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Medicamento nanoestruturado combate câncer de cabeça e pescoço

Publicado em 19 novembro 19 às 13:52 por admin

Grupo da UFMG associou o Cetuximabe, em concentração 25 vezes menor, a partículas esféricas de ouro

Lídia de Andrade, com o nanocomplexo: associação com a radioterapia (Foca Lisboa | UFMG)

O ouro é usado, há séculos, com funções curativas e estéticas. Muito mais recentemente, tem sido aplicado em diagnósticos e tratamentos. Ele tem as vantagens de ser inerte, ou seja, não reage com outros elementos – não oxida, por exemplo – e bem tolerado em tecidos biológicos. Pesquisadores da UFMG acabam de publicar artigo em que demonstram que o metal também pode melhorar o tratamento dos tumores cancerígenos de cabeça e pescoço. 

O Grupo de Pesquisa em Nanobiomedicina concluiu que o Cetuximabe, medicamento comercial já usado para combater esses tumores, pode ser associado, em concentração 25 vezes menor, a partículas esféricas de ouro de dimensões nanométricas (da ordem de um bilionésimo de metro), com o mesmo efeito ou até com resultados mais eficazes. 

“Nossos estudos comprovaram que as nanopartículas de ouro se ligam efetivamente e não apenas ficam próximas à proteína (o anticorpo) que combate o tumor. Na concentração em que o remédio é usado hoje, há efeitos colaterais adversos, sobretudo de natureza dermatológica. Além disso, o medicamento não funciona para todos os tipos de tumores epiteliais, e alguns organismos apresentam resistências intrínsecas (originadas em mutações) ou adquiridas durante o próprio tratamento”, explica Lídia Maria de Andrade, primeira autora do artigo, publicado na revista Materials Science and Engineering C.

Graduada em Odontologia e residente de pós-doutorado, sob orientação do professor Luiz Orlando Ladeira, do Departamento de Física, Lídia destaca que o grupo foi o primeiro a testar diferentes concentrações de Cetuximabe. Puro, o remédio é administrado com 5 miligramas. Na associação com as nanopartículas, são necessários apenas 200 microgramas. O Cetuximabe é um imunoterápico, tipo de medicamento que se liga a uma molécula para impedir que a célula tumoral execute alguma função importante para sua sobrevivência.

A pesquisa é tema da reportagem de capa da edição 2.081 do Boletim UFMG, que circula nesta semana.