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Eleições no Peru: Não dá pra arriscar quem vai ganhar nem como vai ser a reação dos candidatos ao resultado final, analisa o professor da Unila Fábio Borges

Diretor do Instituto Latino-americano de Economia e Sociedade da Unila alerta que o Brasil deve estar muito atento a um vizinho tão estratégico

Nesta terça-feira, 9 de junho de 2026, o diretor do Instituto Latino-americano de Economia e Sociedade da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), professor Fábio Borges, conversou com a jornalista e apresentadora Luiza Glória, no programa Conexões.

A apuração dos votos do segundo turno das eleições do Peru segue acirrada, com uma diferença de menos de um ponto percentual entre os candidatos. A Junta Nacional Eleitoral anunciou que o resultado final só deve ser definido em julho, devido a um novo processo de recontagem de votos obrigatória em casos de seções eleitorais contestadas, como no primeiro turno do pleito. Disputada por Keiko Fujimori, candidata de direita, e Roberto Sánchez, de esquerda, a eleição deste domingo representa um momento decisivo para o país. O Peru vem enfrentando um período prolongado de crise, com oito presidentes desde 2016, nenhum governando por um mandato completo.

Os processos de impeachment e destituição em rápida sucessão são frutos de um legislativo unicameral. Em 2026, pela primeira vez em décadas, o país volta a operar com Câmara dos Deputados e Senado. A promessa é uma maior estabilidade, entretanto, o país segue dividido entre dois extremos. Enquanto Keiko Fujimori, herdeira do legado político do pai, o ditador Alberto Fujimori, obteve cerca de 17% dos votos no primeiro turno, Roberto Sánchez, carregando o legado do ex-presidente Pedro Castillo, conquistou aproximadamente 12%.

O professor comentou que, este ano, as duas candidaturas afirmaram que vão aceitar o resultado final, mas, como a diferença é muito pequena, não dá para cravar que isso será cumprido. Ele também não arriscou apontar quem sai com a vitória e resgatou a crise política que assola o país há décadas. Para Fábio Borges, os diversos problemas peruanos precisam de um novo pacto social para serem enfrentados, até mesmo uma nova constituição, projeto de Sánchez que também exige cautela. Ele alertou que o Brasil deve estar muito atento ao pleito presidencial de um vizinho tão estratégico.

Produção: Ingrid Mendonça e Isabella Ludwig, sob orientação de Alessandra Dantas e Luiza Glória

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