Ataque no Acre: Professor aposentado da UFMG Marcus Taborda analisa fenômeno da violência nas escolas
Docente ressalta que são necessárias soluções multifatoriais, que vão além do escopo exclusivamente escolar
Nesta sexta-feira, 8 de maio de 2026, o professor aposentado da Faculdade de Educação da UFMG e professor do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) Marcus Taborda conversou com o jornalista e apresentador Hugo Rafael, no programa Conexões.
Mais uma vez, um ataque a tiros leva a mortes em uma escola brasileira. Nessa terça, dia 5, um adolescentes de 13 anos entrou armado no Instituto São José, em Rio Branco, no Acre, onde estudava. Os tiros atingiram duas funcionárias que morreram no local, uma servidora e uma estudante, que ficaram feridas. Elas foram atendidas no pronto-socorro e tiveram alta no mesmo dia. Segundo as investigações, o jovem utilizou uma pistola que pertencia ao padrasto e depois se entregou à polícia. O homem também foi detido, mas liberado após assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência. As autoridades apuram a motivação do crime, incluindo possíveis episódios de bullying e outras questões relacionadas ao ambiente escolar.
O episódio levou à suspensão das aulas na rede estadual do Acre e mobilizou o Ministério da Educação, que anunciou o envio de uma equipe especializada para atuar no acolhimento da comunidade escolar e no enfrentamento das consequências da tragédia. Esse é o caso mais recente e traz à tona o debate sobre a violência entre adolescentes no ambiente escolar. O tema já faz parte da realidade brasileira há anos e há esforços para entender e combater o fenômeno. Em 2023, por exemplo, o governo federal publicou o documento “Ataques às escolas no Brasil: análise do fenômeno e recomendações para a ação governamental”, elaborado por um grupo de especialistas em violência nas escolas para compreender as motivações, os padrões e as formas de prevenção desses ataques no país.
O que acende o alarme é que a frequência de ataques tem aumentado. Um levantamento do Instituto Sou da Paz de 2023 mostrou que, apenas de janeiro de 2022 a maio de 2023, foram registrados 12 casos, o mesmo que em todo o período entre 2002 e 2021.
O professor Taborda ressaltou o problema da banalização da violência, que se relaciona à pouca repercussão do caso no país. Ele argumenta que esses ataques e o aumento deles são uma questão multifatorial, que precisa de respostas igualmente multifatoriais, envolvendo não só a escola, mas a sociedade como um todo. Um dos aspectos é a cultura armamentista, que tem se ampliado nos últimos anos. Assim, como mostram os dados, os ataques são muito mais letais. Dentro da escola, o docente destaca a falta de estrutura, falta de valorização do magistério e as próprias falhas na formação. Ele vê com bons olhos que o governo federal elabore estudos e programas para tratar do tema, mas há muito o que avançar.
Produção: Ingrid Mendonça, sob orientação de Alessandra Dantas e Hugo Rafael