A convite da organização do 52º Festival de Inverno, pensadores analisam atual cenário da arte e da cultura e projetam caminhos

José Jorge de Carvalho escreveu sobre a decisão da UFMG de instituir o título de Notório Saber | Rita Honotório

A organização do 52º Festival de Inverno UFMG lançou, nesta semana, a série Ensaios mundos possíveis, na qual reúne artigos escritos por pensadores contemporâneos que refletem sobre o atual cenário da arte e da cultura e indicam caminhos.

Quatro autores já registraram suas reflexões: o professor José Jorge de Carvalho, da Universidade de Brasília, a poeta Angélica Freitas, o filósofo português Paulo Pires do Vale e o MC e jornalista Roger Deff. Até outubro, mais de uma dezena de pensadores terão textos inéditos publicados na plataforma issuu, como Ricardo Aleixo, Cao Guimarães, Nêgo Bispo e Eneida Maria Souza.

Um dos agentes mais ativos na criação de políticas afirmativas e na inclusão dos saberes tradicionais no ensino e na pesquisa nas universidades brasileiras, José Jorge de Carvalho comenta, em seu ensaio, a decisão da UFMG de regulamentar a concessão do título de Notório Saber a pessoas que não frequentaram o universo acadêmico, mas que dedicaram suas vidas à aquisição, constituição e transmissão de conhecimentos tradicionais de relevância social e coletiva para suas comunidades.

De acordo com ele, a iniciativa da UFMG “representa a culminação de uma longa demanda pela inclusão plena dos mestres e mestras dos povos e comunidades tradicionais” no universo acadêmico brasileiro. Além disso, a medida estimula o fortalecimento de um movimento de revisão do padrão de conhecimento hegemônico.

A poeta gaúcha Angélica Freitas é autora da coletânea de poemas Treino, também publicada na plataforma. Ela é autora de sucessos de crítica, como Rilke Shake (vencedor do Best Translated Book Award, nos Estados Unidos, em 2016) e Um útero é do tamanho de um punho (Prêmio APCA de Poesia, em 2012). As inspirações para os seis poemas do texto inédito variam de fotografias do artista italiano Luigi Ghirri a pesquisas feitas pelo buscador Google.

O ensaísta, curador, filósofo e professor português Paulo Pires do Valle é autor do ensaio Imaginar a falta, no qual reflete sobre o poder transformador da imaginação e da incerteza na sociedade. Desde 2019, Pires do Valle é comissário do Plano Nacional das Artes, vinculado aos ministérios da Cultura da Educação de Portugal.

Potência do discurso
O texto mais recente produzido para o 52º Festival é Hip- hop: potência do discurso e território escrito, de autoria do MC e jornalista Roger Deff. Especialista em Produção e Crítica Cultural, Deff faz mestrado em Artes pela Uemg, onde desenvolve pesquisa sobre esse gênero musical em Belo Horizonte. No texto publicado, ele resgata a evolução da cena hip hop na capital, contextualizando o movimento musical com a desigualdade socioeconômica.

“A organização da cidade em centro e periferia nada mais é que a reprodução da desigualdade no espaço físico, onde o centro, como espaço valorizado, é reservado a quem tem melhores condições econômicas, em sua maioria pessoas brancas. A chamada periferia é caracterizada pelo conjunto de espaços afastados do centro e com condições estruturais precárias, sendo ocupada por pessoas de menor renda, negras em sua maioria”, analisa Deff.

E é da periferia que surge o movimento hip-hop, do qual o próprio Deff faz parte. Ele é um dos fundadores da banda Julgamento, um das mais longevas do gênero em BH. Com o grupo, gravou três álbuns, antes de lançar seu primeiro trabalho solo em 2019.

Com Assessoria de Comunicação da Diretoria de Ação Cultura)