Projetos de pesquisa em biotecnologia da UFMG vão utilizar estrutura do BiotechTown
Iniciativa da Fundep e da Fundepar visa estimular o desenvolvimento de produtos para o mercado e o surgimento de startups; inscrições seguem até 15 de setembro
Por Itamar Rigueira Jr.
Estão abertas, até 15 de setembro, as inscrições para apresentação de projetos de pesquisa em biotecnologia a serem desenvolvidos na estrutura Biotechtown, empresa da Fundepar, gestora mantida pela Fundação de Apoio da UFMG (Fundep). A princípio, as atividades deverão ser realizadas de outubro deste ano a maio de 2026, mas há possibilidade de extensão de prazo, de acordo com o interesse e as condições dos grupos. É a primeira chamada com essa finalidade lançada pela Pró-reitoria de Pesquisa da UFMG, que se encarregará da seleção dos projetos. Não serão cobradas taxas de aluguel ou de utilização.
O BiotechTown é um hub de inovação destinado ao desenvolvimento de empresas, produtos e negócios nas áreas de biotecnologia e ciências da vida, especialmente no campo dos diagnósticos in vitro. Apoiada em conhecimento científico, tecnológico e de mercado, a estrutura atende a bionegócios de todos os portes em suas diferentes fases, da pesquisa ao lançamento do produto ou serviço e à expansão de mercado. O acesso a infraestruturas próprias de laboratório (Open Lab) e planta de produção (CMO) é desburocratizado, e o ambiente favorece conexões e impulsionamento do ecossistema.
A ideia é que grupos de pesquisadores em biotecnologia da UFMG se beneficiem de infraestrutura certificada por boas práticas de fabricação, com condições adequadas à maturação de uma nova tecnologia e sua transformação em produto, como explica o pró-reitor de Pesquisa da UFMG, Fernando Reis. Ele dá como exemplo a concepção de um teste rápido para diagnóstico de determinada infecção: “Dentro dos laboratórios da Universidade, os pesquisadores cumprem etapas diversas, como a determinação dos antígenos e do material que será utilizado no teste, e avaliam seu potencial. Para que o teste possa ser vendido na farmácia e usado pela população, eles encontram no Biotechtown a infraestrutura para as fases finais do desenvolvimento da tecnologia e para a fabricação do produto”, ele diz.
Ainda segundo Fernando Reis, a infraestrutura do Biotechtown é diferente dos laboratórios acadêmicos, “pois foi pensada para ser uma ponte entre a universidade e a indústria”. “Essa estrutura possibilita escalar inovações em biotecnologia e gerar protótipos em condições certificadas, acelerando a transferência para a sociedade dos produtos desenvolvidos na UFMG”, ele acrescenta.
Desenvolvimento acelerado e etapas finais
Criado em 2018, o Biotechtown tem como clientes médias e grandes empresas do setor de diagnóstico in vitro que importam e vendem no Brasil e se interessam por nacionalizar a produção de alguns produtos e insumos. A estrutura recebe também startups em fase finalização de protótipos e produtos para registro. Agora, o Biotechtown oferece a grupos da UFMG a oportunidade de utilizar o laboratório e a fábrica de forma suplementar à estrutura de que dispõem na Universidade.
“Nosso objetivo é estimular pesquisadores e impulsionar o surgimento de startups. Queremos mostrar aos grupos da UFMG que eles podem se beneficiar de nossos espaços, equipamentos e expertises como forma de apoio para acelerar o desenvolvimento de suas pesquisas e cumprir as etapas finais, como prototipagem e registro dos novos produtos”, explica o diretor-executivo da Fundepar e do BiotechTown, Carlos Lopes. Ele comenta também que, uma vez escolhidos os projetos pela Pró-reitoria de Pesquisa da UFMG, o BiotechTown vai avaliar sua infraestrutura disponível para encaixar o maior número possível de projetos.
As inscrições devem ser feitas até as 23h59 do dia 15, no Sistema de Fomento da UFMG, pelo coordenador do projeto, um docente em efetivo exercício.
Pesquisadores interessados em conhecer o BiotechTown podem agendar visitas pelo email contato@fundepar.com.br.
Eventos, mentorias e conteúdos
Em 46 meses de operação, o Biotechtown investiu em 31 startups, aportou 10,1 milhões de reais em bionegócios, promoveu mais de 100 eventos de conexão e mais de 4 mil horas de mentoria, conteúdos e interações.
A estrutura inclui o Open Lab – laboratório compartilhado de 363m² que possibilita o aluguel de equipamentos e estrutura, produção de ensaios ou experimentos e elaboração e execução de pesquisa, desenvolvimento e inovação – e a Contract Manufacturing Organization (CMO), planta de produção de 495m² criada para desenvolver lotes-pilotos e lotes comerciais de produtos para a saúde de forma exclusiva e customizada em escala industrial.
A Fundepar é a gestora de fundos de investimentos e programas desenvolvida e mantida pela Fundação de Apoio da UFMG (Fundep) para investir em negócios inovadores, com elevado diferencial tecnológico e impacto positivo.
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