Violência política contra as mulheres é tema de livro da comunicóloga pela UFMG e vereadora de BH Iza Lourença
Obra aborda experiência da parlamentar, que é a mesma de tantas outras mulheres, enfrentando diversas formas de violência dentro da política
Nesta segunda-feira, 20 de julho de 2026, a mulher negra, mãe, bissexual, vereadora em Belo Horizonte no segundo mandato pelo PSOL, moradora do Barreiro, ex-bilheteira do metrô, formada em Comunicação Social pela UFMG e autora do livro “Não Está Tudo Bem: como permanecer no parlamento quando a democracia brasileira vai de mal a pior”, Iza Lourença, conversou com a jornalista e apresentadora Alessandra Dantas, no programa Acesso Livre.
A violência política contra as mulheres tem sido uma constante e vem se agravando nos últimos anos. Em ano eleitoral, a questão ganha mais visibilidade. Essa é uma barreira estrutural da nossa democracia porque a violência tende a afastar as mulheres desse campo. De acordo com levantamento feito pelas ONGs Justiça Global e Terra dos Direitos, nas eleições municipais de 2024 foram registrados 558 casos de violência política contra candidatas em todo o Brasil, representando um aumento de aproximadamente 160% em relação a 2020. A vereadora convive com esse ambiente opressivo constantemente. Ela acabou de lançar um livro sobre a experiência como vereadora com o objetivo chamar a atenção para o fato de que todas as mulheres e a democracia são afetadas nesse cenário.

Iza Lourença abordou o contexto das ameaças que sofre, a necessidade de andar com escolta, que traz constrangimentos no trabalho parlamentar e na vida pessoal, e os constantes questionamentos sobre sua capacidade, mesmo com mais de 20 mil votos. “Toda mulher hoje que vai entrar na política tem que considerar: ‘eu tô disposta a enfrentar essa carga de violência?’ Olha que cruel, você ter que fazer essa decisão na sua vida e que para você fazer uma coisa que você acredita, para você transformar o mundo ali, pela via da política, que é o que você acredita, você tem que estar disposta a enfrentar uma carga de violência absurda. Então, isso já retira um monte de mulheres da política”, expõe.