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Cronobiologia, exercício e cognição

Pesquisa avalia benefícios do treinamento físico para o controle da diabetes

Estudo da EEFFTO e do ICB busca 30 voluntários de 55 a 75 anos para avaliar como o horário do exercício físico influencia respostas cognitivas, metabólicas e a oxigenação cerebral

Por Redação

Voluntária pratica atividade física na academia da EEFFTO: exercício tem sido recomendado como estratégia de controle da DM2 e suas complicações
Foto: acervo da pesquisa

Pesquisadoras do Laboratório de Fisiologia do Exercício (Lafise), da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional (EEFFTO), e do Laboratório de Endocrinologia e Metabolismo, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), estão recrutando voluntários para um estudo que visa avaliar como o treinamento físico pode contribuir para o controle do diabetes e de suas complicações. A pesquisa pretende reunir cerca de 30 pessoas – homens e mulheres, entre 55 e 75 anos – com diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2 (DM2) e que não estejam participando atualmente de programas de treinamento físico.

O projeto Cronoex: cronobiologia, exercício e cognição – horário do dia e prática de exercício físico sobre a cognição em pessoas com diabetes do tipo 2 vem sendo realizado desde 2024 como parte da tese de doutorado de Camila Berbert Gomes, sob a orientação das professoras Danusa Dias Soares, da EEFFTO, e Maristela de Oliveira Poletini, do ICB.

De acordo com Camila Gomes, o estudo, nesta nova fase, foi ajustado. “Inicialmente, tínhamos como objetivo investigar os efeitos de uma única sessão de exercício físico. Agora, buscamos analisar a influência do horário do dia sobre os efeitos de oito semanas de treinamento físico nas respostas cognitivas, metabólicas e na oxigenação cerebral de pessoas com diabetes tipo 2.”

Os voluntários participarão, no mínimo, de seis encontros (três anteriores e três posteriores à intervenção), nos quais serão avaliados parâmetros metabólicos, cognitivos e circadianos, além da oxigenação cerebral e do desempenho físico. A intervenção consistirá em treinamento físico (pela manhã ou à tarde) ou na manutenção da inatividade (para o grupo controle).

O treinamento será realizado três vezes por semana, durante oito semanas, com sessões de uma hora, sob supervisão de profissionais de educação física e estagiários. “O estudo oferecerá treinamento físico gratuito em academia da EEFFTO ao longo de todo o período”, informa Camila Gomes.

Os interessados podem se candidatar pelo e-mail cronoexufmg@gmail.com, pelo telefone/WhatsApp (31) 97516-3450 ou por meio de formulário eletrônico.

Estratégia não metabólica
De 90% a 95% dos casos de diabetes no mundo correspondem ao diabetes mellitus tipo 2 (DM2). A doença ocorre quando o organismo se torna resistente à insulina, que passa a não exercer adequadamente sua função. O desenvolvimento da DM2 está associado a fatores comportamentais, como obesidade, inatividade física e distúrbios circadianos, a exemplo de alterações do sono e do trabalho por turnos.

Essa condição provoca prejuízos metabólicos – mais conhecidos –, mas também pode, em longo prazo, acarretar disfunções cognitivas, demências e até aumentar o risco de doença de Alzheimer. Inicialmente, as alterações tendem a ser leves; sem tratamento adequado, porém, a condição pode evoluir.

O exercício físico tem sido recomendado como estratégia não farmacológica para o controle da DM2 e de suas complicações, como o declínio cognitivo. Estudos recentes indicam que o horário do dia em que a pessoa se exercita pode influenciar os efeitos da atividade física sobre o metabolismo da glicose em indivíduos com DM2, mas ainda há lacunas quanto aos impactos do exercício na cognição.

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