Missão Artemis II: Não acredito que o homem pise na lua nos próximos anos, afirma Renato Las Casas
Astrônomo e professor da UFMG fala da nova corrida espacial e dos riscos envolvidos na missão tripulada que orbita o satélite
Nesta sexta-feira, 10 de abril de 2026, o professor aposentado do Departamento de Física da UFMG, que coordenou por mais de 30 anos o Observatório Astronômico da Universidade e o Grupo de Astronomia, produtor e apresentador do programa “O Universo – Astronomia no rádio”, que vai ao ar pela UFMG Educativa, Renato Las Casas, conversou com o jornalista e apresentador Hugo Rafael.
Mais de 50 anos depois das missões Apollo, ocorridas entre 1968 e 1972, os Estados Unidos lançaram o programa aeroespacial Artemis para chegar à lua de novo. O lançamento aconteceu na quarta passada, 1º de abril, pela NASA, Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço. Nesse dia, a espaçonave Orion levou os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen para sobrevoar o satélite, sem pousar, e retornar à Terra com previsão programada para hoje, por volta das 9 da noite, no Oceano Pacífico, na costa de San Diego, na Califórnia. A equipe estabeleceu um novo recorde de voos espaciais quando ultrapassou a distância máxima de quase 400 mil quilômetros da Terra, alcançada em 1970 pela Apollo 13.

A Artemis II foi uma prova de validação da nave, foguete, suporte à vida e procedimentos antes de futuras missões de pouso e presença, com projetos de uma instalação lunar. A missão também possuía peso político e estratégico. Diante dos avanços chinês e indiano, Washington buscou confirmar sua liderança tecnológica e simbólica no espaço. Durante o trajeto, a nave navegou ao redor do lado mais distante da Lua, o chamado lado oculto da lua. No processo de passagem por essa região, os astronautas observaram crateras e, após treinarem por cerca de 2 anos, fotografaram e registraram, especialmente, aquelas crateras cujo interior nunca recebeu luz solar direta, desde que se formaram há bilhões de anos. Além disso, as fotos indicaram um ponto de vista raro e cientificamente valioso da luz do Sol filtrada em suas bordas e uma imagem do nosso planeta que tem sido chamada de “o pôr da Terra”.
O professor Las Casas comentou o alto risco que envolveu as missões Apollo, quando o ser humano pisou no satélite pela primeira vez. O astrônomo detalhou que a Artemis II e as próximas fases previstas, mesmo com todo o avanço tecnológico, ainda envolvem grandes perigos, a começar pelo retorno da aeronave à atmosfera terrestre, algo que não funcionou como o esperado na Artemis I. O especialista destacou que a motivação para a nova corrida espacial é econômica e não aconteceu antes porque não havia motivos para voltar à lua, mas ele não acredita que esse pouso se realize nos próximos anos.
Produção: Vyctória Alves e Hugo Rezende, sob orientação de Alessandra Dantas e Luíza Glória
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