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Conexões

Pedido de desculpas da UFMG por uso de cadáveres de Barbacena é “vitória do movimento da luta antimanicomial”

Psicóloga militante da luta antimanicomial ressalta importância de começar pela UFMG essa ação que deve ser seguida por outras instituições

Nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026, psicóloga militante da luta antimanicomial, integrante do Fórum Mineiro de Saúde Mental e da Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial (Renila) Marta Elizabete de Souza conversou com a jornalista e apresentadora Luiza Glória, no programa Conexões.

No dia 18 de março, a UFMG assinou pedido de desculpas públicas por ter adquirido corpos do Hospital Colônia de Barbacena para atividades de ensino no século XX. O pedido veio acompanhado do compromisso de promover ações de memória em parceria com grupos da luta antimanicomial, restauração do livro histórico de registro de cadáveres e inclusão do tema em disciplinas de anatomia da Faculdade de Medicina.

O Hospital Colônia de Barbacena funcionou entre 1903 e a década de 1990, no município do interior mineiro. Eram internadas no local pessoas consideradas loucas, além de grupos como homossexuais, militantes políticos e mulheres que haviam perdido a virgindade antes do casamento. De acordo com levantamento publicado no livro “Holocausto Brasileiro”, de Daniela Arbex, mais de 60 mil pessoas foram mortas lá dentro e mais de 1.800 cadáveres vindos de lá foram comercializados entre 1969 e 1981 para 17 instituições de ensino médico, entre elas a UFMG.

A psicóloga destacou a ação da UFMG como uma vitória do movimento da luta antimanicomial, luta que tem sido travada há muito tempo pelo Fórum Mineiro de Saúde Mental e outras entidades ao lado do Ministério Público, tanto o Federal quanto o Estadual. Marta Elizabete de Souza sublinhou a importância das ações de memória para a justiça de reparação. Ponto fundamental comentado pela convidada foi que essa iniciativa tenha começado pela Universidade Federal de Minas Gerais e seja replicada por outras instituições.

Produção: Vyctória Alves sob orientação de Luíza Glória e Alessandra Dantas

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