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Vacina da dengue do Butantan é segura, mas pausa temporária para investigações é prudente, destaca professor da UFMG

Helton Santiago explicou que as reações adversas podem estar ligadas à vacina ou não, ressaltando o baixo número, 8 em cada 100 mil pessoas

Nesta terça-feira, 9 de junho de 2026, o professor de Imunologia da UFMG e Diretor Clínico do CT Vacinas, Centro de Tecnologias de Vacinas, Helton Santiago, participou do programa Conexões.

O Ministério da Saúde anunciou uma pausa temporária da vacinação contra a dengue nos postos de saúde com o imunizante do Instituto Butantan. A decisão veio nessa segunda-feira, após o registro de 42 casos com sinais de alerta, dentre eles dois óbitos. Esses dados foram identificados pela farmacovigilância, que acompanha efeitos adversos em vacinas e medicamentos adotados pelo SUS. Desde janeiro, cerca de quinhentas mil pessoas já foram vacinadas. Os episódios de alerta correspondem a 0,008% do total de imunizações, sendo classificados como eventos raros. O imunizante havia apresentado resultados positivos em testes, e foi aprovado pela Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no final do ano passado.

A vacinação em massa foi realizada em três cidades-piloto: Botucatu, em São Paulo, Maranguape, no Ceará, e Nova Lima, aqui em Minas Gerais. O restante das doses foi direcionado a profissionais da atenção primária à saúde. Durante o período em que a vacinação ocorreu, a farmacovigilância registrou eventos classificados como inesperados, ou seja, não previstos nos estudos clínicos. Dentre eles estão 3.703 casos com sintomas semelhantes aos da dengue, correspondentes a 0,7% dos vacinados. Dentre os casos graves, ocorreram dois óbitos, em que a relação com a vacina não foi confirmada. Em nota, o Ministério da Saúde e o Instituto Butantan declararam que a decisão não invalida a eficácia da vacina contra a dengue.

Os próximos passos envolvem uma investigação dos casos graves em ação conjunta da Anvisa, do Ministério de Saúde e do Instituto Butantan, além de um acompanhamento das pessoas vacinadas nos últimos 21 dias. Enquanto isso, permanecem outras estratégias de combate à dengue. Para falar mais sobre a decisão do Ministério da Saúde e a imunização contra a dengue, convidamos o

O professor destacou a qualidade dos testes e a aprovação da vacina pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que a colocam como segura e eficaz. Ele chamou a atenção para o número baixo de reações adversas, que são 8 para cada 100 mil pessoas, lembrando que cerca de 500 mil foram imunizadas no país. Santiago comentou também os três casos graves, que resultaram em duas mortes. Eles podem ter relação com a vacina ou estarem ligados a infecções desenvolvidas independentemente do imunizante. Por isso, é necessário aguardar as investigações, que também precisam apurar se essas pessoas tinham alguma contraindicação. Ele ressaltou que a pausa temporária é prudente e, se necessário, que sejam feitas modificações na formulação, mas que a vacina segue dentro dos parâmetros de segurança.

Produção: Ingrid Mendonça e Isabella Ludwig, sob orientação de Alessandra Dantas e Luíza Glória

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