Análise: Classificação de CV e PCC como terroristas pelos EUA deixam Brasil mais suscetível a interferência estrangeira e vai contra base das relações exteriores
Professores da UFMG Ludmila Ribeiro e Fabricio Polido detalham efeitos da medida para a segurança pública e às relações internacionais
Nesta quarta-feira, 3 de junho de 2026, a professora do Departamento de Ciência Política da UFMG e pesquisadora da Rede Feminina de Estudos de Violência, Justiça e Prisões (Rede Femjusp UFMG) Ludmila Ribeiro e o professor de Direito Internacional, Direito Comparado e Novas Tecnologias da UFMG Fabricio Polido participaram do programa Conexões.
O governo dos Estados Unidos anunciou que vai classificar as facções brasileiras CV, o Comando Vermelho, e PCC, Primeiro Comando da Capital, como organizações terroristas. A decisão passa a valer na sexta-feira, dia 5 de junho. O anúncio do secretário de estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, coincide com o encontro com o senador Flávio Bolsonaro, que também se reuniu com Donald Trump. O presidente tem direcionado a política externa em relação à América Latina para combater o que ele chama de narcoterrorismo.
A professora Ludmila ressalta que a decisão é política e não técnica, uma vez que as facções atuam evidentemente no tráfico de drogas, mas não apresentam motivação ideológica, como disputar cargos ou promover ofensivas ao Estado brasileiro. Como efeito prático, ela cita que o Brasil fica mais suscetível à interferência de órgãos estrangeiros. Já o professor Polido comenta que a medida vai contra as bases das relações exteriores, que prezam pela não interferência de um país em assuntos internos de outro. No caso de Flávio Bolsonaro, pode ser considerada até uma violação no mandato parlamentar, por supostamente agir contra essas bases.
Produção: Ingrid Mendonça e Isabella Ludwig, sob orientação de Alessandra Dantas e Luiza Glória