertificação do solo
Por Marcelo Sander |CTNano/UFMG)
Pesquisadores do Centro de Tecnologia em Nanomateriais e Grafeno da Universidade Federal de Minas Gerais (CTNano/UFMG) – Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) de Materiais Avançados e Nanotecnologia – estão à frente de um projeto que pode transformar a vida de inúmeras famílias do semiárido mineiro. Em uma região caracterizada pela distribuição irregular de chuvas, a alta capacidade de retenção de água no solo é fundamental para o combate à desertificação.
Intitulado Desenvolvimento nanotecnológico e sustentável de uma cadeia produtiva para o semiárido mineiro com base na comercialização de própolis verde, o projeto, coordenado pelo professor Geraldo Wilson Fernandes, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG, tem como objetivo mitigar os danos ambientais provocados pelo descarte de plástico em larga escala.
O projeto busca transformar esse material em uma nanoestrutura de carbono associada a um particulado sólido, para uso em solos como um nanocompósito que favoreça a retenção de água e o combate à desertificação. A iniciativa recebeu financiamento de R$ 2,33 milhões da Fapemig.
“O que buscamos é desenvolver tecnologia e realizar testes em campo para o plantio do alecrim-do-campo em zonas rurais mineiras sujeitas a processos de desertificação, de modo a mitigar a perda de fertilidade do solo. Com isso, incentivamos também as comunidades locais a criar abelhas para a produção de própolis verde. Ainda neste ano, iniciaremos os testes em cidades do Norte de Minas”, informa o professor Luiz Orlando Ladeira, um dos pesquisadores envolvidos no projeto.
Poluição
O descarte inadequado de PET causa poluição de solos e corpos d’água, impacta a fauna marinha e terrestre e contribui para a contaminação ambiental por microplásticos. Em aterros sanitários, esse material amplia o volume de resíduos e pode permanecer por centenas de anos, com tempo de decomposição estimado entre 400 e 800 anos. A ingestão de microplásticos por animais e a contaminação da água potável podem acarretar riscos à saúde humana, incluindo distúrbios hormonais e metabólicos, a depender dos compostos químicos presentes no plástico.
A produção em larga escala de materiais sintéticos à base de plástico teve início por volta da década de 1950. Desde então, estima-se que, em 65 anos, o mundo tenha produzido 8,3 bilhões de toneladas de plástico, das quais apenas 9% foram recicladas. Mesmo diante dos problemas já identificados, o ritmo de produção e descarte não diminui: até 2050, poderão existir pelo menos mais 12 bilhões de toneladas de plástico no meio ambiente.
Nanotecnologia avançada
O CTNano/UFMG é pioneiro na síntese de nanotubos de carbono no Brasil e ampliou seu portfólio, ao longo dos anos, para uma dezena de nanomateriais produzidos em escala piloto. Sua equipe reúne especialistas de diferentes áreas, como física, química, biologia e engenharias. O trabalho do centro já resultou em mais de 40 patentes depositadas na área de nanomateriais, diversos projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e de prestação de serviços, centenas de artigos publicados e mais de 150 colaboradores.
A unidade Embrapii da UFMG dedicada a materiais avançados e nanotecnologia mantém parcerias com empresas de diversos setores em projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e presta serviços a organizações como Petrobras, Vale, Gerdau, Suzano e InterCement.
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