Breve biografia de Francisco Mendes Pimentel

Primeiro Reitor da Universidade Federal de Minas Gerais — então, Universidade de Minas Gerais (UMG) —, o carioca Francisco Mendes Pimentel mudou-se, ainda na infância, para Pitangui, em Minas Gerais. Formou-se em Direito pela Faculdade de Direito de São Paulo e, logo após a conclusão do curso, em dezembro de 1889, retornou a Minas. De início, morou em Queluz — hoje, Conselheiro Lafaiete —, onde atuou como Promotor de Justiça. Nove anos depois, instalou-se em Belo Horizonte/MG, cidade em que passou a exercer sua vocação de pioneirismo e liderança intelectual. Na recém-inaugurada Capital Mineira, estabeleceu um dos primeiros escritórios de Advocacia do Estado e militou na imprensa local e nacional, ao lado de nomes como os de Augusto de Lima e Olavo Bilac. Foi um dos fundadores do Instituto Histórico Geográfico de Minas Gerais (IHG/MG) e do Instituto dos Advogados de Minas Gerais, de que foi o primeiro Presidente. Em 1904, juntamente com Estevão Pinto, fundou a Revista Forense, uma das mais importantes publicações brasileiras no campo jurídico.

Mendes Pimentel foi Diretor da atual Faculdade de Direito da UFMG por dois mandatos — 1911-1916 e 1923-1930. No Governo Antônio Carlos organizou, em 1927, o Conselho Penitenciário, órgão em que exerceu o cargo de Presidente, e, no mesmo ano, foi nomeado Reitor da UMG.

No seu discurso de posse como Reitor, ressalta-se a projeção de futuro que Mendes Pimentel traçava como vocação da Universidade. Destaca-se, primeiramente, a proposição da divisão dos conhecimentos entre as Faculdades, rejeitando a prática de “compartimentos estanques e impenetráveis”. A rejeição ao “método didático da lição monólogo, que dispensa a colaboração dos moços” é outro realce de sua oração. Contudo, como uma das mais relevantes vocações da Universidade presentes em vários pontos da sua fala, evidencia-se a de autonomia universitária — segundo o Reitor, a Lei Orgânica atribui à Universidade “personalidade jurídica e assegura plena autonomia administrativa e didática […] não podendo ser cúmplice passiva de tiranias”.

Em novembro de 1927, quando da criação da UMG, o Reitor, já empossado, expôs seu entendimento sobre a divisa que integra o brasão da nova Universidade — Incipit vita nova (Infunde vida nova) — símbolo de constante transformação aperfeiçoadora. Nesse lema, enfatiza ele, resume-se a perpétua inquietude do homem de ciência — cada uma de suas conquistas deve se tornar, no perpétuo devenir humano, ponto de partida para novas aspirações e realizações.

Mendes Pimentel recebeu o título de Professor Honorário da UMG e da Universidade de São Paulo (USP), em 1940. Foi nomeado membro da Corte Permanente de Arbitragem de Haia. Coerente com a posição assumida ao se tornar signatário do Manifesto dos Mineiros contra o regime ditatorial de Getúlio Vargas, recusou, mais tarde, convite para atuar como Interventor em Minas Gerais.

Faleceu no Rio de Janeiro, em 1957, com 88 anos de idade.

Biografia redigida por Lígia Maria Moreira Dumont
Profª Titular do Departamento de Teoria e Gestão da Informação da Escola de Ciência da Informação e Diretora de Cooperação Institucional da UFMG