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Cérebro e visão

Disciplina de Neurovisão será oferecida como isolada para pós-graduandos

Conteúdo tem interface com as engenharias, ciências da saúde, psicologia, educação, administração, economia e tecnologia

A Neurovisão investiga como a luz captada pelos olhos é processada pelo cérebro e influencia percepção, atenção, leitura, movimento, emoções, decisões e interação com o ambiente
A Neurovisão investiga como a luz captada pelos olhos é processada pelo cérebro e influencia percepção, atenção, leitura, movimento, emoções, decisões e interação com o ambiente
Imagem: Matheus Espíndola (com uso de IA)

A disciplina Neurociências da Visão, oferecida no âmbito da Escola de Engenharia, passará a ser oferecida, no segundo semestre deste ano, também na modalidade de disciplina isolada. Com carga horária de 45 horas, três créditos e 15 encontros, ela será aberta a estudantes de pós-graduação de diferentes áreas do conhecimento. As inscrições para a modalidade de disciplina isolada serão realizadas de 10 a 13 de agosto. As aulas, presenciais, começaram nesta semana e serão ministradas até 30 de novembro, sempre nas tardes de segunda-feira.

De acordo com material de divulgação assinado pela professora Maria Lucia Machado Duarte, do Departamento de Engenharia Mecânica, a disciplina parte do princípio de que compreender melhor o cérebro e a visão pode enriquecer diferentes formações profissionais. “A proposta não é substituir conhecimentos especializados, mas acrescentar uma perspectiva neurocientífica capaz de ampliar perguntas, métodos e possibilidades de pesquisa.”

Contribuições
No texto que comunica a oferta da disciplina, estão descritas as contribuições da neurovisão para diferentes áreas da ciência. Para estudantes das engenharias, o conhecimento sobre processamento visual e funcionamento cerebral pode contribuir para o desenvolvimento de equipamentos, sensores, sistemas de aquisição de sinais, interfaces digitais, tecnologias assistivas e instrumentos de avaliação. Nas áreas de administração e economia, conceitos relacionados à percepção, à atenção, à emoção e à tomada de decisões aproximam-se dos estudos de neuroeconomia e comportamento do consumidor.

Para a psicologia, a neurovisão oferece fundamentos para investigar as relações entre percepção visual, cognição, comportamento, emoção e saúde mental. Fisioterapeutas e profissionais da reabilitação podem aprofundar o entendimento sobre a participação da visão no equilíbrio, na postura, na orientação espacial e no controle dos movimentos. Educadores podem relacionar o processamento visual à leitura, à atenção e à aprendizagem.

As interfaces também alcançam as ciências biológicas, a computação, a ciência de dados, o design e a ergonomia. Biólogos podem estudar células, circuitos e mecanismos de adaptação. Profissionais de tecnologia podem trabalhar com imagens, sinais, rastreamento ocular e inteligência artificial. Designers e ergonomistas podem compreender melhor como iluminação, contraste, interfaces e organização espacial afetam o desempenho e o conforto visual.

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Pensamento sistêmico
O programa abrangerá conteúdos sobre retina, vias visuais, percepção, movimentos oculares, processamento temporal, ritmos biológicos, cognição e comportamento. Serão apresentados métodos como eletroretinografia, rastreamento ocular, pupilometria, tomografia de coerência óptica, campimetria e processamento computacional de sinais e imagens.

Os estudantes também participarão de discussões de casos, análise de dados, demonstrações de equipamentos, palestras com pesquisadores convidados, visita ao Laboratório de Neurociências Aplicadas à Visão (Lapan) e atividades relacionadas ao Congresso Brasileiro de Neurovisão.

“A expectativa é que o aluno desenvolva pensamento sistêmico, capacidade de interpretar evidências, formular melhores perguntas de pesquisa e dialogar com profissionais de outras áreas. Mais do que ensinar conteúdos sobre visão e cérebro, a disciplina pretende criar condições para o surgimento de novas conexões acadêmicas, projetos interdisciplinares e soluções tecnológicas”, acrescenta-se no texto de divulgação.

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