Prisão de Ávila em Israel: Interceptação da embarcação é ilegal, explica conselheira da Sociedade Brasileira de Direito Internacional Amina Welten Guerra
Para a especialista, Israel trata a Flotilha como ação política, e não humanitária, mas a tendência é deportar os ativistas, pela diplomacia
Nesta quinta-feira, 7 de maio de 2026, a conselheira da Sociedade Brasileira de Direito Internacional e Presidente da Comissão de Relações Internacionais da OAB/MG, professora Amina Welten Guerra, conversou com o jornalista e apresentador Hugo Rafael, no programa Conexões.
A prisão do ativista brasileiro Thiago Ávila em Israel voltou a mobilizar organizações de direitos humanos, autoridades diplomáticas e movimentos internacionais de solidariedade à Palestina. Thiago integrava uma missão da Flotilha da Liberdade, grupo que tentava levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza, quando a embarcação foi interceptada em águas internacionais, em 30 de abril. Cerca de 170 ativistas foram liberados, enquanto o brasileiro permaneceu detido em Israel, juntamente com o espanhol Saif Abu Keshek. Segundo a defesa e familiares, ele está em greve de fome há cerca sete dias, mantido em cela solitária com luz intensa 24 horas e submetido a interrogatórios repetitivos.
O caso ganhou mais repercussão após a divulgação de uma carta enviada à filha Teresa, na qual o ativista afirma que decidiu participar da missão por acreditar que “não havia nada mais perigoso” do que aceitar “um mundo que aceita o genocídio”. Diante do quadro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a prisão como preocupante e injustificável. Os governos brasileiro e espanhol, que também se pronunciou, estão atuando diplomaticamente para garantir a libertação dos ativistas e esclarecer as circunstâncias da detenção. Desde outubro de 2023, a Faixa de Gaza sofre com os ataques de Israel que destruíram bairros inteiros, hospitais e escolas. São mais de 70 mil palestinos mortos, de acordo com o Ministério da Saúde, controlado pelo Hamas.
A professora resgatou o histórico recente das missões da Flotilha e relembrou a trajetória de Thiago Ávila como ativista pela causa palestina há décadas. Ela detalhou os contornos políticos da prisão atual, no contexto de uma rigidez maior de Israel com as embarcações desde 2010 e da projeção midiática de Ávila e Saif Abu Keshek. Nesse sentido, as forças israelenses consideram a mobilização uma ação política, e não humanitária, mas, pelo direito internacional, a interceptação é ilegal, uma vez que as águas internacionais são de livre circulação. A especialista destaca que, pelo histórico, é de se esperar que os dois sejam liberados e deportados, mas, para isso, é necessário que a pressão e as negociações diplomáticas continuem.
Produção: Ingrid Mendonça, sob orientação de Alessandra Dantas e Luíza Glória