19 de abril: “Escutar e respeitar os povos indígenas” é o recado da indígena, estudante da UFMG e cofundadora da AJUX, Karine Xakriabá
Graduanda em Direito fala do papel do Dia dos Povos Indígenas, importância da universidade, Acampamento Terra Livre e outros temas
Nesta sexta-feira, dia 17 de abril de 2026, a indígena do povo Xakriabá, localizado em São João das Missões, no norte de Minas Gerais, nascida e criada na aldeia Tenda/Rancharia, onde faz parte do grupo de mulheres e guardiões da aldeia, cofundadora e articuladora da AJUX, Articulação da Juventude Xakriabá, estudante de Direito na UFMG, onde também fez parte do COLEI, Coletivo de Estudantes Indígenas da UFMG, Karine Xakriabá, conversou com o jornalista e apresentador Hugo Rafael, no programa Conexões.
Neste domingo, 19 de abril, é celebrado o Dia dos Povos Indígena, com o objetivo de valorizar a cultura, história e ancestralidade dos povos originários. A data, instituída no Brasil durante o governo Vargas em 1940, também é crucial para combater preconceitos, promover políticas públicas e reafirmar a luta por direitos, demarcação de terras e resistência cultural. Os povos indígenas são parte fundamental na formação da cultura brasileira.
Sua influência se revela nos costumes, na alimentação, na língua e na mistura étnica. Como o uso da rede de dormir, o artesanato de palha e cipó, as comidas feitas com milho, frutas e mandioca. Na medicina, destaca-se o uso de ervas medicinais. Igualmente, no folclore brasileiro, existem as figuras dos caboclinhos, os pajés, as lendas que contam a origem de plantas como a vitória-régia e pássaros como o Uirapuru.

Dados do Censo Demográfico 2022 mostram a existência de 391 etnias, povos ou grupos indígenas no Brasil. Do total da população indígena em 2022, de quase 1,4 milhão de pessoas, 74,5% declararam etnia. O Censo identificou ainda que são 295 línguas indígenas. A principal luta dos povos indígenas ainda continua sendo a demarcação de terras, que é fundamental para que eles tenham seus direitos assegurados e lares protegidos por lei.
Karine Xakriabá ressaltou a importância do Dia dos Povos Indígenas como lembrete da luta para a sociedade brasileira e do abandono da antiga nomenclatura. Ela destacou como é fundamental a entrada na universidade, ainda que os cursos não tenham sido preparados para pessoas indígenas, e como a formação em várias áreas, como pedagogia, direito e medicina, colabora com a mobilização por direitos. A estudante da UFMG também abordou o Acampamento Terra Livre como momento de formação, além de falar da proteção ambiental, urgência das demarcações e fazer um apelo para que as pessoas estudem, escutem e entendam as demandas dos povos originários.
Produção: Vyctória Alves sob orientação de Alessandra Dantas e Luíza Glória
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