Estudantes fazem imersão em laboratórios, experimentos e debates científicos na UFMG
Projeto Clubes de Ciência Brasil envolveu 100 jovens, em sua maioria do ensino média, numa programação gratuita que aproximou ciência, tecnologia e problemas atuais da sociedade
Por Agência de Notícias | CTVacinas
Realizada ao longo desta semana, a oitava edição do Clubes de Ciência Brasil transforma estudantes em protagonistas da investigação científica. A atividade envolve 100 jovens estudantes, que trocam a rotina da sala de aula por uma imersão em laboratórios, experimentos e debates científicos, numa programação gratuita que aproxima ciência, tecnologia e problemas atuais da sociedade. Pela primeira vez, o evento contou com um clube de RNA conduzido pelo CTVacinas.
Durante as manhãs, os participantes acompanharam palestras com especialistas sobre temas como RNA, vacinas, inteligência artificial, câncer, comunicação científica, empreendedorismo e inovação. À tarde, eles se dividiram em cinco clubes para colocar o conhecimento em prática por meio de observações, demonstrações, atividades e experimentos. A programação ocorreu no auditório do ICB e em salas do Centro de Atividades Didáticas de Ciências Naturais (CAD 3). No encerramento, que ocorre nesta sexta, 24, os grupos participam da Feira de Ideias, quando apresentam os resultados da semana a avaliadores e discutem as soluções desenvolvidas.
Os estudantes também participam de uma imersão em propriedade intelectual, que apresenta conceitos relacionados a patentes, marcas e programas de computador. A proposta é mostrar que a ciência não termina na descoberta: ela também envolve proteção do conhecimento, inovação e transformação de resultados em soluções para a sociedade.
Ensinando a buscar respostas
O coordenador do Clube de Ciência em Minas Gerais, Pedro Guimarães, que é professor do Departamento de Fisiologia e Biofísica do ICB, explica que o objetivo do evento é levar o público a formular perguntas, testar hipóteses e analisar resultados, a fim de compreender como o conhecimento científico é construído. “O clube não foi pensado para ensinar respostas prontas. Para muitos dos estudantes, esta é a primeira oportunidade de viver a ciência dessa maneira”.
Do total de inscritos, 59% vieram de escolas públicas. A maioria dos participantes tem entre 14 e 17 anos. Todos são estudantes dos ensinos fundamental e médio ou dos primeiros anos da graduação. “Quando um jovem entra em contato com a ciência no momento em que ela é produzida, começa a se reconhecer como alguém capaz de participar desse processo. Para o CTVacinas, participar dessa formação significa contribuir para que novos talentos encontrem caminhos, referências e oportunidades para construir o futuro da ciência brasileira”, afirma a professora Santuza Teixeira, coordenadora do Centro de Competência em Vacinas e Terapias com RNA.
RNA em foco
Pela primeira vez, o CTVacinas é responsável por um dos grupos práticos. Coordenado pela pesquisadora Nathalia Pereira, o Clube de RNA aproximou os participantes de uma das tecnologias que mais transformaram a pesquisa biomédica nos últimos anos.
Ao longo das atividades, os estudantes conheceram fundamentos do RNA e sua aplicação no desenvolvimento de vacinas e outras tecnologias em saúde. A participação do Centro conecta a formação científica dos jovens a uma área estratégica para a pesquisa brasileira, com potencial para gerar imunizantes, terapias e novas plataformas biotecnológicas. O CTVacinas também integra a estrutura de apoio que garante a gratuidade da experiência.
Conexão com Stanford
A edição recebe três pesquisadores da Stanford University, dos Estados Unidos. Apoiados pelo Science Clubs International, Louise Lima, Vinicius Armelin e Sarah Sampaio vieram ao Brasil para ministrar palestras, orientar atividades e compartilhar experiências com os participantes. Eles se unem a pesquisadores da UFMG, incluindo o CTVacinas, e da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). O contato direto possibilita que estudantes, muitos deles ainda no ensino médio, conversem com cientistas que atuam em diferentes instituições, países e áreas do conhecimento.
“Queremos ampliar as referências desses jovens e mostrar que a carreira científica também pode fazer parte do horizonte deles. O acesso a pesquisadores de diferentes trajetórias ajuda a tornar esse caminho mais concreto”, destaca Pedro Guimarães.
O encontro na UFMG ocorre uma vez por ano, geralmente em julho, mas a relação com os participantes continua depois da programação presencial. Os estudantes passam a integrar uma rede de troca de informações, colaboração e oportunidades construída pelo projeto. “O encontro anual é o momento de imersão, mas o clube não termina aqui. Quem participa permanece conectado à rede, acompanha oportunidades e mantém contato com pessoas que podem contribuir para os próximos passos de sua trajetória”, explica o coordenador.
O projeto de extensão em Minas Gerais começou a ser estruturado há mais de dois anos. Em âmbito nacional, o Clubes de Ciência Brasil integra iniciativa criada em 2014 para ampliar o acesso à educação científica de qualidade por meio de oficinas gratuitas, mentorias e redes de colaboração. Até a última edição, em 2025, a organização já havia alcançado 830 estudantes e 50 clubes.
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